Medo de perder a fé

A postura do jovem católico na universidade

É possível assumir a postura de católico dentro da universidade

Todo jovem pensa no seu futuro e na profissão que melhor o realizará. Hoje, o mercado de trabalho é bem concorrido e os que conseguem um futuro promissor são os mais capacitados. Por isso, o número de jovens nas universidades tem aumentado. Mas não são todas as universidades que possuem uma busca sincera pela verdade; o católico, nesse contexto, sente comprometida sua postura. O que fazer?

A postura do jovem católico na universidade
Foto: AVTG/iStock. by Getty Images

A Igreja aprecia a contribuição da ciência para a humanidade. Papa Francisco diz que “a Igreja não pretende deter o progresso admirável das ciências. Pelo contrário, alegra-se e inclusivamente desfruta reconhecendo o enorme potencial que Deus deu à mente humana. Portanto, é preciso ser humilde e ouvir o que as diversas ciências têm para ensinar nas universidades. Certa vez, ouvi que sábio não é aquele que sabe tudo, mas aquele que se coloca sempre como aprendiz”.

Santo Tomás de Aquino afirmava: “A luz da razão e a luz da fé provêm ambas de Deus”. É preciso não criar preconceitos, pois, uma vez que este se estabelece, torna-se mais difícil o diálogo. Não é o desprezo, mas o diálogo que abre novos horizontes enriquecedores para a sociedade.

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Existe o medo de os jovens católicos nas universidades perderem a fé, porém, alimentá-la pela oração é um meio de mantê-la viva. Os estudos devem proporcionar que o jovem busque mais as razões da sua fé. Ainda que seja difícil, a ciência questionar sua fé é saudável, desde que ela não tenha a pretensão de ser absoluta. Nesse caso, “não é a razão que se propõe, mas uma determinada ideologia que fecha o caminho a um diálogo autêntico, pacífico e frutuoso”, afirma o Papa Francisco.

Postura autêntica do católico

É difícil assumir a postura de católico dentro das universidades. Muitos têm medo da perseguição e assumem uma postura relativista. Mas a postura do cristão deve ser autêntica, pois, mesmo sem perceber, a evangelização acontece, porque há um compromisso com a verdade. Não existe verdadeiro cristão ausente da perseguição.

Vale a pena recordar o interessante diálogo autêntico entre o filósofo Jürgen Habermas e o Papa emérito Bento XVI, quando ainda era cardeal. Dentre os vários pontos abordados, Ratzinger afirma que o encontro com Cristo é redenção por ser performativa e não informativa, isto é, conhecer Cristo leva à transformação, pois se tem esperança. A partir da compreensão performativa da fé, expressa-se na própria fé uma razão, que se manifesta no testemunho do cristão e que pode ser apreendida pelo ateu. Além do mais, afirma Ratzinger, a razão e a fé são chamadas a se purificarem e curarem mutuamente de suas patologias, é necessário que reconheçam o fato de que uma precisa da outra.

A Igreja pede, na Exortação Apostólica Chistifideles Laici, a presença do católico na universidade, pois tal “presença tem como finalidade não só o reconhecimento e a eventual purificação dos elementos da cultura existente, criticamente avaliados, mas também a sua elevação, graças ao contributo das originais riquezas do Evangelho e da fé cristã”.

Enfim, o jovem católico deve ser capaz de assumir e viver sua fé mesmo em ambientes diversos, como na universidade. Para isso, pode ser grande suporte os Grupos de Oração Universitário (GOU). Hoje, é mais inteligente o diálogo através do testemunho acompanhado de uma honesta abertura ao outro. A fé e a ciência dialogam por intermédio da razão, referência comum para as duas. Vale a célebre frase de São Paulo para o jovem católico universitário: “Examinai tudo e guardai o que for bom” (1 Tes 5, 21).

 


Ricardo Cordeiro

Candidato às Ordens Sacras na Comunidade Canção Nova. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP).  Bacharelando em Teologia pela Faculdade Dehoniana, Taubaté (SP) e pós-graduando em Bioética pela Faculdade Canção Nova. Atua no Departamento de Internet da Canção Nova, no Santuário Pai das Misericórdias e Confessionários.

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