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O que podemos aprender com a mensagem de Lourdes?

Não podemos falar das aparições de Nossa Senhora em Lourdes deixando de lado o contexto da época e do lugar, e sem conhecer Bernadette (canonizada em 8 de dezembro de 1933).

Lourdes: antes de 1858, ano das aparições, Lourdes era um pequeno burgo1, localizado no sudoeste da França, próximo da Cordilheira dos Pirineus. Era um dos lugares mais perdidos do país, e o acesso era muito difícil. A cidade é cortada pelo rio Gave, e possui um rochedo com uma gruta na sua parte mais baixa. É neste lugar que Nossa Senhora apareceu 18 vezes a uma jovem de 14 anos que se chamava Bernadette Soubirous. Alguns testemunhos da época afirmam que as pessoas tinham medo de passar perto da gruta. Diziam ver luzes estranhas e ouvir barulhos aterrorizantes. Muitos faziam o sinal da cruz quando tinham que passar por ali para pedir a Deus que fossem preservados do mal.

Bernadette: falamos de três etapas na vida de Bernadette Soubirous – ante, durante e depois das aparições:

I. Antes: era uma menina pobre, frequentemente doente e sem instrução. Apesar desses fatores negativos, sua família era unida, e vivia o amor e a oração. Desde cedo, teve que trabalhar para sobreviver e não podia ir para a escola nem para o catecismo. Aos 14 anos de idade, ela se sentia excluída da sociedade.

O que podemos aprender com a mensagem de Lourdes?

Foto ilustrativa: Arquivo CN/cancaonova.com

II. Durante: em 11 de fevereiro de 1858, começam as aparições. De agora em diante, essa jovem iletrada viverá uma transformação radical na sua vida, tornando-se conhecida e tendo que explicar a todos a experiência mística que vivia. Como tinha dificuldades de entender o que vivia, pediu auxílio à Igreja. Óbvio que ninguém acreditava nela, e achavam que ela tinha alucinações. Nesse contexto, ela diz: “Eu tenho a missão de vos dizer o que vi, e não de vos convencer!”. Vendo que sua vida se tornou muito difícil em Lourdes, o pároco de Lourdes, na época, com a ajuda do prefeito da cidade, levaram-na para um hospital mantido pelas irmãs da caridade de Nevers. Ela tinha 16 anos. Lá, ela aprendeu a ler e escrever, e acabou ingressando na comunidade religiosa.

III. Depois: ela diz que foi para o convento para “se esconder”. A partir de então, passou a se chamar irmã Marie-Bernard. Ela falou das aparições às suas irmãs de comunidade uma só vez, e nunca mais tocou no assunto. Pouco a pouco, ela diminuiu para deixar crescer a mensagem deixada por Nossa Senhora. Ela morreu nesse convento de Nevers, no dia 16 de abril de 1879, com apenas 35 anos de idade.

As aparições de Nossa Senhora em Lourdes

As aparições: as 18 aparições aconteceram entre 11 de fevereiro de 1858 até 16 de julho de 1858. Como são muitos detalhes, vou citar apenas três elementos que me parecem importantes e que podemos ver claramente quando chegamos no santuário:

I. Água: “Ide beber da fonte e lavar-se nela”: esse foi um dos convites feitos por Nossa Senhora a Bernadette. A água nos lembra nosso batismo, dia em que nos tornamos filhos de Deus. Jesus nos prometeu: “o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna” (Jo 4,14). Este sinal dado por Maria em Lourdes é muito importante. A água que brota da gruta não é benta, e não tem nenhuma propriedade medicinal. As curas que acontecem são resultado da fé daqueles que a bebem ou nela se lavam, e que acreditam que o Senhor, pela intercessão de Maria, nos salva e cura.

II. Luz: durante uma das aparições, Bernadette segurou uma vela benta acesa até o momento em que Nossa Senhora se foi. Desse dia em diante, milhares de velas já foram acesas no santuário. Essa luz nos lembra o que nos disse Jesus: “Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). Maria nos conduz a Jesus: é Ele quem ilumina nossos passos e dissipa as trevas de nosso caminho. À noite, no santuário de Lourdes, temos uma procissão com velas. Isso nos lembra que somos o povo de Deus que caminha com Nossa Senhora para a glória eterna.

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III. Rochedo: o Salmo 17 (v.32) nos questiona: “Quem é o rochedo, senão o nosso Deus?” O rochedo nos lembra a solidez divina – nele estamos seguros e firmes: nada pode nos abalar! O próprio Jesus nos disse: “Aquele que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha” (Mt 7,24-25). Em Lourdes, os peregrinos tocam o rochedo onde Nossa Senhora apareceu. Gesto belo e espiritual: todos queremos ser protegidos pelo Senhor e sermos firmes e inabaláveis em Sua presença. Maria, mais uma vez, nos ajuda a colocarmos nossa confiança em Deus.

Lugar da cura, do corpo e do coração

Estes três elementos naturais nos ajudam a caminhar no mundo sobrenatural e a crescermos na graça. É por isso que tantas e tantas pessoas, como na época de Jesus, vêm do mundo inteiro para buscar a presença de Deus e a cura que precisam. Lourdes se tornou o lugar da cura do corpo e do coração. Todos os anos, milhares de pessoas se confessam e recebem a unção dos enfermos. 70 milagres e mais de 7200 curas já foram oficialmente reconhecidos.

Em Lourdes, com Nossa Senhora, a Palavra de Deus se cumpre: “Eu estou no meio de vós!” (cf. Mt 18,20).

Referências:

1 Burgo: uma cidade fortificada da Idade Média.

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Padre André Favoretti

Natural de Vitória – ES, foi ordenado sacerdote dia 25/06/2017, na diocese de Fréjus-Toulon, onde atua como missionário. Antes de ser padre, concluiu uma licenciatura em Geografia (UFES), foi professor e fez uma pós-graduação em filosofia (UFOP).

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