No caminho de Assis

O convite de João Paulo II aos chefes das religiões para uma nova Jornada Mundial pela Paz, num mundo em profunda mudança, principalmente depois dos acontecimentos de 11 de setembro é um momento de paragem, de encontro, de diálogo de oração pela Paz no mundo. Uma paragem num caminho que já vem desde 1986, quando o Papa convocou, pela primeira vez, uma Jornada mundial de Oração, em Assis, na qual a Comunidade de Sant’Egídio acolheu o convite de João Paulo II no final do encontro: “continuemos a difundir a mensagem da paz e a viver o espírito de Assis”.

Desde então, através de uma rede de amizades entre os representantes de diferentes fés e culturas em mais de 60 países, a comunidade de Sant’Egidio promoveu uma peregrinação de paz, que fez uma paragem, ano após ano, em diferentes cidades Européias e mediterrâneas.

É um caminho em que umas ao lado da outras as grandes religiões procuram uma estrada juntas, levando o olhar sobre o mundo e sobre o sofrimento dos homens e das mulheres deste tempo. E uma peregrinação comum, feita no respeito das diferenças, mas com o desejo de convergir com paciência através da amizade e amor comum.

O Espírito de Assis é, de fato, o contrário da auto-referência medrosa de si mesmo, que torna estrangeiros e inimigos os homens de religião. Cumprir esta peregrinação significa ir à raiz das singulares mensagens religiosas e encontrar-se uma mensagem de paz. Neste sentido o espírito de Assis, de unidade entre cristãos e de diálogo entre as religiões, é como um ícone que evoca a unidade do gênero humano. Tal diálogo reforça as Igrejas e as religiões diante ao perigo constante de resignar-se à intolerância e à divisão. Este é um caminho de amizade entre os crentes que deve resistir às dificuldades e às diferenças, com a consciência que não há alternativa ao diálogo e tornar-se assim polo de atração por todos aqueles que procuram um modo mais justo e mais humano.

Como escreveu João Paulo II na sua mensagem para o encontro promovido em Setembro de 2000 em Lisboa. “O diálogo não ignora as reais diferenças, nem cancela a comum condição de peregrinos em direção a novas terras e a novos céus. E o diálogo convida todos para, além de si, robustecer aquela amizade que não separa e não confunde. Devemos todos ser mais audazes neste caminho, para que os homens e as mulheres deste nosso mundo, qualquer que seja o povo ou a que credo pertençam, possam descobrir-se filhos do único Deus e irmãos e irmãs entre eles”.

Esta é a alma com a qual a Comunidade trabalha neste caminho para a Paz, inspirando-se na força de paz das religiões “força débil” diferente da força do mundo que provoca a guerra. Em que oração está no coração desta força débil na consciência que “só a paz é santa” e que as grandes religiões devem colaborar na sua edificação nas consciências bem como na vida pública. Neste sentido é necessário continuar a fazer soprar o espírito de Assis em toda a parte.

Num mundo em profunda mudança em que tantos dos valores sobre os quais os Homens e Mulheres se baseavam estão em mudança, é necessário encontrar dentro desta “Força Débil” das religiões valores profundos de justiça e de paz para uma cultura de convivência e de paz, “colocando de lado o que divide e colocando ao centro o que une”.

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