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O exemplo da samaritana em nossa vida sacramental

Como a samaritana, somos convidados a fazer uma experiência com Cristo e levá-la por toda a nossa vida

A história da samaritana sempre me encantou, pois, de alguma forma, ela mexia comigo, não só porque nela Jesus mostrou Sua compaixão e escolha não só pelos judeus, mas por todos aqueles que abrissem seu coração a Ele e reconhecessem Seu senhorio.

Por isso, eu queria lhes contar uma história: eu pude participar de uma celebração para a preparação da Crisma da minha irmã – ela me chamou para ser madrinha, o que me deixou muito feliz! Não me lembro, quando me preparava para a minha Crisma, dessa preparação junto com os padrinhos.

Vivi uma experiência incrível, pois pude olhar para a passagem da samaritana com outros olhos, perceber a importância dos sacramentos e ver como Jesus, em uma única passagem, consegue explicar os sacramentos. Pude reviver um pouco da minha história.

Perceber que tudo tem sentido na própria história

Convido você a pegar a passagem de João 4,5-42 e acompanhá-la comigo. Assim, com certeza, esse texto fará mais sentido. Conforme fui ouvindo o padre explicando, foi como se meus olhos fossem se abrindo. Meditando, agora, percebo que as coisas vão se encaixando, não ficam um vão, Deus vai conectando os fatos e eles vão se costurando. Para isso, precisamos parar, olhar para trás e ver que tudo tem sentido, tem um porquê.

A celebração da Crisma da minha irmã foi na capela Santa Rita de Cássia (mesmo título da Igreja onde fiz a minha Primeira Eucaristia). A partir daí, já comecei a ficar atenta, porque sabia o quanto Deus falaria comigo ali.

Quando o padre começou a homilia, ele falava do começo da passagem da samaritana, contando que Jesus dizia a ela que Ele lhe daria a Água Viva, e, assim, ela não teria mais sede. Por meio dessa história, podemos falar do batismo, quando recebemos, na maioria das vezes quando ainda bebês, a Água Pura, a qual nos faz deixar de ser pagãos (assim como a samaritana) e nos torna filhos eleitos de Deus.

Durante sua estadia na Samaria, Jesus estava com Seus apóstolos, e estes estavam preocupados se o Mestre estava com fome; então, Ele respondeu: “Eu tenho para comer uma comida que vocês ainda não conhecem”. Logo, os apóstolos pensaram que seria algum alimento que eles não conheciam ou que Jesus a tivesse recebido de alguém. Revelava-se aqui, já, o mistério da Eucaristia, que se torará público, mais à frente, durante a Santa Ceia.

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Lembra-se de que falei que tudo está ligado? Então, naquela hora, olhei para a capela onde estávamos, que era dedicada a Santa Rita, e recordei-me de que foi, justamente numa Igreja dedicada a essa santa, que fiz minha Primeira Comunhão e disse para Deus que queria ser d’Ele. Mesmo ainda sendo uma criança, com apenas oito anos, eu já queria ser d’Ele.

A última ligação que o sacerdote fez história da samaritana foi, justamente, o fim da passagem bíblica, quando os demais samaritanos, ao ouvirem a história da samaritana que encontrou o Cristo, disseram-lhe que acreditavam não porque haviam ouvido sua história, mas porque eles mesmos puderam ver, crer que Ele era o Cristo! Quando somos batizados, temos padrinhos que assumem, junto com nossos pais, a responsabilidade de nos educar na fé cristã. Já um pouco crescidos, recebemos o sacramento da Eucaristia e podemos tocar, sentir o próprio Cristo habitando nosso coração.

Crismados, recebemos a responsabilidade de caminharmos sozinhos. Já somos adultos, e, assim como os apóstolos em Pentecostes, recebemos o Espírito Santo que nos ajudará nesse caminho.

As costuras de Deus na nossa existência

Lembra-se de que minha irmã me escolheu como madrinha de Crisma dela? Pois é, um dia ouvi do monsenhor Jonas que Deus não nos escolhe sozinhos, que Ele escolhe toda a nossa família; então, minha história vai se costurando e eu vou entendendo de Deus o porquê de todas as coisas.

Como sempre, termino fazendo um convite: olhe para trás, para a sua história, e veja como ela está sendo costurada. Perceba que as coisas se encaixam, nossa história é um lindo quebra-cabeças que, com muito amor, Deus vai colocando peça por peça, mas precisamos estar atentos e perceber, nos detalhes, Ele nos falando.

Como a samaritana, somos convidados a fazer essa experiência com o Cristo e levá-la por toda a nossa vida.

Para mostrar que nada é coincidência, nesta preparação da Crisma da minha irmã, os músicos cantaram a música: “Sim, eu quero que a luz de Deus, que um dia em mim brilhou, jamais se esconda, e não apague em mim o seu fulgor. Sim, eu quero que o meu amor ajude o meu irmão a caminhar, guiado por Sua mão em Tua lei, em Tua luz Senhor!”. Coincidência? Eu acho que não! Essa foi a música da minha primeira comunhão, na Igreja de Santa Rita; e lá estava eu, missionária, com a minha irmã, ajudando-a a preparar-se para receber o Crisma!

Quero agradecer ao padre Edson pela maravilhosa homilia, a qual me fez refletir muito e ver as costuras de Deus em minha história.

Lembre-se: o céu é logo!


Kelly Kruschewsky

Kelly Kruschewsky é professora no Instituto Canção Nova. Consagrada permanente na Comunidade Canção Nova, ela é casada com João Paulo Kruschewsky e mãe de três filhos: Pedro, Rafael e Elisa.

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