Paz e alívio

Cansado de caminhar? Entenda por que o deserto espiritual é o convite para uma nova vida

Os recursos necessários para sobreviver no deserto espiritual quando se sentir cansado

Quem nunca se sentiu cansado? Pior que isso: cansado e sem vislumbrar os meios para descansar. Como num deserto, às vezes olhamos para todos os lados e não vemos sinal de água ou comida. Tudo é seco; tudo é morto; tudo é tedioso.

Crédito: Igor Barilo / GettyImages

Penso na escrava Agar que, com seu filho Ismael, sentou-se debaixo de um arbusto para não ver a criança morrer de sede, quando acabou a água de seu cantil (cf. Gn 21,14-19). Também em Elias que, fugindo da perseguição, caminhou pelo deserto até cansar e, desanimado, pedir a morte: “Chega, Senhor! Tira a minha vida” (1Rs 19,4).

Nesses dois casos citados, o Senhor Deus veio em socorro dos Seus filhos e deu-lhes palavras de conforto e os recursos necessários à sobrevivência. Pediu-lhes apenas a coragem de prosseguir, e a confiança n’Ele. Portanto, se estamos sem esperança humana, sem maneiras de sair de uma situação, nos resta reconhecer nossa incapacidade e depositar toda a nossa confiança no Senhor, que é o nosso Pai e que nos concederá o “pão nosso de cada dia”.

Eis o segredo para o nosso descanso: paz, alívio e alegria:

Haveria muito a falar sobre isso, especialmente para os que vivem a depressão, e para os que já não enxergam motivos claros para viver. Porém, no pouco tempo que disponho para digitar essas linhas, ao levantar os olhos vejo diante de mim uma frase escrita na parede da Secretaria Paroquial: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (Mt 11,28). Eis o segredo: ir até Jesus e, no Seu amor, encontrar o nosso descanso, a nossa paz, o nosso alívio e a nossa alegria.

Mas como ir até Ele? Como ouvir suas palavras? Essa resposta não é difícil de dar. Providencialmente, escrevi esse artigo no dia de São Bento, um dos pais da vida monástica. Recordemos que ele amou o deserto, o silêncio, o retiro. Quando estamos longe dos barulhos das conversações humanas e livres dos agitos da sociedade, tornamo-nos mais sensíveis, o que estreita nossos laços de escuta e de aproximação com Deus. Afinal, só Ele está sempre conosco, e isso nos basta.

Dez minutos do seu dia para ser revigorado

O convite é para fazer a experiência neste momento, é um exercício simples mas que ajudará no seu revigoramento:
1 – Desligue qualquer eletrônico que faça barulho. Ex: música;
2 – Afaste-se um pouco de todas as pessoas, procure um lugar para ficar sozinho por, pelo menos, cinco minutos em silêncio;
3 – Não olhe para o celular nem se distraia com nada;
4 – A seguir, tome em suas mãos a Bíblia e leia um pequeno trecho do Novo Testamento, de preferência dos santos Evangelhos. Ame essa palavra por alguns instantes. Não tire conclusões. Apenas ame;
5 – E, finalmente, faça uma pequena oração pessoal, conversando com o Senhor. Diga a Ele: “Senhor, sei que estás aqui presente. Eu não tenho onde buscar refúgio a não ser em Ti. Sou uma pobre criatura. Não tenho forças para lutar, não tenho sabedoria para decidir nada, nem tenho ideia do que devo fazer. Mas confio no Teu amor misericordioso. Tu és o Rei do Universo e, ao comando de Tua voz, todas as criaturas obedecem prontamente. Então, Senhor, diz uma palavra e serei salvo. Vem em meu auxílio. Ajuda-me e fica comigo”.

Tenho certeza, caro irmão, que você se sentirá tão revigorado com esses 10 minutinhos de deserto, que terá até dificuldade de sair dele. E quando você aprender a ficar sozinho com Deus, irá amar o deserto e não mais irá temê-lo.

Padre Ricardo Passamani, Arquidiocese de Vitória – ES