Léo: a força de um nome

Continuo em Roma, na reta final de minhas pesquisas sobre um tal de Léon Dehon, o padre que fundou a Congregação dos Padres do Coração de Jesus, os Dehonianos. Sim! Por causa dele é que trazemos esta cruz com um coração vazado, que recorda o Coração de Cristo traspassado na cruz. Ah! O nome do nosso fundador era Léo!!! É verdade que depois de religioso ele mudou para João (convenhamos que é bem mais bonito, mas deixa pra lá). Mas o nome de batismo era mesmo Léo.

Ao contrário, o nosso Padre Léo, por quem todos rezamos e torcemos, não nasceu com este nome. Lembro-me bem daquele cabeludo que chegou no noviciado, em Jaraguá do Sul, no ano de 1983, e não sabia dizer bem qual era o seu nome. Alguns o chamavam de Léo; outros, de Tarcísio. Sim! Tarcísio Gonçalves Pereira. Esse era, na verdade, seu nome de registro. Um dia, ele resolveu escrever alguns artigos para o jornal local, lá em Minas Gerais (acho que em Itajubá) e colocou como pseudônimo: Léo. O pessoal acabou descobrindo e “rebatizou” o garoto. O Tarcísio, nome de santinho, deu lugar ao Léo, nome pequeno, mas de gente grande. Realmente, estava nascendo um “leão”.

Mas essa de mudar o nome não é novidade. A Bíblia está cheia de casos assim. Deus mesmo costuma mudar o nome de seus eleitos depois do primeiro encontro. Por exemplo, Abrão vira Abraão; Simão vira Pedro e Saulo vira Paulo. O nome significa na simbologia bíblica a intimidade mais íntima de cada pessoa. Deus diz que nos chama “pelo nome”. O povo nem ousava pronunciar o nome de Deus, ainda mais em vão. É pecado mortal. Nome é coisa santa. É tão bom quando alguém nos chama pelo nome, não é? Significa que nos conhece; que não somos apenas mais um. É uma qualidade bonita quando alguém procura recordar o nome das pessoas.

Mas voltemos ao Léo. São tantos com esse nome. Quantos Papas, já viu? Só para lembrar, Leão XIII, o último da lista, escreveu a famosa Encíclica Social “Rerum Novarum”, em 1891, sobre a condição dos operários, sobre a justiça social e a paz na sociedade. Aliás, acaba de ser eleito o novo superior provincial do Pe. Léo. Sabe como ele se chama? Pe. Léo. Não estou brincando. E além de ser Léo de batismo, esse já era padre bem antes do “nosso” Léo. Só não ficou famoso. Mas é doutor em Teologia Moral e foi nosso professor na faculdade de Taubaté, durante muitos anos. É um especialista no tema da paz. Não! Não estou falando do Pe. Léo Pessini, moralista camiliano de São Paulo que já escreveu muitos livros sobre Bioética. Claro que não. É um outro Pe. Léo, do Rio grande do Sul, que escreveu um livro polêmico há alguns anos.

Que confusão. Porque o Léo não colocou como pseudônimo alguma coisa como Péricles ou Sófio! Mas, pensando bem, existe algo mais comum do que “Joãozinho” ou “Zezinho”? Temos cinco Padres Joãozinhos só em nossa província. E eu me chamo “João Carlos”. Mas há um outro Pe. João Carlos, salesiano, cantor, de Recife. Ele tem discos belíssimos. Uma senhora, em Salvador, certa vez me disse emocionada que gostava muito daquela minha música: “Quem me tocou”, que, na realidade, é do Pe. João Carlos Ribeiro. Sorri e agradeci. Às vezes, é melhor não explicar. Afinal, nada disso tem muita importância, não é mesmo, Léo?

Acabamos descobrindo que existe apenas um Nome que está acima de todos os nomes, e ao qual todo joelho deve se dobrar em adoração: Jesus!

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