Reflexão

A força e a necessidade do testemunho coerente de vida

“Não contes nada a ninguém! Mas vai mostrar-te ao sacerdote e apresenta, por tua purificação, a oferenda prescrita por Moisés. Isso lhes servirá de testemunho” (Marcos 1,44).

Foram essas as palavras de Jesus para aquele leproso que Ele acabara de curar. O evangelista Marcos faz questão de afirmar que Jesus as pronunciou com certa severidade. Confesso que, essa atitude de Jesus e essa recomendação dada ao leproso são, para mim, no mínimo, dignas de uma melhor e mais profunda reflexão. Do contrário, posso ficar confuso e, até mesmo, inquieto. Por que, afinal de contas, Jesus ordenou ao leproso que não contasse nada para os outros a respeito de sua cura?

Pense comigo: aquele pobre homem sofria de lepra. Isso mesmo, lepra! Não era uma virose, uma dor de dente nem mesmo uma enxaqueca, e sim uma doença terrível! Naquele tempo, lepra não tinha cura. Além do mais, havia todo um preconceito: o leproso era um marginalizado, alguém considerado impuro, não podia conviver em ambientes sociais. O leproso não tinha festa de aniversário, não tinha escola nem passeio aos domingos. Ele não ia ao grupo de oração na paróquia nas noites de terça-feira etc.

A força e a necessidade do testemunho coerente de vida

Foto Ilustrativa: Arquivo CN/cancaonova.com

Enfim, o leproso sofria só, na maioria das vezes, terrivelmente só, sem apoio, sem compreensão nem amigos. E, no caso desse leproso, finalmente curado, purificado, livre da opressão do preconceito, Jesus manda-o ficar de boca fechada e não contar nada a ninguém. E “ninguém” é ninguém! Ou seja: nem para os mais próximos, nem para os da família, para aqueles que, talvez, tinham o direito de saber como se deu a cura de sua lepra. Ordem difícil e complicada essa a de Jesus! Não?

O seu testemunho de fé pode ajudar outros a viverem a fé

Confesso que fiquei com “dó” do leproso! Ponha-se no lugar dele: você acabou de rezar, fez novenas, promessas, jejum, vigílias de oração… Enfim, pediu de diversas formas e constantemente a Deus uma graça a ser alcançada e, finalmente, você consegue essa tão grande graça. Que alegria! Que júbilo! Que festa! Que vontade enorme de divulgar “aos quatro cantos do planeta” que o Senhor realizou maravilhas em sua vida!

O Senhor, então, lhe diz: “Não contes nada a ninguém!”. Como você se sentiria?

A lição do Evangelho

No entanto, diante desse texto do Evangelho, penso ser esta uma importante lição: o essencial não é o como nos sentimos diante da ordem de Jesus, e sim o como correspondemos. Jesus deu essa orientação ao “ex-leproso” que, apesar de sentir-se finalmente livre e alegre diante da graça alcançada, não correspondeu ao que Jesus lhe disse. Os sentimentos do leproso curado eram maravilhosos, intensos, bonitos de serem admirados.

Você já parou para observar o semblante de satisfação e de júbilo de uma pessoa curada, liberta, agraciada por Deus? É um sorriso diferente. É um olhar diferente, que brilha, simplesmente brilha. Creio que assim estava o ex-leproso: feliz! Imensamente feliz. No entanto, ele não obedeceu ao Senhor.

Obediência requer disciplina

Fica aqui o alerta de Deus para nós: não vale muita coisa os sentimentos serem dos mais belos e as atitudes serem das mais insensatas. Obediência requer disciplina! Eu e você precisamos aprender a não gastarmos mais tempo “questionando” as ordens de Deus. O tempo que perdemos questionando, ganharíamos de fazer obedecendo. Discipline-se! Obedecer é crer. Quem obedece a Deus, por mais estranha que pareça a ordem dada, é alguém que, acima de tudo, acredita que Deus sempre tem o melhor reservado lá na frente.

Ao leproso purificado foi pedido um testemunho dado no silêncio. É o testemunho mais difícil de ser dado, pois o que a boca não revela é preciso então ser revelado em atitudes bem concretas. E isso exige muita coerência de vida. Quando Jesus diz ao leproso: “Não contes nada a ninguém!” Na verdade ele está dizendo: “Não use apenas a sua boca para testemunhar! Use da sua vida também! Use das suas atitudes! Que cada gesto seu fale mais do que mil palavras…”.

A força e a necessidade do testemunho coerente

Aproveito aqui para deixar claro que não sou contra quem testemunha com palavras. Muito pelo contrário: acho importantíssimo testemunhar as maravilhas que Deus realizou em nossa vida. Penso que, todo mundo precisa saber sim! Se não houvessem pessoas capazes de testemunharem com a própria boca que Jesus é o Senhor e que Ele ressuscitou, verdadeiramente, eu e você, hoje, não estaríamos dizendo com alegria: “Somos católicos! Graças a Deus!” (É só pensar em quem foi o apóstolo Paulo e o que ele fez).

Sinto que, infelizmente, há pessoas que testemunham uma conversão irreal. Testemunham de um jeito inconsequente. Dizem: “Jesus mudou meu coração! Sou uma nova pessoa!” Mas continuam gritando com seus pais, brigando com a esposa, culpando o marido por tudo, batendo nos filhos dentro das quatro paredes… E, ao chegarem dentro da Igreja, colocam uma “máscara de sorriso”, dão “a paz de Jesus” para todos e escondem situações interiores muito mal resolvidas e que precisam urgentemente de cura e de tratamento.

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Termino esta reflexão com este convite: “Faça esta experiência: não contes nada a ninguém! Apenas viva com a própria vida a força transformadora do Evangelho”.

Então, a sua esposa, o seu marido, os seus filhos, os seus pais, as pessoas que te cercam perceberão a sua mudança e também mudarão, pois você mudou por primeiro em atitudes e não “só de boca”.

E acredite: “Isso lhes servirá de testemunho”.

Um abraço fraterno.

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Alexandre Oliveira

Membro da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Alexandre é natural da cidade de Santos (SP). Casado, ele é pai de dois filhos. O missionário também é pregador, apresentador e produtor de conteúdo no canal ‘Formação’ do Portal Canção Nova.

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