O valor infinito da pessoa

Uma mãe, ao conceber, se perguntava: “Será que meu filho virá com saúde? E se ele for vitima de anencefalia?” Anencéfalo é o feto com grave deficiência – ausência parcial – de formação do cérebro. Diante das noticias da TV, de casos de anencefalia, essa duvida lhe assaltou o coração. Com tanto carinho, ela havia desejado e buscado a gravidez e já se relacionava desde a primeira semana com o minúsculo ser que habitava as entranhas com ternura de mãe, que agora só o pensamento de que ele pudesse ter tão grave deficiência, a fazia sofrer horrivelmente. Era o amor que a fazia sofrer assim. Seu problema ficou resolvido quando ela conseguiu dizer em seu coração: “meu filho viverá enquanto depender de mim. Jamais anteciparei seu fim”. Esta posição livrou a angústia daqueles pensamentos negativos. Os exames normais do tempo de gravidez indicaram que a gestação ocorria normalmente e a criança era saudável.

O leitor há de se perguntar: “e se não fosse saudável; se fosse portador de anencefalia, quais seriam os sentimentos e qual seria a atitude da mãe?” A atitude seria aquela nascida do amor: “ele viverá enquanto depender de mim”. Os sentimentos seriam de dor e de amor. Já vi mães carregando, nos braços, com imensa ternura, filhos privados de qualquer capacidade de relacionamento, cujos anos de vida seriam encurtados pelo mal que lhes impedia o normal desenvolvimento humano. Mães assim, verdadeiras, nunca lhes passa pela cabeça abreviar o sofrimento dos filhos, antecipando-lhes o fim. Será que, enquanto estão abrigadas nas entranhas da mãe, as crianças – embriões ou fetos – só porque ainda não se lhes pode ver o rosto, será que elas não são dignas do nosso amor?

Sabe, leitor, o governo criou uma comissão para estudar a ampliação dos casos de aborto legal. Querem que os anencéfalos morram antes do fim natural de suas vidas. Será que a mulher, mãe, tem o direito de antecipar a vida de seu filho, só porque ele ainda vive no abrigo de seu corpo? Se isso é possível, porque punir os pais que não cuidam com responsabilidade de seus filhos pequenos? Será que antes de nascerem, eles são menos dignos de respeito e de amor?

Por último, uma pequena história. Uma jovem soube de sua mãe que, ali pelo segundo mês de gravidez, mediante processos sofisticados de pesquisa ela, ainda no ventre materno, foi submetida a uma avaliação rigorosa de seu desenvolvimento e saúde, e que, felizmente, estava tudo bem.

Na cabeça da jovem ficou uma questão: “será que se eu tivesse uma deficiência grave, minha mãe teria levado ao fim a gravidez? Ela me teria querido do mesmo jeito?”

Prezado leitor, se para sermos amados devêssemos todos ser perfeitos, estaríamos perdidos. Esta mãe, mais tarde, adoeceu com esclerose cerebral. A filha cuidou dela com muito carinho até o fim. Não passou pela cabeça da mãe a idéia de antecipar seu fim. Graças a Deus! Um abençoado Ano Novo, com a Mãe Maria, para você!

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