Jornada Mundial da Juventude

Aproximamo-nos da 17ª Jornada Mundial da Juventude, de 22 a 28 deste mês de julho, na qual o Papa deverá encontrar-se de novo com os jovens provenientes do mundo inteiro, como vem fazendo há anos com entusiasta acolhida por parte da juventude. Desta vez será em Toronto, Canadá.

Estas jornadas vêm sendo organizadas desde 1986, por iniciativa do Papa João Paulo 2º. Esta iniciativa papal surgiu da participação em massa dos jovens no Jubileu da Juventude em 1984 e do encontro internacional da juventude, ocorrido em Roma em 1985, no Ano Internacional da Juventude, proclamado pela ONU e assumido também pelo Papa, ano em que o Papa escreveu sua belíssima Carta Apostólica “Aos Jovens e à Jovens do Mundo”. Destas Jornadas, sem dúvida, a mais concorrida e emocionante foi aquela que se realizou em Roma, durante o Grande Jubileu de Jesus Cristo, no ano 2000, com cerca de dois milhões de jovens.

A próxima Jornada em Toronto terá como tema esta palavra de Jesus: “Vós sois o sal da terra … Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 13-14). O Papa vai encorajar os jovens de todo o mundo a serem a novidade cristã deste novo milênio e século. Os jovens sejam sal, que dê um sabor novo ao mundo atual, o sabor de Deus! Que sejam luz, como Cristo! Sejam o reflexo da luz de Cristo, o qual veio para ser a luz do mundo e assim brilhar no meio das trevas, em que jaz o mundo quando está afastado de Deus. De fato, Jesus Cristo é a única verdade plena.

O Papa chama os jovens de “amigos”, desde o início de seu pontificado, quando com eles sentou nos jardins da residência de verão em Castel Gandolfo. São seus amigos. Deles espera muito. Olha-os com amor, assim como Jesus recebeu o jovem com amor e o ouviu atentamente, quando este lhe fez a pergunta: “Bom mestre, que devo fazer para entrar na vida eterna?” (Mc 10,17). Os jovens corresponderam ao Papa, como sempre fazem, quando se sentem amados e valorizados, ouvidos e levados a sério. O Papa tocou fundo na alma deles. As Jornadas Mundiais da Juventude são prova disso. Agora idoso e com dificuldade de comunicar-se perfeitamente, o Papa vai de novo ao encontro dos jovens, para dizer-lhes com sua luminosa presença que continua a olhá-los com amor e continua a esperar deles a amizade e o empenho em serem “sal da terra” e “luz do mundo”, como Jesus.

Aos jovens, ele vai repetir que abram totalmente suas portas para Cristo, o qual “a quantos o acolheram, deu o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1, 12). Que não tenham medo do futuro, nem do homem do futuro! Que tenham coragem, pois Cristo já venceu o mundo!
No encontro com os jovens, em Roma, no Grande Jubileu de Jesus Cristo, no ano 2000, o Papa assinalava um aspecto fundamental de sua evangelização dos jovens. Ele não lhes quer repassar simplesmente uma moral cristã, uma doutrina ou um projeto de mudar o mundo, mas conduzi-los primeiro a um encontro forte com Jesus Cristo que os leve a ter um relacionamento pessoal, um envolvimento pessoal e definitivo com a pessoa de Jesus Cristo. Foi quando o Papa, naquele encontro, perguntou aos jovens “o que” tinham vindo buscar em Roma e logo acrescentou que não se tratava de “o que” vinham buscar, mas a “quem” vinham buscar. Não se tratava de algo, mas de alguém. E este alguém não era o próprio Papa, mas sim a pessoa de Jesus Cristo.

O Papa sabe que ali está força da fé cristã. Acreditar numa pessoa e não apenas numa doutrina. Ligar-se a uma pessoa, fazer a experiência do amor com que esta pessoa nos ama e como só ela pode nos salvar por esta relação pessoal. Esta pessoa é Jesus Cristo. Deste encontro e desta adesão pessoal a Jesus Cristo, surgirá a adesão à sua doutrina, à sua moral e à sua proposta de transformar o mundo.

Que o próximo encontro mundial do Papa com os jovens, em Toronto, seja mais um momento forte e decisivo na evangelização dos jovens de todo o mundo! Que reforce a certeza dos jovens de que o Papa quer ser seu amigo. Um amigo que sabe conduzi-lo ao verdadeiro sentido da vida, que é seguir Jesus Cristo.

Dom Cláudio Cardeal Hummes
Arcebispo de São Paulo

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