A diversidade de temperamentos existe entre ambos, isso pode ser causa de profundo desentendimento do casal e pode ser identificada no namoro ou no noivado
Na maioria dos casais, os cônjuges têm temperamentos diferentes, e é a harmonização dessa diferença, no amor vivido a cada dia, que faz a beleza da vida a dois. Não há temperamento forte ou difícil que não possa ser curvado no fogo do verdadeiro amor. E se isso não ocorre, é porque o amor não é ainda suficientemente intenso. O amor é mais forte do que a morte e dobra o temperamento impetuoso.

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Ainda que os temperamentos sejam adversos, o casal poderá ser muito feliz se a sua maturidade superar as diferenças pessoais
É preciso que o casal saiba valorizar aquilo que tem realmente valor em sua vida, para não permitir que quimeras e mezinhas insignificantes, “picuinhas”, perturbem o seu caminhar, comprometendo a construção do projeto de vida a dois.
A psicologia ensina que há vários tipos de temperamentos. Entre os muitos citados pelos especialistas precisamos conhecer ao menos os mais comuns: colérico (agitado), fleumático (calmo), melancólico (calado) e sanguíneo (falador). Não há, porém, uma pessoa de comportamento puro; sempre pode haver duas tendências, a chamada binariedade, onde um temperamento pode ser mais dominante que outro. Mas eles nunca são opostos. O colérico pode ter traços de sanguíneo e o fleumático pode ter traços do melancólico.
João Mohana diz no seu livro: “Ajustamento conjugal”, que Ambroise Bierce escreveu que “em cada coração humano há um tigre, um porco, um burro e um rouxinol”. Na verdade sempre há conflito dentro de nós. Isto nos faz lembrar o caso daquele discípulo que chegou a seu mestre eremita e lhe disse: “mestre, tenho dentro da alma como que dois cães que brigam; um é bom, o outro é mau; qual deles vai vencer a luta?”
Ao que o mestre lhe respondeu: “aquele que você alimentar”. Cada um de nós, por conta do pecado original se sente um pouco assim. Então, cuidado com o cão que você alimenta. Vamos descrever aqui esses temperamentos seguindo a orientação de João Mohana, em seu livro citado acima. Apresentaremos as características básicas de cada um e seus efeitos na vida conjugal, para que você identifique-se e conheça melhor seu cônjuge, e saiba como se relacionar com ele.
Note que em cada tipo de temperamento há tendências negativas e positivas; e essas tendências podem ser modificadas pela pessoa com a sua conduta. Os geneticistas estão descobrindo que a carga genética de cada pessoa não influencia mais que 50% de suas tendências, o resto depende da educação, ambiente e formação da pessoa. Embora isso não seja um dado exato, é uma referência hoje importante. Cada temperamento manifesta diferentes impulsos. Não há um temperamento só ideal para a vida conjugal. Cada um apresenta qualidades e defeitos; essa será a matéria-prima do relacionamento conjugal. Os casais normalmente trazem temperamentos diferentes, por isso precisam se entender, se respeitar, se compreender, se amar.
O temperamento fleumático no casamento
O fleumático costuma ser paciente se tem de recomeçar o que não deu certo. Gosta de fugir da responsabilidade. Acha a sua vontade fraca na prática. Conforma-se à rotina da vida. Come o que lhe servem, gosta de tudo; aceita as coisas com facilidade. É um tanto desleixado com a roupa, o quarto e o escritório; deixa para os outros o arrumarem. Pouco exigente com o corpo e não se preocupa com a saúde. Oculta a doença.
É o temperamento mais acomodado sexualmente, se domina com mais facilidade. Não se choca com as notícias. Não tem a tendência de fazer amizades profundas. Não tem rancor; não se fixa em tabus; não é exigente com a moral; é tolerante e não é escrupuloso, mas não é libertino; é indiferente. É um tanto displicente e relaxado.
Convive bem com pessoas que discordam dele. Não se ofende com facilidade. É calmo e não se impõe. Aceita a humilhação e não busca a vanglória. É relapso nos compromissos que não prefere assumir. Não se decepciona com facilidade.
A grande tentação conjugal do fleumático é a rotina. Não é apaixonado, não é caloroso, não se entusiasma facilmente por alguma coisa; não é dado a aventuras; não se empolga com facilidade. Às vezes, parece insensível mesmo diante das grandes dificuldades do casal e da família.
Quando está tudo bem, ele é ótimo companheiro; não é exigente e não faz cobranças. O cônjuge de um fleumático tem a vantagem de nunca viver a “toque de caixa”. O fleumático gosta dos filhos, mas é um tanto indiferente aos aspectos educativos deles. Não se incomoda nem com as brigas das crianças. Pode ser um excelente avô, do jeito que os netos gostam. Mas o fleumático pode se tornar cínico e impertinente em própria defesa.
Entenda os demais temperamentos
.:O temperamento colérico no casamento
.:O temperamento sanguíneo no casamento
.:O temperamento melancólico no casamento
É importante que você conheça o seu temperamento para buscar o equilíbrio dinâmico sem suas manifestações
“Conhece-te a ti mesmo!” Conheça também o temperamento do seu cônjuge para aprender a lidar com ele. Qualquer que seja o seu temperamento e do seu cônjuge, pode haver uma boa harmonia conjugal se o casal souber entender o comportamento do outro e souber ajudá-lo a vencer as dificuldades do seu temperamento.
As diferenças marcantes entre os temperamentos não podem ser desprezadas e exigem que tenhamos força de vontade e os auxílios da graça de Deus para que os desentendimentos sejam superados por amor. As diferenças podem ser um meio para grande crescimento do casal se ambos se empenharem na construção mútua deles. E para isso é preciso perseverança, pois ela é a virtude pela qual todas as outras virtudes dão fruto. As grandes obras são executadas não pela força, mas pela perseverança. Ela é capaz de transformar defeitos em virtudes. O povo experimenta isso, por isso diz que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.
É normal um homem colérico se casar com uma mulher fleumática, ou uma mulher colérica se casar com um homem melancólico. Sabemos que os opostos se atraem, mas as trombadas podem acontecer nesta atração, especialmente se um colérico se casar com uma extrovertida. O contrário se dará se um fleumático se casar com uma introvertida. Neste caso, a apatia pode prevalecer. Então, guarde quais são as qualidades e os defeitos do seu temperamento e se esforce para “agir contra” os defeitos e explorar as qualidades, e ajude o seu cônjuge a fazer o mesmo; nisso consiste o crescimento do casal.
Não é possível anular o temperamento de uma pessoa – isso é genético –, mas é possível educar esse temperamento superando conscientemente os defeitos – isso é a maturidade. E a “conquista de si mesmo” vale mais do que dominar os outros. Para isso será necessário paciência com você mesmo e com o outro, pois é um processo que pode levar tempo. Haverá erros e quedas, arrependimentos e remorsos, lágrimas e pedidos de perdão, mas o mais importante será não desanimar nem desistir dessa autoconquista.
Veja, não há como gerar um pintinho em um ovo antes de 21 dias de calor adequado da galinha aquecendo os ovos. Se você quiser apressar o processo aumentando a temperatura dos ovos, o que vai acontecer? Os ovos vão virar omeletes e não pintinhos. Então, cuidado! Não adianta se afobar no processo de domínio de si mesmo e do outro; queimando etapas com a nossa pressa e afobação, podemos queimar nós mesmos e o outro.
Os temperamentos diferentes não são motivos para a incompatibilidade do casal, pois o temperamento é o revestimento da personalidade, mas não é ela própria; e essa dificuldade pode ser vencida pelo amor. As uniões mais estáveis são as das pessoas que encontraram caminhos para ajustar suas diferenças sem ataques pessoais e sem se fechar no silêncio. São casais que dominaram elementos emocionais com a empatia, o saber escutar sem estar na defensiva e a crítica, sem zombaria nem agressividade destrutiva.
Já dissemos que uma boa maneira de se conhecer é pela análise dos sonhos; há, hoje, bons psicólogos que dominam isso. O sonho é uma manifestação descontrolada do inconsciente, dramatizada, condensada e mascarada, de problemas que estão no fundo da alma. Há uma fisiologia dos sonhos e há símbolos que precisam ser interpretados. Há um mecanismo de ouro que a psicologia nos ensina e que se chama sublimação. Consiste em superar um problema com uma compensação positiva num nível superior, subindo em uma escala de valores: biológico, racional, intelectual, espiritual.
Trecho do livro “Problemas no casamento” do Professor Felipe Aquino




