Amigo...

A beleza da amizade nos seduz e encanta embora saibamos que poucos são os que vão permanecer para sempre em nossa vida. Já a escritura sabiamente nos adverte: ‘Mil sejam os camaradas com quem você se relaciona, mas um entre eles o teu confidente’; aquele que, com simplicidade e veracidade é capaz de acolher tuas feridas e de acreditar nos teus sonhos, sem duvidar da tua honestidade e sinceridade. O amigo é aquele que não duvida e, por isso, quando traído, sente ainda mais forte a dor que o penetra e que lhe faz perceber toda a infidelidade como a dor maior. Amigo verdadeiro não é capaz de pensar mal do seu amigo, a amizade cria um só coração e uma só alma ou, como dizem os filósofos, é ‘um só coração em dois corpos‘.

A bíblia ainda nos adverte que quem encontra um amigo, ‘encontra um tesouro’. O elogio que é feito dos amigos ultrapassa o humano e nos lança no amor que tem suas raízes no mistério trinitário. A verdadeira amizade é uma aliança que nada e ninguém poderá romper, nem a morte, nem a fome, nem a doença, nem a pobreza e nem a riqueza. É uma aliança que carrega em si o sabor do divino, do amor que não pode ser deixado ao vento dos sentimentos.

A amizade não conhece distância e nem precisa de muitos sinais, os amigos sabem que são amigos quer estejam perto ou longe, quer se vejam ou estejam anos sem se ver e se falar. Na amizade não há a presença de interesses e nem desejos escondidos e mesquinhos de aproveitamento pessoal. Os amigos não necessitam dizer o que se passa com eles, o simples olhar revela o que um necessita do outro. É entrar numa profunda sintonia de sentimentos, desejos e de vida. Amigos e amizade são palavras sagradas que deveriam ser purificadas de tantas sujeiras acumuladas pela materialização do amor que se faz simplesmente desejo de si mesmo e não plenitude do outro.

Os amigos são provados pelo fogo das adversidades, onde nunca podemos desconfiar e nem nos envergonhar dos amigos; mesmo que eles errem ou se encontrem nas situações mais vergonhosas, eles são nossos amigos, dos quais damos testemunho com amor e afeto. Não se pode romper a amizade porque o ‘amigo’ está com AIDS ou abandonou a fé ou, num momento de loucura, cometeu alguns erros que podem até nos envergonhar. O amigo assume e carrega o amigo em todos os momentos da vida porque ele faz parte da sua história, do seu cotidiano, do seu caminho; a verdadeira amizade é tesouro escondido que se faz manifesto.

Os amigos não são amigos na noite ou no anonimato, são amigos à luz do sol; todos sabem que são amigos e são orgulhosos por serem amigos. Cantar o cântico dos amigos é sair do seu egoísmo e colocar a vida em risco para os outros.

A melhor definição de amigo nós encontramos no Evangelho, quando Jesus, com sabedoria e austeridade de palavras, diz: ‘Não há maior amor que dar a vida pelos amigos‘. Não é dar nem presentes de ouro, nem carros importados e nem cheques gordos no dia do aniversário, tudo isto faz parte do relativo que não expressa o valor verdadeiro da amizade, da vida. Entre amigos não se dá presente, se dá amor e vida. Não são dadas flores, mas o perfume das flores. Assim Jesus, nosso amigo, não nos deu nada de ‘coisas’ para serem guardadas como lembrança, mas nos deu o melhor de si, ‘carne e sangue’, a vida plena em abundância.

Quando formos capazes, como Jesus, de dizer aos nossos amigos ‘vos chamo amigos porque vos revelei tudo o que ouvi de meu Pai‘, aí podemos iniciar a crer que somos amigos de verdade e não simples conhecidos e camaradas que encontramos na vida. A amizade é ver o nosso rosto resplandecer nos olhos do amigo e vice-versa. Tu és meu amigo porque tu és eu e eu sou tu.

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