Para os católicos, a leitura espiritual é uma forma de comunicação com Deus
O cristianismo é a religião do encontro com Deus, que entrou na história revelando-se aos homens para salvá-los. Pela fé, essa experiência — que, por muito tempo, foi passada de uma geração a outra pela linguagem oral — necessitou ser escrita, a fim de ser preservada; não apenas com objetivos literários ou culturais, mas, sobretudo, para que as novas gerações conhecessem a história da salvação e buscassem encontrar esse Deus que, por amor, fez-se conhecer.

Crédito: Liudmila Chernetska / Getty Images.
A Bíblia e sua importância na transmissão da fé
Sabemos que a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição, autenticadas pelo Magistério, nos levam ao conhecimento da Revelação de Deus. Sem desprezar toda a importância da Tradição, é possível reconhecer que a Bíblia se tornou um meio imprescindível de transmitir a fé, conservá-la e formar um povo na vivência dessa mesma fé.
Cristo não escreveu um livro. Ele falou e viveu no meio dos homens. Essa experiência, primeiramente vivida, foi registrada pelos apóstolos e discípulos, a fim de que conservássemos sua palavra e vivêssemos segundo a vontade do Pai. Por meio da Escritura, fazemos memória de Jesus, de sua doutrina e do testemunho que Ele nos deu e aprendemos como devem viver os filhos de Deus, como nos garante o Salmo: “Vossa palavra é um facho que ilumina meus passos, uma luz em meu caminho” (Sl 118,105). Por isso é que, ao longo da história, os discípulos de Cristo escreveram sobre Suas as ações de Cristo e sobre o que experimentaram na relação com Ele.
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O lugar privilegiado do livro na espiritualidade católica
Além da Bíblia, que tem o seu papel singular para o cristianismo e o judaísmo, os católicos têm ainda — como fonte de formação e entendimento da doutrina — um vasto conteúdo escrito por grandes santos, que também registraram o que viveram com Deus e o que Ele lhes quis revelar.
Os primeiros Padres da Igreja compuseram textos para explicar a Bíblia, responder a heresias, orientar comunidades ou defender a fé. Por meio desses escritos, muitos dogmas foram amadurecidos.
Consideremos o valor das obras de Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, que ajudaram a formar o pensamento teológico que temos hoje e que propuseram pensamentos filosóficos ainda estudados na atualidade. A busca pela verdade e o entendimento da fé fizeram com que esses homens construíssem um caminho consolidado e deixassem verdadeiros legados para a humanidade.
Outros exemplos são os místicos Santa Teresa d’Ávila, São João da Cruz e outros, que deram clareza sobre a escalada espiritual que precisamos trilhar rumo à santidade, desvendando os mistérios da alma e sua busca por Deus. Suas obras são tratados espirituais que, até hoje, falam à nossa geração.
Muitos santos, como Santa Teresinha do Menino Jesus, escreveram por obediência aos seus superiores e nos deram ricos instrumentos para o conhecimento de Deus e a santificação. A jovem carmelita nos ensinou a estabelecer uma relação filial com o Pai, apontando o caminho da vocação universal à santidade.
Portanto, a escrita, para os católicos, é um dom, um ministério intelectual a serviço da Igreja e dos homens.




