Incoerência

As consequências da preguiça no ambiente de trabalho

O  trabalho é uma continuação da atividade criadora que Deus incumbiu ao ser humano

“Amanhã é o dia em que os preguiçosos trabalham, os perversos reformam suas vidas e os pecadores se arrependem.” (Edward Young)

Um mau trabalhador é um mau cristão; um mau trabalhador é também um marido e pai que deixa a desejar. Por causa da preguiça a necessidade pode bater à porta dos casais.

As consequências da preguiça no ambiente de trabalho
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Após o pecado ter entrado na nossa história, Deus impôs ao homem “a lei severa e redentora do trabalho”, como disse o Papa Paulo VI.

“Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado” (Gn 3,19).

Isso faz parte da vida do casal e da família. Se o casal não levar a sério o trabalho, dentro e fora de casa, a vida conjugal não irá bem. Além de faltar o necessário para a família, ainda o mau hábito poderá se instalar em casa, pois, como sabemos, “mente vazia é oficina do diabo”.

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O mal da preguiça

Muitas discussões acontecem no lar, porque algo que deveria ser feito é deixado para depois, por preguiça, e acaba não sendo feito. Alguém disse que “as tarefas adiadas com alegria são depois feitas com lágrimas”.

Todo trabalho é uma continuação da atividade criadora que Deus incumbiu o casal humano a cumprir. A glória do homem consiste em concluir o que o Senhor propositadamente apenas começou. Ele entregou este mundo nas mãos do primeiro casal, para que eles o construíssem com o trabalho.

Deus derrama Sua graça sobre aquele que trabalha com diligência, e o trabalho é a sentinela da virtude. Já o preguiçoso trabalha dobrado. Se com humildade oferecemos ao Altíssimo o nosso trabalho, este adquire um valor eterno. Assim, o temporal se transforma em eterno.

Viver sem trabalhar

A preguiça joga por terra toda essa riqueza. Querer viver sem trabalhar é como desejar a própria maldição nesta vida. São Paulo disse aos tessalonicenses: “Procurai viver com serenidade, trabalhando com vossas mãos, como vô-lo temos recomendado. É assim que vivereis honrosamente em presença dos de fora e não sereis pesados a ninguém” (1 Ts 4,11-12).

O Talmud dos judeus diz: “Não ensinar o filho a trabalhar é como ensiná-lo a roubar”. Trabalhando, como homem, Jesus tornou sagrado o trabalho humano e fez dele fonte de santificação.

Por isso, o lema de vida de São Bento de Nurcia, nos mosteiros, era: “Ora et Labora!” (Reza e Trabalha!). Um operário displicente é um mau cristão. Da mesma forma, um professor cristão e relapso é um contratestemunho cristão.

profissão

O pecado da omissão é fruto da preguiça

É por preguiça que os pais, muitas vezes, não educam bem os filhos. É por preguiça de algumas mulheres que o trabalho doméstico é, às vezes, malfeito, prejudicando seus filhos, seu esposo e a alegria do lar. É por preguiça de muitos maridos que a casa fica com as lâmpadas queimadas, o chuveiro estragado, a torneira vazando e a esposa reclamando. É por preguiça que o trabalhador faz o seu serviço de maneira desleixada, prejudicando os outros que dependem dele.

Há um provérbio chinês que afirma: “Não é a erva daninha que mata a planta, mas a preguiça do agricultor”.

Como é triste ver a mulher se queixar do marido, que não arruma o que está estragado em casa! Como é triste ver o marido reclamar da esposa, que não cuida direito do lar, das crianças, da roupa.

O trabalho é uma grande terapia que Deus nos deu depois de o pecado entrar no mundo. O Senhor determinou que o homem ganhasse o pão de cada dia “com o suor do seu rosto”; não como castigo, mas como correção.

Qualquer que seja o trabalho, sendo honesto, ele é belo aos olhos de Deus, porque com ele você está cooperando com o Senhor na obra da criação.

Livro Comece Bem o Seu Dia - Reedição


Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

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