encontro pessoal

Todos nós estamos de passagem por esta terra

“Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, de repente viu-se cercado por uma luz que vinha do Céu. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: ‘Saul, Saul, por que me persegues?’ Saulo perguntou: ‘Quem és tu, Senhor?’ A voz respondeu: ‘Eu sou Jesus, a quem tu estás perseguindo’” (Atos 9,3-5).

Todos nós, sem nenhuma exceção, somos peregrinos nesta terra. Fomos pensados, amados e criados por Deus para um dia vivermos na plenitude de Sua glória, rendendo a Ele todo louvor e adoração, unidos aos seus anjos celestiais, plenamente felizes e realizados em Sua santa presença.

Segundo o livro do Gênesis (1,26), fomos criados pela ação conjunta e amorosa da Trindade Santa, sendo o homem – enquanto ser humano –, o ápice da criação de Deus. Não é por acaso que, na carta aos Filipenses, o apóstolo Paulo nos revela esta grande verdade de fé afirmando que “nós somos cidadãos do Céu!” (Filipenses 3,20). A verdade é que somos passageiros embarcados no trem da vida, seguindo em direção à pátria definitiva que é o Céu, lugar onde não haverá choro nem dor, e onde gozaremos da eternidade na presença de Deus como nos mostra o Apocalipse (21,2-4).

Todos nós estamos de passagem por essa terra

Foto Ilustrativa: by Getty Images / Maurian Soares Salvador

Enquanto para alguns homens o ato de viver é uma grande festa que deve ser celebrada com entusiasmo e gratidão, para outros, entretanto, o ato de viver tem sido um fardo pesadíssimo devido aos problemas, às tribulações e decepções geradas por pessoas ou acontecimentos inerentes à dinâmica da vida, ao ato de viver.

As dificuldades diárias de viver nesta terra

Infelizmente, muitos estão se negando a viver essa festa ou, simplesmente, desistindo da luta diária por estarem mergulhados em uma depressão profunda, sofrendo crises de ansiedade, e assim, sendo bombardeados de todos os lados pelo inimigo que só deseja destruir nossa vida.

É triste e preocupante constatar como tantos homens têm perdido o gosto pela existência, o sentido e o prazer de viver. Muitos deles, em momentos de desespero, acabam tirando a própria vida por simplesmente não suportarem o peso dos sofrimentos intensos que estão passando. Infelizmente, não conseguiram caminhar mais um pouquinho para conseguir enxergar aquela Luz que sempre brilha no fim do caminho, mesmo que estejamos no mais escuro e tenebroso dos vales.

Quando pensamos estar abandonados à nossa própria sorte, o Senhor, o Bom Pastor, vem em nosso socorro e nos guia para veredas repousantes e nos faz descansar em seu regaço (cf. Salmo 23,4). Em meio às tribulações e sofrimentos, precisamos nos manter firmes no Deus da vida, pois o inimigo tentará sempre nos destruir e nos matar. Ao contrário do inimigo que é o ladrão e o assassino, Jesus veio nos trazer vida, e vida em plenitude, vida abundante!

“O ladrão vem só para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância. Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas” (João 10,10-11).

Apesar da certeza de fé que nos move, que nos faz levantar todos os dias, e da esperança bíblica que nos fortalece na caminhada, sabemos que, enquanto estivermos aqui, nesta terra, o que teremos pela frente é uma luta contínua e diária para vencermos nossas batalhas e passarmos pelo vale de lágrimas em que fomos colocados, não por maldade de Deus, mas sim, por consequência do pecado original inoculado em nós pelos nossos primeiros pais, Adão e Eva.

O que fazer diante das incertezas?

Mesmo diante das incertezas desta caminhada terrena e dos sobressaltos do nosso cotidiano, precisamos nos apoiar no que proclama o salmista:

“Se eu tiver de andar por vale escuro, não temerei mal nenhum, pois comigo estás. O teu bastão e teu cajado me dão segurança” (Salmo 23,4).

Esse versículo poderoso nos enche de confiança e nos dá a certeza de que, ainda que atravessemos o vale escuro da morte, não devemos temer mal algum, porque Deus está conosco, e n’Ele está nossa segurança! É Ele quem nos guia iluminando nosso caminho, fortalecendo nossos passos e nos protegendo com Seu cajado contra os lobos ferozes que querem nos matar, destruir e devorar.

Mesmo que não vejamos Deus, mesmo que não O sintamos, mesmo que, por muitas vezes, até O reneguemos e Lhe sejamos infiéis, Ele, ainda assim, permanece fiel e não nos abandona. As dificuldades, decepções, desencontros da vida e nossas escolhas equivocadas acabam, quase sempre, cegando-nos e tornando-nos, muitas vezes, soberbos, insensíveis, arrogantes e presunçosos.

Queremos, muitas vezes, resolver os problemas do mundo, transformar nossa sociedade, até mesmo nossa Igreja; sem nos darmos conta, tornamo-nos como que justiceiros sedentos por sangue, dispostos a matar ou morrer para impor nossa visão de mundo e de fé. Agindo assim, de modo extremo, a exemplo de muitos fundamentalistas, pouco ou nada nos diferenciamos desses que matam e destroem em nome de suas ideologias, sejam elas políticas, sexuais ou religiosas.

Deus é nossa luz

Se estamos perdidos em nossa viagem neste mundo, sem saber qual caminho tomar, equivocados com a rota previamente escolhida e, ainda assim, insistindo em prosseguir viagem mesmo sabendo que estamos entrando em um vale escuro sem termos uma rota clara e definida, o salmista nos garante que Deus ilumina nossos momentos de escuridão com Sua luz, protege-nos com Seu cajado e nos direciona nos momentos em que não sabemos por onde caminhar nem o que fazer. Porém, para que isso se concretize na prática, precisamos de humildade e abertura de coração para que Ele, Jesus, possa começar a agir em nós.

Em meio aos nossos devaneios e decisões equivocadas, Deus está ali, paciente, esperando uma pequena brecha em nosso coração para começar Sua obra poderosa de restauração. A grande verdade é que, mesmo sem nos darmos conta, nossas escolhas nos definem e nossos atos revelam quem somos ou quem queremos nos tornar.

Paulo: uma mesma pessoa, três situações diferentes

Nos escritos bíblicos, encontraremos este personagem tão importante para a nossa fé: Paulo. Hora nomeado como Saulo, ora como Saul e, finalmente, Paulo. Três nomes. Uma mesma pessoa. Três situações diferentes.

O nome Saul, de origem hebraica, era muito usado pelos hebreus para os filhos gerados a partir de uma promessa, frutos de um milagre e, por conta disso, ansiosamente aguardados pelos seus pais. Saulo é a derivação grega de Saul, enquanto Paulo era seu nome romano, visto que, por causa de seu pai, possuía dupla cidadania, ou seja, era romano e judeu.

Quando lemos sobre a história de Saulo e analisamos sua postura, vemos a busca sincera de um homem radicalmente religioso, culto e de posição social invejável para manter-se fiel aos seus valores e princípios, ainda que estes o fizessem ser alguém violento, inescrupuloso e totalmente incoerente com o Deus que julgava defender.

Quantas vezes nos apoiamos em nossos radicalismos, fruto de uma religiosidade de fachada e estereotipada para atacar outras pessoas, outras crenças e, em alguns casos, darmo-nos o direito de agredir física ou verbalmente aqueles que pensam, vivem ou creem de maneira distinta à nossa. Tudo isso vai nos afastando de Deus, cegando-nos e, pouco a pouco, minando nossa sensibilidade, tornando-nos homens cada vez mais frios e embrutecidos.

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Status religioso

Paulo vivia uma dinâmica de fé que, aparentemente, lhe dava o status religioso de temente a Deus e cumpridor dos preceitos, porém, a grande verdade é que estava muito longe de ser um homem de fé, verdadeiro amigo de Deus e um homem de valor.

Faltava ao apóstolo o que falta a muitos de nós que nos dizemos cristãos: um verdadeiro e impactante encontro pessoal com Jesus.

No mais alto grau da nossa arrogância, nos autodeclaramos homens de Deus, cristãos autênticos, cumpridores dos preceitos e, até mesmo, chegamos ao cúmulo de nos autodeclararmos profetas do Altíssimo; homens capazes de prever calamidades ou prosperidade financeira na vida dos outros e de destruir a imagem dos irmãos, matar a boa reputação do outro com pseudoprofecias gestadas em nossas entranhas apodrecidas pela soberba do falso profetismo, que visa somente lucro e fama às custas do Senhor.

Não tenho a menor dúvida de que, infelizmente, isso é semente demoníaca plantada no seio da Igreja de Cristo e no coração de muitos de nós.

Como, então, transformar o coração e mudar de vida?

O que transforma um coração e muda radicalmente a vida de uma pessoa, a exemplo de Paulo, não é simplesmente pensamento positivo, mudança de mind set, mentoring ou técnicas adquiridas em livros de milionários gurus de autoajuda. Não! Isso não é de Deus, e é frontalmente contrário aos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, além de não mudar a vida de ninguém e ser puro charlatanismo.

O que realmente transforma a vida, o coração e o destino de um homem é o seu encontro pessoal com Jesus, pois essa é a ajuda que vem do alto.

Quem crê em Jesus e coloca sua total dependência n’Ele não busca a egocêntrica autoajuda, pois sabe que ela é diabólica e ineficaz. O homem de valor depende única e exclusivamente da ajuda do Alto; depende de Jesus, o Senhor de tudo e de todos!

O encontro com Jesus é algo tão poderoso em nossa vida, que é capaz de resgatar nossa mais pura essência humana degradada pelo pecado, tocar as fibras do nosso coração e reescrever completamente nossa história dando um novo sentido à nossa vida.

É impossível encontrar-se com Jesus e sair ileso, indiferente a esse encontro onde somos mirados com ternura, tocados com carinho, restaurados de maneira plena e acolhidos por um amor tão contagiante e arrebatador.

Deixe-se regenerar por Deus

Como é lindo ver a delicadeza e o cuidado de Jesus ao chamar Paulo por seu nome hebreu, Saul, que significa “filho gerado de uma promessa”.

Essa atitude carinhosa de Jesus com Paulo – a mesma que Ele tem para conosco dia pós dia – faz com que regressemos às nossas origens, à nossa essência, e aí, no mais profundo do nosso coração, somos regenerados por Aquele que é a nossa essência: Deus!

Dessa maneira, Jesus revela ao apóstolo que conhece em profundidade sua história e que, desde toda a eternidade, antes mesmo que fora plasmado no ventre de sua mãe, Ele já o conhecia e o amava, assim como nos revela o Profeta Isaías: “Desde o seio materno, o Senhor me chamou, desde o ventre de minha mãe, já sabia meu nome” (Isaías 49,1).

Quem és tu, Senhor?

O momento crucial desse encontro de amor se dá quando Saulo, num gesto de humildade e abertura de coração pergunta: “Quem és tu, Senhor?”.

Essa é a pergunta-chave que abre caminho para Jesus entrar em um coração que, até então, estava fechado na arrogância, em um profundo senhorio de si mesmo.

Ao manifestarmos o desejo sincero de conhecer Jesus, o nosso coração se abre e, imediatamente, cai por terra toda soberba e arrogância, permitindo, assim, que Jesus se apresente a nós de forma plena, sem reservas, fazendo com que Sua misericórdia infinita nos invada e nos restaure por completo.

Quando permitimos, através do nosso encontro pessoal, que Jesus seja o Senhor de nossa vida, tudo se transforma, e começamos a viver, de fato, a vida sonhada e planejada por Deus para cada um de nós.

Posso afirmar sem nenhum receio de estar equivocado que é quando experimentamos o encontro pessoal com Jesus que começamos a viver a vida plena que Ele tem preparada para nós, e é nela que encontramos a verdadeira felicidade.

Texto, com adaptações, extraído do livro “Homens de valor”, de Flavinho.

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