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Qual é a importância das artes sacras nas igrejas?

As artes transmitem a fé e surgem dessas experiências

As artes religiosas são dirigidas para promover o louvor e a glória a Deus, guiando os pensamentos dos fiéis e agindo sobre seus sentidos. As obras criadas pela inspiração religiosa transmitem a fé e a piedade que convêm à majestade da casa de Deus. O artista que professa uma fé verdadeira edifica sua obra como um ato próprio de culto e religião, alimentado pelo amor de Deus e colocando seu talento a serviço da Igreja de Jesus Cristo. A obra que surge de um ato de fé inspira a fé.

O Papa João Paulo II escreveu, na solenidade da Páscoa da Ressurreição do ano de 1999, a ‘Carta aos Artistas’, e juntamente com o significado divino da vocação artística, expressou a mais completa catequese: “A verdade é que o cristianismo, em virtude do dogma central da encarnação do Verbo de Deus, oferece ao artista um horizonte particularmente rico de motivos de inspiração. Que grande empobrecimento seria para a arte o abandono desse manancial inexaurível que é o Evangelho!”. Certamente, a beleza da arte sacra é inquestionável, a exemplo da Capela Sistina, obra das mãos humanas de Michelangelo, mas que não deixa dúvidas da inspiração divina; e para promover essa experiência de fé, o site do Vaticano permite um tour virtual pela Capela Sistina.

Qual-é-a-importância-das-artes-sacras-nas-IgrejasFoto: Arquivo CN/cancaonova.com

Os evangelistas Mateus, Marcos e João relatam a história da mulher que despejou sobre Jesus Cristo um perfume caríssimo. Indignados, os que presenciaram a cena – havendo discípulos entre eles – começaram a criticar a mulher. Ora, o perfume despejado representava uma quantia muito alta! No Evangelho de Marcos, lemos o valor de trezentos denários, o que seria de muita ajuda aos pobres. A mulher é questionada: “A troco de que esse desperdício?” (Mt 26,8), e a resposta lhes é dada diretamente por Jesus: “Ela, de fato, praticou uma boa ação” (Mt 26,10). Em verdade, as artes sacras são entendidas como obras de grande valor financeiro por aqueles que não se comprometem com a fé. Sem a devida devoção, enxergar tamanha beleza apenas com olhos, sem entregar-se de coração, faz com que muitos, ainda hoje, questionem as obras de alto valor.

Inspirações de fé

Seguindo a lição de Jesus Cristo, as artes sacras representam boas ações, dirigidas a inspirar a fé pelos sentidos humanos. São obras criadas pelas mãos de artistas inspirados por Deus. Tais obras, de fato, atingem um valor inestimável, mas que não podem ser diminuídas a algo simplesmente comercial. As artes sacras representam devoção e adoração a Deus. Não há entre a medida dos homens valor suficiente para alcançar a glória de Deus. Não há, portanto, um valor que faça justiça à fé que inspira as obras sagradas. Ao contemplar uma arte sacra, façamos com a devida devoção, sem nos deixar cegar pelos valores mundanos. Assim nos ensina o Catecismo da Igreja Católica: “A verdadeira arte sacra leva o homem à adoração, à oração e ao amor de Deus, Criador e Salvador, Santo e Santificador” (§2502).

Na Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, o Papa Paulo VI descreve a natureza da arte sacra e as alfaias litúrgicas: “Entre as mais nobres atividades do espírito humano estão, de pleno direito, as belas artes, e muito especialmente a arte religiosa e o seu mais alto cimo, que é a arte sacra. Elas tendem, por natureza, a exprimir, de algum modo, nas obras saídas das mãos do homem, a infinita beleza de Deus, e estarão mais orientadas para o louvor e glória de Deus, se não tiverem outro fim senão o de conduzir piamente e o mais eficazmente possível, por meio das suas obras, o espírito do homem até Deus”.

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Ao apreciar uma arte sacra, busquemos a inspiração de fé e devoção que o artista dedicou ao serviço de Deus. Na admiração, encontramos a beleza nobre do espírito da arte sacra nas vestes, nos ornamentos e nos edifícios sagrados. A Igreja sempre cuidou para que as obras sagradas colaborassem para a dignidade e a beleza do culto, pela seleção das artes honrosas que representam verdadeiro sinal e símbolo de fé. Nessa honra e beleza, inspiramos nosso culto a Deus, dedicando toda honra e toda a glória, agora e para sempre.

Capela Sistina (tour virtual)

Referências

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Lés Éditions Du Cerf, Paris [tradução], 1998, ed. Revista e ampliada. 2002.

CARTA AOS ARTISTAS de João Paulo II, Papa. Solenidade da Páscoa da Ressurreição. Vaticano, 4 abr. 1999.

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. In Textos Fundamentais. Arquivo do Vaticano.

SACROSANCTUM CONCILIUM. Constituição Conciliar de Paulo VI, Papa. Roma, 4 dez. 1963.


Luis Gustavo Conde

Advogado com atuação na área de Direito de Família e docente em cursos técnicos, Luis Gustavo é formado em Direito pelo Centro Universitário Unifafibe e pós-graduado em Direito Processual Civil pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Atualmente, ele é graduando em Sociologia pela Universidade Paulista (UNIP). Catequista no Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora Aparecida. Contato: lg.conde@icloud.com

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