Marcas profundas

O amor é o que cura

Precisamos ser portadores do amor que cura, salva e liberta

Todos nós somos carentes por receber e dar amor. A história de muitos de nós foi marcada por ausência de amor, tanto materno, paterno, dentre outros. Essa ausência marca toda a vida de uma pessoa.

Muitos, por não receberem amor dos pais desde o ventre da mãe, se sentem rejeitados, não são aceitos pelas pessoas; complicam sua sexualidade vivendo um desequilíbrio. A falta de amor deixa marcas profundas, feridas, que só o amor de Deus e o amor puro das pessoas podem curar.

Foto ilustrativa: Paula Dizaró / cancaonova.com

A falta desse amor genuíno e puro leva a pessoa à angústia, autopiedade, desequilíbrio emocional e psíquico, sentimentos de inferioridade e incapacidade, timidez, fechamento de si mesmo. A pessoa não é bem resolvida interiormente e profissionalmente, fica no pula-pula, nada satisfaz sua vida. O seu relacionamento com Deus Pai é rompido, pois começa a comparação com o pai biológico.

Minha história, minhas feridas

Comigo aconteceu o seguinte: tendo nascido com 7 meses, em casa, nasci muito magro, doente e com poucos quilos. Fui rejeitado pela minha mãe desde o nascimento, pois ela tinha literalmente “nojo” de mim por ser tão pequeno e muito sensível. Quem teve que cuidar de mim foi minha avó, que me dava banho e alimento. Até para mamar minha mãe nem tocava em mim.

Quando cresci e fiquei sabendo de tudo o que aconteceu em minha vida, pude entender toda frieza e rejeição que tinha por minha mãe. E meu pai sempre foi um carrasco comigo e meus irmãos, nunca recebi o amor dele. Cresci um jovem com raiva da vida, fechado em mim mesmo, sem ânimo para viver. Não me aceitava e nem aceitava os pais que tinha. E a minha vida foi marcada por traumas e complexos: inferioridade, incapacidade, rejeição, culpa, etc. Eu não vivia, e sim vegetava sem saber.

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Mas, quando experimentei o verdadeiro amor de Deus, as coisas foram mudando e dando sentido à minha vida. Pude encontrar, nos irmãos em Cristo, o verdadeiro amor puro, e esse curou as minhas feridas.

Quando entrei para a Comunidade Canção Nova, tinha muitas feridas em relação ao amor. Era muito fechado, não ria, mas experimentei o amor puro dos irmãos de comunidade. Principalmente quando morei em Palmas-TO, senti-me totalmente curado por tanto amor que tinha recebido por parte dos meus irmãos e irmãs durante aquele tempo. Hoje, sinto-me uma pessoa muito amada. O amor tem realmente o poder de curar. E, por isso, hoje sou portador do amor que cura e tenho ajudado muitas pessoas a descobrirem esse amor de Deus.

Fazer da vida um testemunho de amor

“Tornai-vos, pois, imitadores de Deus, como filhos amados, e andai em amor, assim como Cristo também nos amou e se entregou por nós a Deus, como oferta e sacrifício de odor suave” (Ef 5,1-2).

Quero ser esse imitador de Cristo no amor e na Misericórdia. Tenho procurado andar em amor (que significa estar em estado de amor ou viver o modo de amor). Precisamos ser amor para os outros, injetar amor na vida das pessoas. Ser portadores do amor que cura, salva e liberta.

Não posso ser menos que amor para as pessoas. Dar amor puro, genuíno e sem compromisso.

A sua vida precisa ser um testemunho de amor. Não um amor de interesse ou um sentimento, mas aquele que vai além das palavras e conceitos filosóficos. O amor que é o próprio Deus. Realmente, o amor tem poder de ressurreição; e o amor é o que cura.


Padre Reinaldo Cazumbá

Sacerdote membro da Canção Nova, estudante de psicologia, atua no Instituto Teológico Bento XVI e também exerce a função de diretor espiritual dos futuros sacerdotes da comunidade. Autor do livro: “Onde está Deus?”. Acesse: blog.cancaonova.com/padrereinaldo

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