Cura do coração

Como tratar as lepras de nossa alma?

Somente quem se propõe a cuidar das pessoas com misericórdia consegue cicatrizar as feridas expostas

Desfigurado e peregrinando quase sem vida, um leproso encontrou-se com o Senhor. Com certeza, já havia ouvido algo sobre as curas que Jesus realizava. Diante dele, encontrava-se, agora, a possibilidade de ter sua vida transformada. Aproximou-se do Senhor e Lhe disse: “Senhor, se quiseres pode purificar-me”. Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe e disse: “Quero, fica limpo”. (cf. Mt 8,1-4).

Como trabalhar as lepras da alma -  940x500

O milagre aconteceu, a lepra foi banida da vida daquele que antes caminhava sem rumo nem direção. Em Jesus, aquele homem encontrou não somente a cura para a sua enfermidade, mas teve a sua dignidade de pessoa humana resgatada. Lembremos que, naquele tempo, um leproso era excluído do convívio social e religioso. Segundo a concepção da época, quem tinha lepra carregava a condenação pela punição de um pecado grave que havia cometido. Excluído da presença de Deus pela sociedade religiosa e afastado da comunidade, não lhe restava outra alternativa a não ser mendigar compaixão das pessoas de boa vontade.

Muitos carregam lepras em sua alma. Muitas delas adquiridas por erros, escolhas mal feitas, rótulos impostos pela sociedade, discriminação, feridas espirituais e psicológicas não cicatrizadas.

Jesus, com Sua misericórdia e ternura, aproxima-se de todos nós que carregamos em nossa alma as marcas da lepra ainda não curada. Ele se aproxima de nós, toca-nos com Seu amor e restaura nossa vida. Mesmo sendo impuros, o Senhor deseja nos devolver a vida em plenitude que um dia sonhou para cada um de nós.

Para curar as lepras de nossa alma é necessário que nos reconheçamos enfermos. Não há cura para quem não consegue diagnosticar suas doenças.

Esse é o primeiro passo: dar nome às nossas lepras. Para executar esse passo, é necessário coragem diante daquilo que em nós se encontra enfermo. Não tenhamos medo de olhar nossas mazelas com olhar de misericórdia. Examinemos nossa consciência com a certeza de quem busca iniciar uma vida nova.

O segundo passo é procurarmos o sacramento da confissão. Apresentarmos a Deus, por intermédio de um presbítero, nossas lepras. Rasgar o coração, abrir o livro da vida, deixar Deus olhar nossas feridas abertas e ainda não curadas. Somente com o perdão de Deus derramado como bálsamo em nossas lepras vamos trilhar um caminho de cura. O amor do Pai devolve-nos a dignidade que as lepras do pecado roubaram.

Uma vez diagnosticadas nossas lepras e confessadas nossas enfermidades, precisamos buscar um novo caminho. Somente quem se propõe a cuidar das pessoas com misericórdia consegue cicatrizar as feridas expostas. Deus derrama sobre nós o bálsamo da misericórdia, mas é preciso que cuidemos das feridas diariamente, para que elas não voltem a sangrar.

Somente uma vida de oração, alimentada pela Eucaristia, fortalecida pelo sacramento da confissão e alicerçada pela perseverança será o caminho que curará as lepras de nossa alma. Jesus quer nos curar, no entanto, é preciso que desejemos, do mais profundo do nosso coração, essa cura e busquemos fazer a nossa parte no processo de uma vida nova, agora vivenciada sob a misericórdia e a ternura de Jesus Cristo. Quer ser curado? Comece hoje mesmo a fazer a sua parte e busque em Cristo uma vida em plenitude.


Padre Flávio Sobreiro

Bacharel em Filosofia pela PUCCAMP e Teólogo pela Faculdade Católica de Pouso Alegre (MG), padre Flávio Sobreiro é vigário paroquial da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Santa Rita do Sapucaí (MG), e padre da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). É autor do livro “Amor Sem Fronteiras” pela Editora Canção Nova. Para saber mais sobre o sacerdote e acompanhar outras reflexões, acesse: facebook.com/peflaviosobreiro

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