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Devo esconder o dinheiro do meu cônjuge?

Muitos casais brigam por causa de dinheiro. Segundo pesquisa recente da SPC Brasil, CNDL e Banco Central, um das primeiras causas de brigas entre casais são gastos, finanças, contas, dívidas, empréstimos e assuntos da economia do casal. Nos Estados Unidos, o fenômeno se repete, sendo o dinheiro o primeiro motivo de discussão entre os casais. Alguns casais optam, para evitar brigas, esconder o dinheiro, os rendimentos, salários e poupança do cônjuge. É uma boa alternativa? Vale a pena correr esse risco de trair a confiança de quem amamos?

“Conhecereis a Verdade e a verdade vos tornará livres”, disse Jesus (Jo 8,32). Busque trabalhar sempre com a verdade no seu casamento. Seja qual for o contexto, por mais complexo que seja, nunca jogue a sujeira debaixo do tapete, pois, um dia, “a casa cai”. Tudo vem à luz. Obviamente, existem casos muitos raros em que um dos cônjuges não fala, momentaneamente, de alguma situação difícil para esperar o melhor momento. Por exemplo, em casos de gravidez, alguns maridos optam por esperar a melhor hora, o melhor dia ou até após o nascimento do bebê para dar notícias difíceis, complexas. Observe que isso não é a regra, mas uma exceção por um motivo justo.

Devo esconder o dinheiro do meu cônjuge?

Foto ilustrativa: AndreyPopov by Getty Images

Esconder o dinheiro é a melhor forma de evitar brigas no casamento?

Existe alguma sujeira debaixo do tapete do seu casamento? Que tal jogar limpo a partir de hoje?

Já acompanhei casais em que um dos cônjuges não avisava o outro das despesas extras. De repente, chegavam contas em casa inesperadamente. Isso gerava mais brigas e desentendimentos. Outro casal que conheci, para ilustrar o oposto, depois de 35 anos de casados, optou sempre pela conta conjunta, e um sabia on-line, em tempo real, o que outro estava gastando. Transparência 100%! Se me perguntarem qual o modelo ideal, digo que depende de cada casal. Não existe uma fórmula de sucesso. Se, no entanto, perguntarem-me qual a melhor modalidade para evitar a infidelidade financeira, diria que transparência 100%, em que cada um acompanha os gastos e até faz perguntas para entender e ajudar, compreender, mas nunca julgar. Esse é o melhor modelo.

Busque conversar, no melhor momento – quem sabe um sábado pela manhã, por exemplo, longe da correria da semana –, para falar sobre transparência com seu cônjuge. Que tal propor a construção em conjunto de uma planilha financeira do orçamento familiar? Planejar as próximas férias, a troca do carro ou reforma da casa? Se vocês são mais digitais, conectados, por que não instalar um aplicativo de celular com os gastos fixos e variáveis?

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A infidelidade financeira é uma porta aberta a outras infidelidades. Aquele que é fiel no pouco no muito também o será. Quem o é nas pequenas coisas será fiel também nas grandes (Lc 16,10). Portanto, feche as brechas do seu relacionamento a toda e qualquer fresta de pecado, de sedução do “jeitinho brasileiro”, da sujeirinha debaixo do tapete. Da melhor forma possível, partilhe tudo, fale tudo, conte tudo, escute tudo, ouça tudo, e veja que da verdade surgirão as bênçãos de Deus. Falarei mais disso no livro ‘O que Deus Uniu o Dinheiro Não Separe!’.

Deus abençoe.

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Bruno Cunha

Economista, Professor e Missionário da Comunidade Canção Nova, Bruno Cunha possui 20 anos de experiência na área de Finanças, Macroeconomia, Mercado Financeiro, Economia, Educação Financeira, Finanças pessoais e Administração Financeira e Orçamentária. Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Taubaté (UNITAU), possui MBA pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente, é professor e assistente de coordenação do curso de Administração na Faculdade Canção Nova (FCN).

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