Eu, padre, me confesso..

Eu, padre, me confesso…

Confesso a Deus todo-poderoso e a vós, irmãos, que pequei muitas vezes por pensamentos e palavras, actos e omissões…

Respirando a suave fragância da «Missa Crismal» e sorvendo o subtil odor do «Lava-pés» da «Ceia do Senhor», estas palavras, que rezamos cada vez que celebramos a Eucaristia (e não só), tornam-se mais verdadeiras.

Estando a viver em comunhão com aqueles que de nós se abeiram pedindo o perdão de Deus, nós, pecadores como eles, sentimos que Deus se serve de nós como instrumentos da misericórdia diante da Igreja e dos nossos irmãos.

Quantas vezes é escutando os pecados dos outros que nós mesmos nos consciencializamos mais e melhor da fineza de fidelidade a Deus de tantos irmãos e tantas irmãs, que procuram viver na condução do Espírito Santo nas suas vidas.

A partir da «Carta do Papa» aos sacerdotes na Quinta-feira Santa e de outros contributos da vida quotidiana, vimos confessar:
A insídia do cansaço e de desânimo – muitas vezes as dificuldades em fazer passar a mensagem do Evangelho na nossa vida é desacreditada pela linguagem um tanto hermética que usamos, levando com isso a que muitos dos nossos contemporâneos não se aproximem de Deus nem tão pouco da Igreja e, nalguns casos, a sentirem-se «rejeitados» por alguma intransigência disciplinar;

Da desconfiança ao tentar de novo – nalgumas situações temos dificuldade em aceitar os outros cristãos (sobretudo os leigos) sob desculpa de que (até) se imiscuem em assuntos que não lhes dizem respeito e, por vezes, ficamos sós ou com uns tantos/as que nos fazem a vontade, mas nem sempre nos ajudam a crescer intelectual, espiritual e eclesialmente;

A aceitação das próprias limitações em abertura à pluralidade – quantas vezes a imagem que temos de nós mesmos nem sempre corresponde à imagem que os outros têm de nós ou (até) que nós queremos que eles tenham, tornando-se como que um desafio reconhecer-se com dons/qualidades/carismas, defeitos/limitações … servindo com humildade e permitindo que esse «castelo» em que tantas vezes nos refugiamos possa ser, por outro lado, oportunidade para outros descobrirem Deus mais ao longe;

Em processo de purificação rumo à santidade – na maior parte dos casos a nossa programação pastoral tem horizontes pouco audazes, pois falta-nos ardor no anúncio da palavra do Evangelho, correndo o risco de reduzi-la a uma proposta demasiado horizontalista, sem capacidade de compromisso de santidade e de interpelação àqueles que nos escutam, tantas vezes ávidos de valores mais duradouros e salutares;

Para uma dinâmica de comunhão na vida em Igreja – em muitas situações o nosso cristianismo corre o risco de reduzir-se a um medíocre compromisso de honestidade segundo critérios sociológicos, onde certas formas de apresentação clericalizadas ou não, devemos (sobretudo) exercitar a capacidade de acolhimento, de escuta e de diálogo tanto para os fiéis como para os outros do mundo.

Com os olhos postos em Cristo Sacerdote queremos caminhar nesta Igreja, servindo com os defeitos de que nos arrependemos em abertura ao Espírito Santo que nos faz sinal de misericórdia neste mundo onde Deus Pai está atento aos anseios de todos os homens por Ele amados.

Fonte: Raio de Luz – A. Sílvio Couto

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