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Como se dividem as festas e os tempos litúrgicos especiais?

Reflita sobre os tempos litúrgicos vivenciados pela Igreja

Com este artigo, chegamos ao fim de uma série de artigos em que tratamos da Santa Missa, seus vários atributos e significados. Eles nos ajudaram a entendê-la um pouco mais, para que assim possamos viver melhor tão grande mistério. Neste último artigo, vamos tratar das festas e dos tempos especiais durante o Ano Litúrgico.

Os tempos litúrgicos são divididos em Tempo do Advento, Tempo do Natal, Tempo da Quaresma e Tempo Pascal. Para que servem esses tempos e suas divisões? A Igreja divide o ano em tempos litúrgicos, a fim de deixá-los o mais claro possível, para que o povo entre na dinâmica salvífica do mistério pascal, que é celebrado em cada Santa Missa.

Como se dividem as festas e os tempos litúrgicos especiais

Foto ilustrativa: Bruno Marques/cancaonova.com

Se você não sabia, o ano litúrgico começa no Tempo do Advento, que é a preparação para o Natal do Senhor, um dos momentos mais importantes para nós católicos. O documento do Concílio Vaticano II Sacrosanctum Concilium, no número 102, expõe o seguinte sobre o Ano Litúrgico: “A santa mãe Igreja considera seu dever celebrar, em determinados dias do ano, a memória sagrada da obra de salvação do seu divino Esposo. Em cada semana, no dia a que chamou domingo, celebra a da Ressurreição do Senhor, como a celebra também uma vez no ano na Páscoa, a maior das solenidades, unida à memória da sua Paixão”.

Cada tempo também traz uma graça própria, sendo assim, o Advento é o tempo das alegrias moderadas e preparação para a chegada de Jesus no Natal. Sua espiritualidade é de esperança e purificação da vida. Por esse motivo, o Advento se torna tão importante e distinto dos demais, pois prepara o católico para viver bem o nascimento do Senhor. O Tempo do Natal é comemorado com muita alegria, porque é a natividade do Senhor, sua espiritualidade é de fé, alegria e acolhimento. O Tempo Comum é acompanhado de um espírito de esperança, de escuta da Palavra e vivência do Reino de Deus. A Quaresma é tempo forte de conversão, penitência, jejum, esmola e oração. A Páscoa não se refere apenas ao domingo da Ressurreição, mas vai até Pentecostes, é carregado de uma espiritualidade de alegria, porque Cristo Ressuscitou.

A Semana Santa

É durante a Semana Santa ou como também é conhecida de Semana Maior que a Igreja celebra a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Ela tem início no Domingo de Ramos e se estende até o Domingo de Páscoa. Durante essa semana, celebra-se a Missa do Crisma, onde o Bispo, reunido com os padres que formam o seu presbitério, abençoa os Santos Óleos. Na mesma quinta-feira, acontece a instituição da Eucaristia e a cerimônia do Lava-pés. Na sexta-feira, celebra-se a Paixão e Morte de Jesus, quando a Igreja se dedica ao silêncio, jejum e oração, vivendo com respeito a morte do Senhor. No Sábado Santo, acontece a Vigília Pascal, com a bênção do fogo novo e do Círio Pascal, a proclamação da Páscoa. Nessa celebração, é lida uma série de leituras, passando por toda a história da salvação; e acontece a renovação das promessas do batismo. Por fim, no Domingo de Páscoa, quando se comemora a Ressurreição de Jesus, esse é o ponto central da fé cristã.

O Corpus Christi

A Solenidade de Corpus Christi é a celebração que a Igreja festeja o Sacramento da Eucaristia. É o momento em que o Santíssimo Sacramento sai em procissão pelas ruas. Neste momento, todo o povo de Deus é convidado a adorar o Senhor na Santa Eucaristia e agradecer por tão grande dom. A festa é celebrada desde o século XIII, quando o próprio Jesus aparece em visões, pedindo uma festa litúrgica em honra à Sagrada Eucaristia.

É importante que todo fiel católico participe da procissão de Corpus Christi, pois ela é a mais significativa das procissões, porque é a única que o próprio Senhor sai às ruas. Criou-se o hábito de confeccionar tapetes ornamentados para homenagear o Senhor, assim como enfeites nas casas e oratórios.

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A festa do Santíssimo Nome de Jesus

A festa do Santíssimo Nome de Jesus é celebrada oito dias depois do Natal, em 2 de janeiro, pois foi oito dias depois do nascimento de Jesus que São José realizou a circuncisão no Menino, dando-Lhe o nome de Jesus. Nome escolhido pelo próprio Deus e anunciado por anjo Gabriel em sonho a São José.

Conforme o próprio significado do Nome de Jesus, ele exprime toda a sua missão. Em hebraico Yeshua quer dizer “Deus salva”, assim, entende-se, desde o momento que foi dado esse nome, que o Senhor seria, de alguma forma, aquele que salvaria o mundo. Dessa forma, o Apóstolo Paulo escreve em Fl 2,9-11: “Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo o nome, para que, em Nome de Jesus, todo o joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda a língua confesse: ‘Jesus Cristo é o Senhor’, para a glória de Deus Pai”.

A festa da Divina Misericórdia

O Domingo da Divina Misericórdia corresponde ao Segundo Domingo de Páscoa. Acordo aprovado por São João Paulo II com um decreto assinado em 2000 pela Congregação do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. Nessa data, é celebrada a instituição do Sacramento da Penitência, ou confissão, encontrado no trecho o Evangelho de Jo 20,22-23: “Então, soprou sobre eles e falou: ‘recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, lhes serão retidos’”.

Mediante a experiência mística de Santa Faustina Kowalska, a Igreja entende que foi desejo do próprio Jesus que acontecesse esta festa. Jesus diz o seguinte a Santa: “Na Minha festa, na Festa da Misericórdia, percorrerás o mundo inteiro e trarás as almas que desfalecem à fonte da Minha misericórdia. Eu as curarei e fortalecerei” (D. 206); “Pede ao Meu servo fiel que, nesse dia, fale ao mundo inteiro desta Minha grande misericórdia, que aquele que, nesse dia, se aproximar da Fonte da Vida, alcançará perdão total das culpas e penas” (D. 300a;). Dessa forma, todo cristão pode e deve celebrar essa festa com a confiança de alcançar as graças específicas que Deus deseja derramar sobre Seu povo.

Que todos os dias possamos tomar cada vez mais consciência da dinâmica litúrgica da nossa Igreja, para que possamos tirar os proveitos que o Senhor tem para nós.


Fábio Nunes

Francisco Fábio Nunes
Natural de Fortaleza (CE), é missionário da Comunidade Canção Nova e candidato às Ordens Sacras. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP), Fábio Nunes é também Bacharelando em Teologia pela Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP) . Atua no Departamento de Internet da Canção Nova, no Santuário do Pai das Misericórdias e nos Confessionários.

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