Dádiva Divina

A linguagem do sorriso

O sorriso é a linguagem natural do coração humano, e para ela não existem barreiras

Alguma vez na vida, você já viveu a experiência de tentar se comunicar com alguém que não fala nem compreende a sua língua? Eu já! E fiz uma grande descoberta: o sorriso tem uma linguagem universal.

Certa vez, estando em Fátima, fui à Capelinha das Aparições na companhia de uma irmã para participarmos da oração do Terço e acompanharmos a procissão das velas que, por sinal, é uma das atividades que mais emociona os milhares de peregrinos de Nossa Senhora. O fato é que me separei, por um instante, dessa pessoa e não consegui reencontrá-la antes da procissão. Tive, portanto, que seguir sozinha, embora cercada por uma imensa multidão. A certa altura da caminhada, aproximou-se de mim uma senhora que tentou falar comigo, fiz sinal de que não compreendia sua língua. Ela, com gestos, pediu-me ajuda para vestir seu agasalho. Quando a ajudei, ela agradeceu e sorriu com delicadeza e ternura, o que me levou a fazer o mesmo. Assim, já não éramos mais sozinhas, o sorriso nos uniu. Seguimos entoando o mesmo canto, embora em línguas distintas, entre Pais-Nossos e Ave-Marias, com os olhos voltados para a imagem daquela que também é chamada Virgem do sorriso.

Foto: Daniel Mafra / cancaonova.com

A experiência levou-me a pensar no valor do sorriso e me fez recordar a afirmação de Saint-Exupéry: “No momento em que sorrimos para alguém, descobrimo-lo como pessoa e a resposta do seu sorriso quer dizer que nós também somos pessoas para ele”. Vivi bem essa experiência naquela noite, mas também me recordo das muitas vezes em que negligenciei um sorriso e deixei passar a oportunidade de falar essa linguagem tão pura e universal.

Sorriso, dom e convite

O sorriso é um dom silencioso como a chuva mansa, que cai e fertiliza a terra árida, ou como a brisa suave de um fim de tarde, acariciando o rosto de quem sonha. É também um convite para que entremos na intimidade do outro, pois quem nos conhece e nos vê sorrindo saberá, em instantes, como anda nosso coração. Como seres dotados de inteligência e vontade, podemos sorrir quando tudo vai bem ou mesmo quando acontece o contrário.

Numa ocasião, ouvi um colega dizer entusiasmado: “É feliz quem vive ao lado de quem sabe sorrir!”. Ele tem toda a razão, é muito importante saber sorrir. Um sorriso pode dissipar a angústia se for simpático, ou aumentá-la se for sarcástico; assim como pode estimular se for de aprovação ou desanimar se for cínico, pode ainda criar laços de amizade e amor se for sincero ou afastar se for hipócrita.

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Sorrir, no entanto, nem sempre é fácil, pois, muitas vezes, a dor e o cansaço tornam esta tarefa custosa. Nessas horas, acredito que o melhor remédio é contarmos com a graça de Deus para sairmos de nós mesmos e nos interessarmos pelos outros, fazendo-os felizes com nosso gesto. Creio que tentar ser alegre, mesmo que o coração esteja em pedaços, não é um ato hipócrita, mas sim heroico. Dizem que as pessoas que se esforçam por sorrir sem motivos acabam por ter motivos de sobra para sorrir, e eu concordo com isso. É que, ao sorrir, passamos felicidade aos demais, e isso nos causa felicidade também. A própria natureza nos ensina que colhemos o que plantamos.

O sorriso como linguagem do coração humano

Faço minhas as palavras do escritor Alfonso Alguiló: “O bom humor é uma vitória sobre o próprio medo e a própria debilidade humana. A pessoa mal-humorada esconde sua insegurança ou sua angústia atrás de um semblante brusco e distante, e com o tempo, isso acaba tornando-se um hábito e se converte em um traço de seu caráter. Mas isso só ocorre, porque ela alterou o que é da própria natureza humana, ou seja, a alegria. Neste caso, a pessoa mal-humorada deverá sair desse círculo vicioso, e isso não será antinatural, muito pelo contrário: é o que pede a natureza. Tudo o que se faz sorrindo sempre nos ajuda a sermos mais humanos, a moderar nossas tendências, a sermos mais capazes de compreender os demais e, principalmente, nós mesmos”.

Podemos concluir que o sorriso é a linguagem natural do coração humano, e para ela não existem barreiras.

Que o Senhor restaure em nós a dádiva divina, que é o sorriso, e nos conceda sabedoria para doá-la a todos que encontrarmos nas idas e voltas da vida. Estamos juntos!


Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Djanira reside na missão de São Paulo, onde atua nos meios de comunicação. Diariamente, apresenta programas na Rádio América CN. Às sextas-feiras, está à frente do programa “Florescer”, que apresenta às 18h30 na TV Canção Nova. É colunista desde 2000 do portal cancaonova.com. Também é autora do livro “Por onde andam seus sonhos? Descubra e volte a sonhar” pela Editora Canção Nova.

 

 

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