Feminilidade

Coração de Mulher: Como lidar com a idade

Lidar com a idade pode ser motivo de angústia e desespero para a mulher

Então, que tal um encontro sincero hoje com o espelho? Mas não só o espelho físico, que mostra os sinais do tempo, mas também com um espelho emocional, espiritual, afetivo e profissional? Que tal um balanço geral no qual possamos relacionar nossas conquistas, vitórias e seus aprendizados? E que tal olhar para pessoas – a quem admiramos e têm mais anos de vida do que nós que já alcançaram fases que ainda esperamos viver – e observar a beleza por elas conquistada?

Dependendo da perspectiva em que nós mulheres nos colocamos, lidar com os anos que passam pode ser motivo de angústia e desespero, uma tentativa insana de lutar contra o tempo, enquanto que para outras pode ser o tempo de consolidar uma história com sabedoria e serenidade.

Coração de Mulher Como lidar com a idade

Foto: STEFANOLUNARDI by Getty Images

Como é bonito observar uma mulher independente e segura em sua fase madura, com os filhos já crescidos, a vida profissional estabilizada, buscando fazer suas contribuições únicas a um mundo que já lhe deu tanto até aquele momento! Quanto de emoção pode despertar uma mulher de 70 ou 80 anos, com seus cabelos brancos, suas mãos trêmulas, e um sorriso no rosto ao olhar para aquela foto amarela na parede, ao receber um abraço do seu neto e entusiasmada ao apagar mais uma vela do seu bolo de aniversário.

Parece que o caminho para usufruirmos das vantagens de um envelhecimento tranquilo é desenvolvermos a capacidade  de vivenciá-lo com alegria. Começa com um olhar diferente e amoroso para nós mesmas e para nossa história, para o nosso corpo e para as marcas que nele existem. Contemplar nosso passado em toda sua integridade, em toda sua plenitude, com as vitórias e conquistas, com as dores e fracassos, e tudo aquilo que nos fez ser quem somos. Sem culpa ou remorsos, sabendo que, apesar de nossas fraquezas, fomos o melhor que podíamos ser dentro dos nossos limites e possibilidades.

Olhar-se com amor, com carinho e com cuidado nos leva  a sentir o delicioso sabor de verdadeiramente envelhecer com alegria! Quando conseguimos olhar para os mais jovens e já não desejamos ser como eles, pois existe algo dentro de nós que é muito sólido, que é belo, que é único e que nós só adquirimos com as experiências vividas ao longo dos anos e hoje não trocamos isso por uma pele mais lisa ou por um corpo mais definido.

Com o passar dos anos vivemos muitas desilusões, perdemos pessoas amadas, tivemos nosso coração ferido muitas vezes e muitas expectativas que alimentamos ao longo da vida foram frustradas. Mas foram justamente estas vivências que nos tornaram mais humanas, mais tolerantes, mais capazes de amar e aceitar os outros como são, sem querer mudá-los e adequá-los aos nossos desejos.

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À medida que os anos se passam e a idade avança incorporamos os desafios e os aprendizados das fases anteriores, nos tornando pessoas melhores e mais preparadas para cumprir os objetivos da fase seguinte. Independentemente de nossa idade, que tenhamos sempre novos projetos de vida. E que não tenhamos medo de sonhar nem deixar de pedir a Deus a graça de nos ajudar a tornar esses projetos uma realidade trabalhando em nossas almas e nos dando forças e entusiasmo para realizá-los.

Saber envelhecer é, antes de tudo, uma atitude. E atitudes são comportamentos ditados pela nossa vontade numa disposição interior que nos leva a agir em direção aos nossos objetivos. A tristeza, o sentimento de solidão e abandono e a depressão são obstáculos para uma velhice saudável.  Não há vacina, nem pílula, nem creme, nem cirurgia plástica que previnam essa causa; ela é tóxica e responsável pela ruína não só da nossa pele, mas da nossa alma. Inimiga de qualquer mulher, a tristeza por envelhecer é como uma erva daninha. E como não a podemos impedir nem a evitar, a pergunta é: como posso viver este tempo da melhor forma possível? E a resposta é: com gratidão e com muita alegria no coração.

Gratidão por termos vivido cada dia desta nossa vida, gratas por ver nossos cabelos ficando grisalhos e por termos as marcas de nossa juventude gravadas em cada ruga do nosso rosto. Gratas por termos amado e desejando aperfeiçoar este amor até nosso último dia neste mundo.

Celebrar cada aniversário com alegria, vivendo o apogeu da maturidade em toda a sua plenitude, tomando posse da mulher que nos tornamos. Sabendo que, dentro de nós, sempre existirá aquela menina cheia de vida, de ideias, sonhos e projetos a realizar e que teremos toda a eternidade para sermos aquilo que amamos.

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Judith Dipp

Formada em Psicologia, Judith foi cofundadora da Comunidade de Aliança Mãe da Ternura e voluntária num Centro de Atendimento e Aconselhamento para Mulheres ( Montgomery County Counselling and Carreer Center), em Washington, nos Estados Unidos.

Atualmente, é psicóloga da Escola Internacional Everest, do Lar Antônia e da Congregação dos Seminaristas Redentoristas, todos com sede em Curitiba (PR), cidade onde reside.

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