Elogio ao celibato

Quando o mundo cultua mais do que nunca o ter, o prazer e o poder (riqueza, sexo e autoridade), resulta em sinal de contradição o fato de que milhares de homens e mulheres, livremente, por amor a Deus e ao próximo, optem pela pobreza, pela castidade e pela obediência. A cultura contemporânea precisa, sim, rejeitar semelhante “afronta” a seus principais “valores” numa época em que o processo de despersonalização do humano levou à personalização do sexo, que ganhou nome, vontade, liberdade e razões próprias, e vai acabar reivindicando “cidadania”, título de eleitor e carteira de identidade.

Não é pelos sacerdotes católicos, mas por um padrão de conduta que se batem os que investem contra os votos religiosos em geral e contra o celibato sacerdotal em especial. Por isso o descuido ante o fato de que se trata de escolhas livremente feitas, após completo curso superior de filosofia e teologia, concluído estágio como diácono e decorridos ao menos seis meses do seu término, com a idade mínima de vinte e cinco anos e maturidade suficiente. Por isso a desatenção à maioria que se mantém no cumprimento dos deveres assumidos perante Deus e a comunidade. Por isso, também, o pouco interesse por quantos, de modo reto, e ainda fiel, desejosos de mudar de situação, pedem dispensa e se afastam.

Exemplos assim não têm valia quando convém confundir infidelidade com liberdade. O celibato, como exemplo e conselho de Cristo, acompanha a história da Igreja praticamente desde os primórdios e é mais do que milenar norma eclesiástica. Quem opta pelo sacerdócio renuncia à própria família e sabe que não pode pretender as duas coisas. Da mesma forma o leigo, quando casa, escolhe sua mulher e exclui as outras. E não é exatamente “rebelde” o adjetivo adequado para quem quer ficar com ela e com as demais. Estranho que certas pessoas cobrem fidelidade dos políticos a seus partidos (e bem conhecemos uns e outros) enquanto consideram impróprios os nobres vínculos sacerdotais!

E você, leitor, for favorável ao fim do celibato, procure responder às seguintes indagações: “você acha que seria fácil ser mulher do padre?”; “você acha que seria fácil ser filho ou filha do padre?”; “você acha que seria fácil ser amigo ou amiga da mulher do padre?”; “não lhe parece provável que muitas mulheres teriam problemas em confessar com o marido da amiga?”. E mais: “e se o padre, ou a sua mulher, ‘pulasse a cerca’?”; “e se o padre acabasse tendo que sustentar muitos filhos?”; “envolvido com problemas familiares e econômicos, tendo que assegurar o futuro de outras pessoas, quanto de seu tempo acabaria o padre dedicando à comunidade?”; “metido no mundo do mercado e dos negócios, competindo, talvez, com muitos de seus fiéis, com quantas situações inconvenientes acabaria envolvido?”.

É preciso levar em conta que as funções de um sacerdote católico não são as mesmas de um pastor evangélico. Eles não são ministros dos mesmos sacramentos e a maior parte das comunidades evangélicas não têm a multiplicidade de funções desempenhadas por nossas paróquias. São realidades diferentes e é o celibato que possibilita essa diferença.

Deus seja louvado por acender em tantos corações jovens, o desejo de se dedicarem integralmente à construção do Reino.

Toda misericórdia com os que erram e todo louvor aos que permanecem fiéis. Penso que como leigos, em vez de subestimar o celibato, deveríamos demonstrar nosso reconhecimento e apoio a quem opta por se doar inteiramente à comunidade, pelo Reino de Deus.

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