A paz é possível!

Se há algo que nos preocupa a todos neste momento da história é a ruptura da paz. Ao iniciar o novo milênio e o século XXI, nosso coração se encheu de esperança de que a humanidade pudesse viver tempos de segurança, justiça e concórdia para o futuro. Entretanto, para nossa tristeza, foram e estão se sucedendo fatos que nos inquietam. Entre tantas notícias de violência generalizada, de terrorismo e de combates localizados, surge a ameaça de uma guerra explícita. Era tudo o que não queríamos e não queremos!

Apesar disto, nós acreditamos que a paz seja possível. O Santo Padre, João Paulo II, acaba de nos enviar sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, dia 1 de janeiro de 2003. Nela ele retoma a Encíclica de João XXIII Pacem in Terris, publicada no dia 11 de abril de 1963. A um mundo dividido, inclusive com o Muro de Berlim, o Papa João XXIII afirmava que a paz era possível, baseando sua crença na fé em Deus e na força moral da grande maioria da humanidade desejosa de paz.

“Ele identificou como condições essenciais para a paz quatro exigências concretas da alma humana: a verdade, a justiça o amor e a liberdade. A verdade será fundamento da paz, se cada indivíduo honestamente tomar consciência não só dos próprios direitos, mas também dos deveres para com os outros. A justiça edificará a paz, se cada um respeitar concretamente os direitos alheios e esforçar-se por cumprir plenamente os próprios deveres para com os demais. O amor será fermento de paz, se as pessoas sentirem como próprias as necessidades dos outros e partilharem com eles o que possuem, a começar pelos valores do espírito. Finalmente a liberdade alimentará e fará frutificar a paz, se os indivíduos, na escolha dos meios para alcançá-la, seguirem a razão e assumirem corajosamente a responsabilidade dos próprios atos” (Pacem in Terris, I, 265-266).
Estas exigências se fundamentam na idéia de que todos os seres humanos são iguais entre si por dignidade de natureza e gozam de diretos inalienáveis, não por benefício concedido por uma determinada classe social ou pelo Estado, mas por prerrogativa que lhe pertence enquanto pessoa.

Outro ponto importante que se revelou profético no ensinamento de João XXIII é o conceito de “bem comum universal”. E para torná-lo possível, ele defendia uma autoridade pública internacional que tivesse efetiva capacidade para promover este bem comum universal. Ele colocou a esperança na Organização das Nações Unidas, como instrumento crível para manter e reforçar a paz no mundo. Acho que foi uma intuição genial, que esperamos consiga se impor no concerto das nações que verdadeiramente amem a paz.

Outro fator indispensável para a paz é o fortalecimento de uma ordem moral internacional. Notamos hoje a existência de uma desordem na atual organização do mundo. Para que haja uma ordem, é preciso exista um princípio ético: uma nova ordem moral capaz de gerar uma forma democrática no exercício da autoridade política, quer nacional quer internacional e que torne possíveis transparência e credibilidade, em todos os níveis da vida pública.

È urgente se imponha, ademais, uma cultura de paz e que se ultrapasse a velha forma de solucionar os conflitos pela violência; e que se torne realidade a bem-aventurança de Jesus: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus (Mt 5, 9).

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