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Um olhar concreto sobre as realidades das famílias de hoje

As famílias têm sido atacadas

São João Paulo II chamava a família de “santuário da vida”, “igreja doméstica”, “um patrimônio da humanidade”. Enfim, “uma comunidade insubstituível por qualquer outra”. São Tomás de Aquino dizia que a família constitui para os filhos “um útero espiritual”. Esse grande Papa destacava a importância vital da família: “A família não é para o homem uma estrutura acessória e extrínseca, que impede seu desenvolvimento e sua dinâmica interior.  Um olhar sobre a realidade das famílias de hoje mostra que muitas delas estão numa situação difícil, ameaçadas por muitos perigos”, como disse o Papa São João Paulo II. Quais as razões disso?

Um olhar concreto sobre as realidades das famílias de hoje

Foto ilustrativa: Jorge Ribeiro/cancaonova.com

Relacionado às ameaças que pesam sobre a família, São João Paulo II apontava “a praga do divórcio”, as “uniões livres”, o aborto, o chamado “amor livre”, o tal “sexo seguro”, a “produção independente”, os “casamentos” de pessoas do mesmo sexo e outras coisas. Frutos de uma sociedade mergulhada no consumismo e no utilitarismo, e que fez uma opção pela cultura do prazer e não da vida.

Guerra contra a família

Tudo que ameaça a vida, ameaça a família. Portanto, há muitos atentados à família, como o atual laicismo anticristão que deseja eliminar Deus da sociedade e os valores cristãos da família. O movimento ideológico feminista radical que ataca a Igreja e a família cristã; a ditadura do relativismo, denunciado pelo Papa Bento XVI, que não aceita a verdade moral; a prática incentivada do suicídio assistido; a pílula abortiva do dia seguinte, a prática crescente do nudismo, a prostituição tornada profissão, etc.

Quando, em 1994, justo no Ano da Família (pasmem!), o Parlamento Europeu, tristemente, reconheceu a validade jurídica dos matrimônios entre homossexuais, até admitindo a adoção de crianças por eles, João Paulo II reagiu de maneira forte e imediata:

“Não é moralmente admissível a aprovação jurídica da prática homossexual. Ser compreensivos para com quem peca, e para com quem não é capaz de libertar-se desta tendência, não significa abdicar das exigências da norma moral […]. Não há dúvida de que estamos diante de uma grande e terrível tentação” (20/02/94).

Famílias sob ataque

A Declaração do Rio de Janeiro sobre a Família, do Congresso Teológico-Pastoral, realizado de 1 a 3 de outubro de 1997, denunciou que a família está “sob a mira de ataque em muitas nações”; e que uma “ideologia antifamília” tem sido promovida por organizações e indivíduos. Falou-se de “uma guerra contra a família”, em nível tanto nacional quanto internacional, incluindo a ONU. Em suas Conferências há uma tentativa de “desconstruir” a família, de forma que o sentido de “casamento”, “família” e “maternidade” seja destruído. Tem sido estabelecida uma falsa posição entre os direitos da família e os de seus membros individuais. Sob o nome de liberdade, têm sido promovidos “direitos sexuais” espúrios e “direitos de reprodução”.

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O “amor livre”

Na Carta às Famílias, de 1994, o Papa João Paulo II lembrou que, em nossos dias, vários programas sustentados por meios muito poderosos parecem “apostados na desagregação da família”. Ele lembrou que uma civilização, inspirada numa mentalidade “consumista e antinatalista”, não é uma civilização do amor. Mostrou, também, os riscos do chamado “amor livre” e do “sexo seguro” que destroem o verdadeiro amor.

Quantas famílias foram levadas à ruína por causa do “amor livre”! Com isso, os filhos são privados do pai ou da mãe e condenados a serem, de fato, “órfãos de pais vivos”, disse o Papa aqui no Brasil. Muitos outros pontos são preocupantes para a Igreja, como: o aborto, o adultério, as drogas, a miséria em que vivem muitas famílias.

E mais: a propagação da pornografia de maneira crescente nos meios de comunicação; os programas de televisão em desacordo com a moral cristã. E, ainda, uma errada concepção da “independência dos cônjuges” entre si; a crise de relacionamento entre pais e filhos; o número crescente dos divórcios.

Se tudo isso já não bastasse, acrescentemos: o recurso cada vez mais frequente à esterilização; a mentalidade contraceptiva. O casamento de pessoas do mesmo sexo com a possibilidade de adoção de crianças, a manipulação de embriões vivos, a inseminação artificial. O incentivo ao uso da camisinha que estimula os jovens a viverem o sexo antes do casamento, sem compromisso. Uma distorcida educação sexual nas escolas na linha freudiana de “liberar os instintos”, a chamada “produção independe” de filhos fora do casamento.

Crise moral

O pior problema, hoje, das famílias desestruturadas, não é de ordem financeira, mas moral. Quando os pais têm caráter, fé, mesmo pobres, serão capaz de impedir a destruição do seu lar. São inúmeros os casais pobres, mas que com uma vida honesta, de trabalho e honradez, educaram muitos filhos e formaram bons cristãos e honestos cidadãos.

Toda essa desordem moral desaba sobre a família e seus amargos frutos caem sobre a própria sociedade. Hoje, pesa uma nova e tremenda ameaça sobre a família instituída por Deus: a ideologia de gênero, antinatural e anticientífica, que quer se impor de maneira totalitária, negando a existência dos sexos masculino e feminino.

São João Paulo II disse que: “no contexto da civilização do desfrutamento, a mulher pode tornar-se para o homem um objeto, o filho um obstáculo para os pais, a família uma instituição embaraçante para a liberdade dos membros que a compõem”. O santo dizia: “Hoje em dia, parece que os inimigos de Deus, mais do que atacar frontalmente o Autor da criação, preferem defrontá-Lo em suas obras. Em torno à família, trava-se hoje o combate fundamental da dignidade do homem”.

A própria ONU pratica uma política “antifamília”. Há hoje uma verdadeira “conspiração contra a família”, que é parte da “conspiração contra a vida”, para fazê-la desaparecer da sociedade. Já que é ela que mantém vivos os valores cristãos, o que impede os interesses de uma elite internacional que deseja manter-se no controle da humanidade?

É urgente que cada cristão lute pela defesa dos valores cristãos da família, pois, ela é hoje o único lugar seguro para uma criança ser educada, amada e desenvolvida com paz e amor. Mesmo sofrendo todos esses ataques e ameaças, a família cristã continua viva. E, jamais, será eliminada da terra, porque não é possível ao homem acabar com o que Deus criou.


Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

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