Clara no nome e na beleza de sua pureza virginal

Na terra foi Clara, no céu é luz.

“Paz e Bem!”

Mais que um cumprimento, esta expressão de benção é de conhecimento em todo o globo. Fruto de uma espiritualidade com origem por volta do ano 1200 d.C. na pessoa de Francisco.

Clara no nome e na beleza de sua pureza virginal

Ao falar de São Francisco lembramos daquela que neste dia a Igreja se reúne para celebrar sua memória por tal prestígio e exemplo de santidade. Por tão grande amor a Jesus sacramentado, à pobreza. E ainda o mérito de ter se guardado virgem para seu Amado Cristo.

Clara no nome e na beleza de sua pureza virginal nasceu em Assis, no dia 16 de julho de 1194, de uma família nobre.

Na ocasião de uma peregrinação feita por sua mãe, enquanto orava, teve uma visão de que haveria de ter uma filha que iluminaria o mundo: chamou-a, então, de Clara.

Foi apresentada a São Francisco de Assis por volta de seus 18 anos por seu primo Frei Rufino. Entusiasmada pelo estilo de vida do santo, procurou segui-lo na medida do possível. Na cerimônia dos Ramos de 1211, o bispo, já avisado por São Francisco das aspirações de Clara, desceu do altar e lhe entregou um ramo bento. Fugiu naquela noite de casa e se abrigou na Porciúncula, pequena capela nos campos de Assis, que serviu de residência para os primeiros frades de São Francisco. Este lhe cortou os cabelos e lhe impôs o hábito cruciforme, o cordão e um véu negro.

Nascia a Ordem das Damas Pobres, chamada de Clarissas. Fundou uma ordem com seus traços, sem esquecer de fundamentar na sua Regra de Vida textos essenciais da Regra da Ordem dos Frades Menores, desarticulando a toda estrutura feudal da época, onde as monjas possuíam terras sob a administração da abadessa. Tornando-se historicamente a primeira mulher na Igreja que redigiu uma Regra para mulheres, uma vez que as regras femininas do passado foram todas obras dos homens.

Numa ocasião que a cidade de Assis e seu mosteiro eram assaltados por bárbaros sarracenos em 1241, mesmo doente, Clara, dirigiu-se ao altar do Santíssimo Sacramento, tomou nas mãos o ostensório com a Sagrada Hóstia e se apresentou aos assaltantes. Por sua vez, os sarracenos, apoderam-se de um pânico inexplicável e todos eles fugiram do local.

No dia 15 de agosto de 1255, durante os festejos para a canonização de Clara na Catedral de Agnani, o papa Alexandre IV proclamou, num texto que dirigiu ao mundo inteiro:

“Admirável claridade da beata Clara… Durante a vida resplende, após a sua morte, ilumina; na terra foi Clara, no céu é luz. Essa luz oculta no silêncio secreto do claustro, projeta no exterior os seus raios; encerrada entre os muros do mosteiro, clareia a imensidão do mundo”.

No verdadeiro sentido da palavra, Clara foi para Francisco “irmã Clara”. Não somente com os seus conselhos e a sua oração, mas sobretudo pela transparência do seu ser e da sua vida. Quando tudo ao redor de Francisco parecia vacilar, Clara continuava a personificar a fidelidade ao ideal primitivo, à pura simplicidade do Evangelho e, ao mesmo tempo era, em meio à tempestade, a serenidade. Clara vivia dentro do tempo de Deus, como as estrelas claras, preciosas e belas. Sem palavras de retórica, ela fez Francisco compreender que a paz de coração era a forma suprema da pobreza. A paz, que é o dom total do abandono de si mesmo em Deus.

Fonte: Livro “Francisco de Assis, retorno ao Evangelho”, de Eloi Leclerc, da Editora Vozes.

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