O Papa e o Brasil

Com 82 anos de idade e 24 de ministério como sucessor de Pedro, o Papa que veio da Polônia é hoje certamente a maior autoridade moral da terra. Enfrentou com destemor o ‘socialismo real’ da União Soviética, o que por milagre não lhe custou a vida. O próprio Ali Agka disse: ‘Eu dei tiros certeiros; ninguém vive com estes tiros. Qual é o segredo de Fátima‘? Como o atentado infausto foi dia 13 de maio, João Paulo II atribui à intercessão de Nossa Senhora de Fátima a sobrevivência aos ‘tiros certeiros‘ do turco.

Alquebrado e enfraquecido, mas lúcido e de coração amoroso, preside a Igreja Católica com dedicação de mártir. Este Papa é uma profecia viva!

Quais as preocupações que demonstrou durante a recente visita dos Bispos gaúchos e catarinenses?
Primeiro, as vocações sacerdotais e religiosas. Ele está convencido de que, sem clero santo, bem formado e de número suficiente, a barca da Igreja faz água.

Segundo, a juventude. É impressionante como nosso Papa vibra com os jovens e confia neles. Repetiu para vários Bispos: ‘Vocês têm de trabalhar com os jovens‘!

Terceiro, a família. O Bispo de Roma insiste no princípio de que a família é a célula mater (mãe) da sociedade e da Igreja, o santuário da vida e a escola do amor. O futuro da humanidade passa pela família.

Quarto, a reforma agrária. Sempre de novo pergunta pela reforma agrária. Não compreende como um país tão grande e rico joga tantas pessoas nas periferias urbanas sem trabalho, sem dignidade.
Quinto, os índios. Embora a maioria das Dioceses do sul brasileiro quase não tenha índio, o Papa quer saber sobre a sorte de nossos índios. Criou a fundação ‘Populorum Progressio‘ para apoiar as populações indígenas, os sem-terra e os pequenos agricultores endividados da América Latina.

Sexto, a unidade dos cristãos e a solidariedade entre os povos. Para João Paulo a unidade começa em casa e se chama ‘comunhão‘. A Igreja é a ‘casa da comunhão‘, que acolhe a todos; é a ‘escola da comunhão‘. E a solidariedade é o novo nome da paz.

E o futuro do Brasil? O Papa acredita que o Brasil é viável. Durante o almoço com os Bispos do Rio Grande do Sul, o austero secretário particular do Papa perguntou: ‘Como vai o companheiro Lula‘? Todos riram.

Neste contexto vai o conselho aos Bispos: ‘Os desafios do trabalho não esmoreçam nunca o vosso entusiasmo; sede antes apóstolos do otimismo e da esperança‘. Pois o Brasil tem condições de liderar o Continente da Esperança!

Roma, 2002.

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