Jesus Salvador

O mundo é fruto do amor salvífico de Deus

Muito conhecido por todos nós, Aristóteles, o estagirita que viveu durante o séc. IV a.C, na sua metafísica, afirmava que Deus é objeto e não sujeito de amor, ou seja, é impensável que Deus ame qualquer coisa que não seja Ele mesmo. Ora, na concepção grega, o amor é a tendência a possuir algo do qual se é privado e, assim sendo, Deus não pode amar, pois Ele não é privado de nada. Deus, portanto, não conhece a realidade individual e concreta, porque fazê-lo seria uma diminutio para o seu ser. Para ser Deus, Deus não pode amar.

“Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele” (cf. Jo 3,16-17).

Diante dessa posição aristotélica, percebemos como é necessária a devida harmonia entre fé e razão, pois sem a fé, a razão, muitas vezes, fica entregue a conclusões imperfeitas. Só Deus conhece Deus. Só Ele pode nos revelar a Sua natureza. Cristo, plenitude da Revelação, Palavra eterna do Pai feita carne, declara hoje a cada um de nós: Deus amou… «Deus é amor». Estas palavras da boca de Cristo, com certeza, não as ouviríamos nas lições peripatéticas do ilustre discípulo de Platão! O amor em Deus não é uma diminutio, mas constitui a sua própria essência.

“Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito… não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”.

O mundo é fruto do amor salvífico de Deus

Foto ilustrativa: Daniel Mafra/cancaonova.com

Qual é o objeto do amor de Deus?

O mundo, ou seja, toda realidade separada de Deus pelo pecado, tudo aquilo que expressa a profunda inimizade para com Deus. Deus ama o mundo! Mas por quê? Talvez, porque concorda com seu estilo de vida? De modo algum, mas porque o criou! E o ama para quê? Para redimi-lo, para salvá-lo, não para condená-lo. Deus ama o mundo, porque é, antes, em si mesmo amor: relação íntima das três Pessoas divinas, unidas ontologicamente em única vontade e voltadas reciprocamente para uma doação de amor. O amor de Deus Pai se manifesta de modo eminente na entrega do Filho para a redenção do gênero humano: Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito.

“Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”.

A Santíssima Trindade é o mistério central da nossa fé: “Fides omnium christianorum in Trinitate consistit“, afirma Cesário de Arles. No domingo em que celebramos Pentecostes, a Trindade é plenamente manifestada ao mundo; o amor de Deus pelo mundo, que leva o Pai a enviar o Filho; amor que leva o Verbo encarnado a salvar a humanidade mediante a obediência ao Pai; amor que é derramado no coração de cada filho de Deus pelo dom do Espírito Santo. No domingo da Santíssima Trindade, celebramos o Amor trinitário que, em Pentecostes, foi apresentado ao mundo.

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“Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”.

Como seria o mundo se Deus não amasse? Ou melhor: como seria o mundo se não fosse amado por Deus? Não sabemos se algum discípulo de Aristóteles lhe tenha feito esta pergunta. No entanto, sendo mais amigos da Verdade do que de Aristóteles, poderíamos responder: o mundo é fruto do amor de Deus e, quando dele se afasta pelo pecado, é o mesmo amor que o salva. O mundo sempre abandona Deus, enquanto este nunca o abandona. Se Deus não amasse, não haveria mundo, não haveria Deus, porque Deus é Amor!

Padre Placimario Ferreira – Arquidiocese de Brasília

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