Bento XVI, um dom de Deus

Com enorme satisfação de alma e profundo espírito de fé acolhemos a eleição do Papa Bento XVI que o Espírito Santo nos enviou no último conclave, pela mediação dos votos dos Eminentíssimos Senhores Cardeais.

É um momento essencialmente eclesial este em que assistimos o início de um novo tempo que prossegue a estrada iniciada por Pedro, quando foi escolhido por Cristo, às margens do Lago de Genezaré. Numa seqüência ininterrupta, a nau de Cristo continua singrando os mares da história, enfrentando os mais variados tempos e às vezes temporais, mas sempre vitoriosa na força de seu Fundador nela presente, garantindo que as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela.

O novo Papa começou muito bem seu pontificado. Foi emocionante vê-lo aproximar-se da janela na Basílica Vaticana e dar suas primeiras palavras à multidão presente na Praça: “Depois do grande Papa João Paulo II, os cardeais escolheram a mim, humilde trabalhador da vinha do Senhor. Consola-me o fato de que o Senhor sabe trabalhar até mesmo com instrumentos insuficientes e, sobretudo, confio-me às vossas orações. O Senhor nos ajudará e Maria, sua Santíssima Mãe, estará ao nosso lado”.

Nestas breves palavras, o novo Sucessor de Pedro imprimiu no coração de todos a convicção de que se trata de uma pessoa detentora de um imenso amor a Deus, dotada de uma grande humildade, plenamente convicta da força da oração. Ao escolher o nome de Bento XVI, propõe uma trajetória mística, inspirada na via de São Bento de Núrcia (480-540), iniciador da vida monástica no ocidente, que não dissociou o trabalho da oração, deixando para a sua ordem o moto Ora et Labora. Vejo na escolha deste belo nome, a intenção do novo e já amado Papa de marcar seu pontificado por uma espiritualidade de união intensa com Jesus Cristo vivo e atuante na Igreja, associada à prática da ação pastoral de trabalho intenso em favor da humanidade. Vejo também na escolha deste nome o sentido da bênção que dignifica e sublima toda ação humana. Mas ele será também o canal salutar da bênção de Deus para a Igreja, para as pessoas de todas as raças e nações, para cada um dos corações.

O Cardeal Ratzinger é de fato uma das mentes mais brilhantes da Igreja de hoje, teólogo extraordinário, homem de fé inquebrantável, de uma vida de santidade edificante, sereno e bondoso, além de bom diplomata. Provou isto na condução da Congregação da Doutrina da Fé, o cargo mais espinhoso da Igreja, durante 23 anos. Ali, segundo sua função, teve que garantir a pureza da fé, a autenticidade dos enunciados teológicos e corrigir desvios. Este ministério geralmente pesa contra a pessoa que deve exercê-lo, e por vezes, até mesmo resulta para si em críticas e rotulações impressas pelos que foram convidados a reverem suas afirmações. Na verdade, é indispensável que os teólogos tenham a consciência de seus limites e não se deixem levar pela arrogância e a tentação de querer superar a Igreja e estarem acima de toda verdade. Ratzinger conseguiu dirigir este dicastério com tanto equilíbrio e perfeição, que suas decisões foram sempre firmes, mas brandas, evitando medidas extremas aos que, por dever sagrado de ofício, devia reorientar. Nunca foi frio, nem de longe um inquisidor, mas se pautou com serenidade e evangélica misericórdia.

Os Cardeais, que votaram em consciência sub grave, certos de que um dia deveriam prestar contas a Deus se se deixassem levar por qualquer interesse humano, escolheram Ratzinger, encontrando nele as qualidades de exímio conhecedor das variadas situações dos povos seja no sentido eclesiológico seja no sociológico, de seguidor e colaborador de João Paulo II, de uma grande experiência administrativa na Cúria Romana, e outros predicados, reunindo todas as condições necessárias para ser eleito, quase por unanimidade, no segundo dia do conclave. Constata-se que o ambiente da Igreja atual é de serenidade, segurança e tranqüilidade, mesmo havendo opiniões internas contraditórias, embora poucas. A extraordinária e nunca vista movimentação do mundo inteiro no falecimento de João Paulo II foi como que um plebiscito planetário de aprovação de seu pontificado e testemunho inconteste da força espiritual e moral da Igreja, motivos suficientes para eleger para seu sucessor, um homem como Ratzinger que prosseguirá a estrada de seu predecessor.

O Beatíssimo Padre Bento XVI receba de nossa Diocese de Jundiaí e de cada um de nós a expressão de nossa filial acolhida como Pai espiritual, como Mestre da Fé, como Pastor do Rebanho do Divino Mestre, como garante da unidade, afinal, como Sucessor de Pedro e Vigário de Cristo na terra.

Bendito o que vem em nome do Senhor, agora e para sempre!

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