🩷 VIDA E SAÚDE

Câncer de mama: a feminilidade que permanece pela graça de Deus

Por trás do diagnóstico, a mulher continua existindo

Receber o diagnóstico de câncer pode representar o fim da esperança ou o começo de uma nova vida. Integrar as dimensões humana, física e psicológica sob uma nova perspectiva é um caminho para fazer dessa doença um meio de renovação.

O câncer de mama em mulheres está entre os mais comuns no país, segundo o Instituto Nacional de Câncer, o INCA; e uma das formas de prevenir e vencer essa enfermidade é a informação sobre os diversos aspectos envolvidos no tratamento. Além disso, muitas pessoas que passaram por essa doença afirmam que o equilíbrio emocional faz toda a diferença.

Mãos seguram uma fita rosa, símbolo da conscientização e prevenção do câncer de mama, sobre uma superfície de madeira clara.

Créditos: ThitareeSarmkasat by Getty Images

O equilíbrio interior para enfrentar a doença

Para a mulher, que tem em sua psiquê uma forte sensibilidade, o apoio espiritual e psicológico é fundamental no tratamento, pois ajuda a reduzir a ansiedade, pode dar força emocional e melhorar a qualidade de vida da paciente.

A missionária e jornalista da Comunidade Canção Nova Renata Vasconcelos – que teve câncer jovem e em meio ao planejamento de gravidez – conta como equilibrar as emoções foi essencial para ela: «Eu comecei a trabalhar no meu coração que o fato de eu ter tido o câncer de mama não significava que eu nunca mais iria ser feliz, ou que eu nunca mais iria realizar os meus sonhos» (Renata Vasconcelos).

Imagino que muitas coisas devem passar pela cabeça de uma mulher quando recebe a notícia de que está com câncer, principalmente a incerteza sobre o tempo de vida e o que pode perder e deixar de ter por causa da doença. Porém, manter a confiança diante de cada medo ou dúvida é parte do processo. Para Renata, « viver um dia após o outro, nunca perdendo a esperança» foi a meta a fim de superar cada desafio.

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O corpo muda, mas a feminilidade permanece

O tratamento de câncer varia em cada caso, mas tende a ser agressivo e impactante, principalmente quando se faz quimioterapia. As possíveis reações, entre elas a queda de cabelo, podem tornar esse processo traumático, em especial para a mulher, uma vez que toca em sua feminilidade. Segundo o A.C. Camargo Câncer Center, mudanças no ciclo hormonal da mulher também podem ocorrer quando a quimioterapia afeta os ovários, assim como a perda de hormônios e a menopausa precoce. Isso talvez seja um dos grandes impactos para a mulher que passa pelo câncer ainda jovem e pode interferir no modo como ela entende e responde às diversas situações no mundo, já que o ser feminino é cíclico e entende a realidade com todas as dimensões de seu ser.

Diante disso, o olhar mais profundo para si mesma e para o sentido de sua existência são atitudes necessárias. No caso de Renata, uma descoberta marcou sua vida para sempre: «A feminilidade não está fundamentada na minha taxa hormonal, nem nas minhas glândulas, mas ela está cravada na minha alma.» E desta constatação veio a firme decisão: “eu iria exercer [a feminilidade]…muito mais pela essência do que eu era… eu não dependia dos hormônios.»

A graça pressupõe a natureza

Essa máxima de São Tomás de Aquino é uma grande verdade sobre a natureza humana que podemos aplicar aqui. Deus age nas condições que Ele quer na vida de cada um. Muitas vezes, Sua intervenção será na natureza dos fatos. Em diversas ocasiões, a ação do Senhor será ajudar a mulher – que teve câncer ou que está passando por esta doença – a viver sua nova realidade. Por isso, mesmo sem as substâncias hormonais que lhe são características – com fé e ajuda emocional – ela pode se posicionar no mundo com toda a sua feminilidade, valendo-se de meios importantes. Elenco aqui alguns, também com o testemunho de Renata.

A intimidade com Deus:

Estar em intimidade com Deus dá força para enfrentar a enfermidade do câncer. Ele é o companheiro fiel e real, que sabe tudo a seu respeito e para quem você não precisa disfarçar. Nessa enfermidade há uma oportunidade de fazer grandes descobertas sobre Deus e você mesma. Foi essa a oração de Renata: «Senhor, me faz uma mulher completa, mesmo sem hormônio. Preenche com a Tua graça o que a falta de hormônio em meu corpo».

A abertura à vida de todas as formas:

A mulher traz em si o chamado a gerar vida. Ter câncer não pode impedi-la de gerar novos projetos. Ela pode redefini-los. Para Renata, a porta fechada de uma gestação natural abriu seu coração para ser mãe de outra maneira: «O Senhor me mostrou que a maternidade, na minha vida, viria pela via da adoção, e que eu seria mãe da mesma forma, gerando no coração.»

Viver a doação de forma ampla:

Doar-se é uma das grandes vocações da mulher. Quando enfrenta o câncer, geralmente ela tende a se fechar em si e ter dificuldades em viver um relacionamento, principalmente, o do matrimônio. Renata descobriu, em meio à doença, que sempre há possibilidade de oferta e que ser esposa engloba realidades muito amplas: «Eu percebi que eu precisava ser a melhor esposa possível para o meu marido… fazer-me presente, doar-me no relacionamento e não me fechar na minha dor.»

O autoconhecimento para o autocuidado:

O enfrentamento do câncer pode levar a mudanças profundas na forma de a mulher ver a si mesma e de viver a sua feminidade. É a oportunidade de cuidar de si, com novas formas, para um novo tempo de vida. «Eu fui convidada a fazer um profundo processo de autoconhecimento e entender que eu continuava sendo uma mulher cíclica…Eu trabalhei muito a questão da minha autoestima, de me amar e me aceitar…» (Renata Vasconcelos).