Até quando a nostalgia se manifesta e quando se transforma em saudosismo?
Todos nós já tivemos aquele momento de relembrar o passado, o que se configura como uma lembrança muito bonita: aquele sorvete que você tomava ao lado do seu pai, o primeiro dia de aula na escola ou na faculdade que o marcou muito, ou aquela festa de aniversário que foi um dia inesquecível. Mas até quando esse sentimento de nostalgia é bom, e como gerenciar essa emoção para que você não viva somente do passado, evitando esse apego excessivo que é o saudosismo?

Ilustração por Maria Laura Martins.
Porque, no meu tempo, tudo era melhor…
Nas famílias, é muito comum encontrar aquele pai, aquela mãe ou, principalmente, os avós que vivem falando só do passado. Muitas vezes, isso não ocorre como algo positivo, mas em tom de sermão, apenas conscientizar algum filho ou neto que passa o dia inteiro no celular ou que não valoriza o que tem.
“Ah, porque, no meu tempo, tudo era mais legal, mais bonito! Eu saía para brincar na rua com os amigos, escutava as melhores músicas, assistia aos melhores filmes e novelas, comia aqueles doces deliciosos – nada industrializado – e não dependia de redes sociais para nada!”, são as frases mais comuns.
Passado e presente: suas desvantagens
Cabe deixar claro que este texto não é uma crítica a quem recorda o passado, mas é bom sempre lembrar que tudo tem seu limite. Antigamente, também existiam coisas ruins, como as inúmeras restrições na comunicação; afinal, não havia WhatsApp, Instagram nem Messenger. Para falar com alguém de longe, era necessário enviar cartas, o que demorava dias, semanas e até meses. Hoje em dia, em questão de segundos, o destinatário já recebe e responde à mensagem.
No passado, as pessoas muitas vezes nem sabiam a hora! Isso mesmo: muitas precisavam ir à rua e ir à casa de vizinhos para perguntar o horário ou até mesmo ficar em frente à TV esperando que a emissora o fornecesse aos telespectadores.
Por outro lado, hoje se evidencia um momento de fragmentação nas relações: as pessoas estão mais “submersas” em icebergs profundos, onde se retraem em suas bolhas e preferem passar o tempo no celular, reféns dos algoritmos, a estabelecer novos contatos presencialmente.
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O passado como visitante
Portanto, não tem nada de ruim que seu familiar fale sobre a vida passada, é até muito bom ouvir terceiros relatando experiências na juventude. Porém, é imprescindível que tenha uma troca recíproca de informações, onde fique muito clara as coisas boas e ruins do passado e presente, porque tenho certeza de que cada um tem uma bela história para contar.
Afinal, o passado é um tempo passageiro, rotineiro, veloz – um visitante que tem que ir embora em algum momento, não um residente que habita a nossa mente de forma permanente e nos priva de aproveitar o presente e viver o agora com quem amamos. O que não vai acabar nunca são as boas lembranças.
Willian Coutinho
Produtor de conteúdo do Formação e estudante de Jornalismo





