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Meu filho quer namorar. Qual a idade certa?

O amadurecimento das faculdades da alma e a aptidão para o namoro

A finalidade do namoro é a preparação para o matrimônio. Isso, por si só, já nos deixa claro que, em tenra idade, ninguém pode assumir um compromisso de namoro sob pena de não conseguir esperar o casamento na continência necessária.

Outro ponto importante é saber que, para cada fase da vida, existem faculdades maduras e outras imaturas, o que impede, em fases inadequadas, a existência de um relacionamento afetivo do nível do namoro.

Foto Ilustrativa: stockphotodirectors

Na divisão clássica aristotélico-tomista, o desenvolvimento humano compreende as seguintes fases: infância, adolescência, juventude, vida adulta e velhice. Essa divisão baseia-se no amadurecimento das faculdades da alma, as quais são: a vegetativa, responsável pela vida biológica (nutrir, crescer e reproduzir); a sensitiva, responsável pela vida de relação (sentir, desejar e mover); e a intelectiva, responsável por conhecer a verdade e escolher o bem. Isso nos permite estruturar a seguinte tabela:

Fase

Idade aproximada

Faculdade em destaque

Estado de desenvolvimento

Infância

0 a 12/14 anos

Vegetativa, sensitiva e intelectiva (início)

 Desenvolvimento biológico e sensorial; a razão ainda não opera sobre os atos.

Idade da Discrição: Despertar do uso da razão; início do domínio da vontade sobre os impulsos.

Adolescência

14 a 21 anos

Sensitiva (Apetite)

Auge das paixões e do vigor físico; a alma intelectiva luta para ordenar os afetos.

Juventude

21 a 45 anos

Intelectiva (Vontade)

Pleno vigor operativo; a vontade se inclina para grandes empresas, trabalho e família.

Vida Adulta

45 a 65 anos

Intelectiva (Prudência)

Maturidade: A inteligência atinge a estabilidade prática; auge da virtude da Prudência.

Velhice

Acima de 65 anos

Intelectiva (Sabedoria)

Contemplação: Declínio das faculdades inferiores e auge da inteligência voltada à Sabedoria.

Entre a argumentação e a imaturidade emocional

Para essa análise, descartamos as seguintes fases: juventude, vida adulta e velhice, uma vez que, nessas etapas, os indivíduos são capazes e detêm maioridade jurídica para decidir sobre as próprias vidas. Excetuam-se, por óbvio, aqueles que ainda usufruem dos bens dos pais e residem na casa destes, visto que, embora capazes, devem obediência a quem lhes provê o sustento.

Restou, para a nossa análise, a faixa que vai dos 12 aos 17 anos. Porém, recorramos ao bom senso para constatar que uma criança de 12 anos (caso fosse madura) teria de esperar cerca de seis anos até atingir a maioridade e poder casar-se; afinal, a finalidade do namoro é a preparação para o matrimônio. Após essa análise, resta-nos a faixa entre os 15 e os 17 anos.

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Analisemos essa faixa etária à luz da tão decantada neurociência: aos 12 anos, a criança apresenta uma altíssima reatividade emocional e dificuldade de inibir respostas automáticas. Já aos 13 anos, nota-se extrema suscetibilidade à pressão dos pares, visto que o cérebro valoriza muito mais a recompensa imediata (status social, curtidas, risadas) do que o risco envolvido.

Aos 14 anos, vivencia-se uma fase excelente para debates filosóficos e redações argumentativas. Nessa idade, os jovens conseguem discutir brilhantemente temas complexos da sociedade. Contudo, no cotidiano, podem brigar aos gritos com os pais por causa de uma tarefa doméstica. A capacidade de argumentação aumenta, o que os torna questionadores das regras e da autoridade. Essa imaturidade emocional constitui um empecilho para o início de um namoro.

Tendo analisado todos esses pontos, chegamos à conclusão de que o namoro pode ser liberado a partir dos 15 anos, correto? Não, erradíssimo! Não é responsabilidade deste artigo definir a idade correta, mas sim fornecer embasamento antropológico e moral para auxiliar os pais a tomarem essa decisão.

O papel dos pais entre a autoridade e a conexão real com o coração do filho

Além do mais, por que esse jovem de 12, 13, 14 ou 15 anos está buscando desesperadamente a autorização dos pais para namorar? Isso, por si só, não seria motivo para uma profunda análise e para a escuta do jovem, a fim de entender por que ele busca esse tipo de relacionamento?

Não é também um ponto de atenção o fato de você, pai ou mãe, estar buscando na internet a resposta que deveria encontrar nos anos de relacionamento com seu filho? Em que parte desse caminho você se afastou do seu filho e não sabe mais dizer as verdadeiras razões pelas quais ele quer namorar?

Os dados informados acima representam apenas uma visão genérica do problema. Contudo, seu filho não é apenas um jovem que está envelhecendo; não é apenas um amontoado de células que devem ou não estar maduras para gerar filhos. Seu filho é um filho de Deus, que possui dignidade e que deve ter bom senso para pensar em namorar ou não, devendo, posteriormente, ser obediente para ouvir e acolher a decisão dos pais.

Se seu filho ainda não fez a fatídica pergunta: “Pai, eu já posso namorar?“, é hora de buscar passar mais tempo com ele, de ouvi-lo mais, de não ter medo de dizer “não” e de não ter medo de desagradá-lo. É, também, tempo de procurar criar laços fortes, pois de nada adianta você dizer se ele pode ou não namorar se o seu filho simplesmente ignorar o que você disser.

Meu irmão, gaste tempo com seu filho, peça a Deus a graça de conhecer o coração dele e busque informações, como você está fazendo, pois, independentemente da idade, é você, como pessoa madura e que busca a santidade, quem saberá o momento exato de permitir ou não o namoro de seu filho.

Espero poder ter ajudado.

De seu irmão em Cristo,

Almir Rivas
Natural de Manaus/AM. Esposo da Adrya Rivas, pai, avô e membro da Comunidade Canção Nova desde 2024 no modo de pertença do Segundo Elo. Atua profissionalmente como terapeuta auxiliando pessoas a melhorarem seus relacionamentos familiares.

Instagram: @almir.rivas.terapeuta