As palavras da Palavra

Os grupos de oração como viveiros de fé e moradas de amor

Os grupos de oração precisam ser fontes de esclarecimento e misericórdia

Após outros quatro artigos sobre a série “As palavras da Palavra”, chega o momento de nos reunirmos em oração. Com efeito, disse Jesus: “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles” (Mt 18, 20). Falamos nos artigos anteriores sobre a importância de uma leitura atenta e profunda da Bíblia, a fim de compreender a mensagem de Deus para nós. Sem dúvida, isso requer uma reflexão particular, um conhecimento da doutrina cristã e até mesmo dos contextos históricos em que ocorreram as passagens bíblicas. Essa missão se torna
muito mais fácil em grupo, pelo qual cada participante pode contribuir com seus próprios conhecimentos. Vamos entender melhor com uma breve história.

Os grupos de oração como viveiros de fé e moradas de amor

Foto ilustrativa: digitalskillet by Getty Images

Um grupo de oração lia o Antigo Testamento e se deparou com a passagem que diz: “Ele vai sentar-se como aquele que refina prata: vai refinar e purificar os filhos de Levi, como ouro e prata, para que possam apresentar a Javé uma oferta que seja de acordo com a justiça” (Ml 3,3). A maioria do grupo entendeu a passagem sem muita relação com o anúncio da Boa Nova, mas um senhor que estava ali – ourives de profissão – emocionou-se, tomou a palavra diante do grupo e começou a explicar: “Para forjar a prata e livrá-la das impurezas é necessário colocá-la no fogo, mas é preciso estar sempre atento. Como ourives, é necessário observar a prata de muito próximo, sem descuidá-la por um minuto, pois esse é tempo suficiente para que ela se queime e se perca”. E uma senhora do grupo perguntou: “E quando o senhor sabe quando a prata está pronta?” E o ourives respondeu: “Quando eu vejo a minha imagem nela”.

Esse grupo aprendeu, em um único versículo do Antigo Testamento, o desejo de Deus para cada um de nós: que o homem seja Sua imagem e semelhança, livre do pecado (falamos sobre isso no primeiro texto da série). Notem, no entanto, a importância do ourives nesse grupo de oração. Sabia ele que a prata precisa ser provada no fogo para livrar-se das impurezas, e que o forjador a reconhece quando vê nela a sua própria imagem. O grupo pôde aprender que é assim que Deus age conosco, é isso que a Palavra quer nos transmitir. Deus nos coloca em provação, mas não se afasta nem se distraí por um minuto sequer. Estaremos prontos quando formos Sua imagem e semelhança.

Papa Francisco, em discurso na praça de São Pedro, dirigiu-se aos grupos de ação com essas palavras: “Penso nos grupos de oração, que são Pio definiu ‘viveiros de fé, moradas de amor’; não só os centros de encontro para estar bem com os amigos e consolar-se um pouco, mas das moradas de amor divino. Esses são os grupos de oração! De fato, a oração é uma verdadeira missão, que leva o fogo do amor à humanidade inteira. Padre Pio disse que a oração é uma ‘força que move o mundo’. A oração é uma força que move o mundo! Mas nós acreditamos nisso? É assim. Fazei a prova!”.

Que nossos grupos de oração possam ser fontes de esclarecimento e misericórdia, formados por humildes leitores da Bíblia, que juntos possam receber a verdadeira mensagem de Deus para os homens. Peço que se atentem à arrogância – inerente ao homem instruído – e deem em seus grupos de oração a palavra a todos que dele participam. Eu muito estudo e sempre estudei a Doutrina da Igreja, e, por um tempo, fui catequista com um amigo, que exercia essa missão há mais de 35 anos.

Ora irmãos, meu tempo de estudo, livros, artigos e escritas não me permitiam, por nenhum momento, me sentir superior ao testemunho de vida daquele irmão. Se me permitem a analogia, éramos Pedro e Paulo, vida e estudo, exemplo e doutrina, misericórdia e lição. São esses os pilares da Santa Igreja, que sejam também os pilares dos nossos grupos de oração.

Com esse artigo finalizamos a primeira etapa da nossa série escrita “As palavras da Palavra”. Se em algum trecho eu pude inspirá-los à leitura reflexiva das Sagradas Escrituras, cumpriu-se o objetivo. Diante de uma sociedade desolada e por vezes com a fé cansada ou reduzida, que possamos despertar em nós o desejo de aprender com as lições sempre atuais dos textos sagrados, para deixar-nos provocar pelas palavras e, então, sermos capazes – com a graça de Deus – de ser feliz ao vivenciar o amor. Mas a série continua em palavras, formações e exemplos.

Que assim seja!

Referências:

BÍBLIA SAGRADA. Tradução da CNBB, 18 ed. Editora Canção Nova.

FRANCISCO. Jubileu dos grupos de oração de Padre Pio. 6 fev. 2016.


Luis Gustavo Conde

Advogado com atuação na área de Direito de Família e Direito Bancário. Professor de cursos técnicos. Catequista no Santuário de Nossa Senhora Aparecida em Ribeirão Preto/SP. Palestrante focado na doutrina cristã. Contato: lg.conde@icloud.com Twitter: @luisguconde

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