XVII Congresso Eucarístico Nacional

Belém, capital eucarística do Brasil

Belém realiza XVII Congresso Eucarístico Nacional

Todos os olhos se voltam para Belém, nossa Santa Maria de Belém do Grão Pará, cidade   jovem de quatrocentos anos, todos eles marcados pela presença do Evangelho de Jesus Cristo, que aqui aportou em muitas naus vindas do velho continente. Malgrado as eventuais limitações humanas e de formação que pudessem ter os que aqui chegaram, traziam o  tesouro maior, a fé cristã. Belém nasceu no Forte do Presépio, foi batizada e firmou suas bases sob a sombra da proteção de Nossa Senhora da Graça, titular da Paróquia da Catedral, formada e educada com a água dos igarapés que traçavam caminhos a fim de que o Caboclo Plácido encontrasse a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, e encontra justamente em Santa Maria de Belém, sua Mãe e Padroeira. Por maiores que sejam as forças contrárias ou paralelas, não se pode entender Belém e o Pará sem a fé cristã e suas raízes católicas e marianas.

“A missão da Igreja tem a sua raiz e alcança o seu cume na celebração a Palavra de Deus que diz: ‘e o reconheceram ao partir o pão’. O Mistério da Igreja realiza! Tudo é graça, riqueza e dom. E conosco caminha Maria, a Estrela da Evangelização” (Hino do XVII Congresso Eucarístico Nacional). De fato, a Igreja encontra seu cume e a fonte de toda a sua vida na Eucaristia! O ato dominical de sair de casa para ir à Missa, nestes quatrocentos anos de evangelização e história, é o ícone daquilo que somos e desejamos viver!

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Viva a Eucaristia

Para viver a Eucaristia, é necessário estar preparado. Na Didaqué – “Doutrina dos doze apóstolos” (9,5), texto catequético dos primeiros tempos da Igreja, encontramos    recomendações profundas: “Ninguém coma nem beba da vossa Eucaristia se não tiver sido batizado em nome do Senhor. Reuni-vos no dia do Senhor para a fração do Pão e dai graças depois de terdes confessado vossos pecados, para que o vosso sacrifício seja puro. Todo aquele que vive em discórdia com alguém não se reúna convosco antes de se haver   reconciliado, a fim de que o vosso sacrifício não seja profanado”. São Justino, no segundo século da vida da Igreja, assim de expressava: “Esse alimento é por nós chamado de Eucaristia. A ninguém é permitido participar dele, a não ser aquele que crê na veracidade de nossas doutrinas, recebeu o batismo para a remissão dos pecados e para a regeneração, e vive segundo os ensinamentos de Cristo” (Apologia 1,66). Já bem perto de nós, o Beato Paulo VI ensinou: “No Reino Eucarístico, compreende quem crê e quem ama. O amor torna-se coeficiente de inteligência, porque é finalmente posse.

Na conquista das coisas divinas, vale mais o amor do que qualquer outra faculdade espiritual nossa” (Ensinamentos de Paulo VI,1967). Toda a aventura espiritual dos cristãos, seus esforços para viverem na caridade e na verdade do Evangelho, tudo conduz à celebração da Eucaristia, coração dos corações! Durante quatro séculos, temos procurado caminhos para praticar os ensinamentos de nossa fé, e assim nos aproximarmos com dignidade do Altar da Eucaristia.

Manifestamos nosso apreço por gerações de sacerdotes, religiosos, religiosas e catequistas que nos conduziram pelas mãos, a fim de chegarmos ao Altar. A Primeira Eucaristia,   celebrada no Congresso Eucarístico Nacional, renove em todos o primeiro amor ao Senhor e uma nova disposição para viver este grande Mistério.

Participe da Eucaristia

Novo passo: da Eucaristia se participa e não se assiste passivamente. De fato, “a Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos não entrem neste mistério de fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem na ação sagrada, consciente, ativa e piedosamente, por meio duma boa compreensão dos ritos e orações; sejam instruídos pela Palavra de Deus; alimentem-se à mesa do Corpo do Senhor; deem graças a Deus; aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, que não só pelas mãos dele, a hóstia imaculada; que, dia após dia, por Cristo mediador, progridam na unidade com Deus e entre si, para que, finalmente, Deus seja tudo em todos” (Sacrosanctum Concilium 48).

Demos  graças a Deus pela formação litúrgica ocorrida na Igreja. Louvado seja o Senhor pelos  inúmeros ministérios ligados à Celebração Eucarística. Seja ressaltado o repertório de cantos litúrgicos, a multiplicidade de ministérios, músicas e corais existentes na Igreja para cantar o mistério de nossa salvação com harmonia e dignidade. Bendito seja Deus pelo ministério dos sacerdotes, chamados a agir “na pessoa de Cristo”, presidindo as Celebrações Eucarísticas e misturando-se com as espécies consagradas, para se ofertarem a Deus e ao povo que lhe pertence!

Celebrada a Missa, nasce a nossa missão. A fé e a vida se encontram intimamente unidas. Das portas de nossas igrejas, transbordem aos borbotões homens e mulheres imbuídos dos valores do Evangelho, para darem testemunho de Jesus Cristo. Sinto-me no dever de ressaltar a santidade vivida por tantas pessoas nas gerações de nossa Igreja, tantas vezes escondidas e silenciosas, mas feitas fermento pelo Pão do Céu que as tem alimentado, para que a massa do mundo se transforme! E muitas de tais pessoas deram testemunho heroico, com gosto de sangue e de martírio! Venha à luz todo o esforço apostólico e pastoral dos Bispos e Arcebispos, que me precederam à frente desta Igreja de Belém e aos quais manifesto meu preito de reconhecimento e gratidão. Deus sabe o quanto sofreram, derramando  sangue, suor e lágrimas para cuidar da esposa de Cristo, que é a Igreja, cuja presença aconteceu aqui em torno de seus legítimo ministério de sucessores dos apóstolos.

A Igreja de Belém rumo ao Congressos Eucarístico

Belém teve suas portas abertas pelo Evangelho e pela Igreja. Belém nasceu do presépio, entrou na Igreja, saiu pelas campinas dos primeiros tempos e edificou um monumento à fé cristã, feito de tijolos e pedras que são os quatrocentos anos pelos quais agradece   penhoradamente. A Arquidiocese de Belém só pode oferecer a essa cidade o que tem de melhor, seu testemunho de fé, sabedora de que esse é o mais significativo legado das festas celebradas nesta cidade.

E a Eucaristia celebrada nos conduz à adoração! Por isso, no Congresso Eucarístico, depois de todas as celebrações e demais atividades, conduzimos Jesus Eucarístico em cortejo   triunfal, pelas nossas ruas, para que do Forte do Presépio, ele mesmo nos abençoe, para prolongarmos nossas jornadas de fé e vida cristã consciente! Ele é conduzido sobre uma vitória régia de nossa Amazônia, sustentado por anjos e homens, circundado por ramos e açaí e castanha, no ostensório que testemunhará para as gerações futuras a aventura que vivemos, oferecendo a nosso país o convite que brota daquela que foi feita, nos dias que correm, Capital Eucarística do Brasil.

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Dom Alberto Taveira Corrêa

Dom Alberto Taveira foi Reitor do Seminário Provincial Coração Eucarístico de Jesus em Belo Horizonte. Na Arquidiocese de Belo Horizonte foi ainda vigário Episcopal para a Pastoral e Professor de Liturgia na PUC-MG. Em Brasília, assumiu a coordenação do Vicariato Sul da Arquidiocese, além das diversas atividades de Bispo Auxiliar, entre outras. No dia 30 de dezembro de 2009, foi nomeado Arcebispo da Arquidiocese de Belém – PA.

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