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Jesus precisa curar as profundas feridas familiares

As feridas familiares são geradas por três motivos

Na vida familiar, acontecem situações que provocam feridas profundas nas pessoas que a compõe: esposo, esposa e filhos. Quantos sofrimentos são gerados por causa de comportamentos que se observam nas pessoas e que acabam ferindo as outras!

Neste texto, quero partilhar, por meio do que colhi em minhas pesquisas e experiência de vida, três causas importantes que provocam as feridas que precisam ser curadas na vida familiar.

Jesus-precisa-curar-as-profundas-feridas-familiares-Foto: Aldo Murillo by Getty Images

Primeira causa: a rejeição

No seio da família acontecem muitos casos de rejeição: pai que rejeita o filho, porque este apresenta algum comportamento negativo ou não de acordo com suas expectativas; mãe que rejeita a filha, porque esta tem manias ou por ciúme e até inveja; filha ou filho que rejeita o pai, porque este bebe, fuma ou tem outros pecados; esposa que rejeita o marido (até em situações de sexualidade conjugal); esposo que rejeita a esposa e assim por diante.

A rejeição provoca rupturas interiores profundas no laço do relacionamento humano e se manifesta em sentimentos de mágoa, fechamento e individualismo. O pior é quando a pessoa acaba se sentindo rejeitada por todos, até por Deus. Para fechar essa ferida, é preciso pedir a força do Espírito Santo e o exercício da acolhida mútua, da aceitação do outro como ele é, com defeitos, imperfeições e pecados. No lugar da atitude de rejeitar, colocar a atitude de aceitar e amar.

Segunda causa: a desavença

Você pode observar como a raiz de todas as brigas na família é porque damos lugar às desavenças, agressões e brigas. São discussões enormes, as pessoas acabam não se entendendo mais e, por qualquer coisa, acabam se agredindo com palavras e, às vezes, até com socos e tapas. O que mais acontece é a agressão moral: palavras que destroem, de acusação e constrangimento.

São pais que ainda agridem seus filhos: batem, brigam, xingam e ofendem. Filhos que perderam totalmente o respeito pelos seus pais. Esposos que agridem suas esposas e as humilha, muitas vezes, na frente dos filhos. Tudo gera sentimento de ódio e vingança, revolta e indignação, perda de sentido da própria vida.

Como curar isso? Com as palavras de Jesus: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. Exercitar a virtude da tolerância, pedir a graça de ser controlado em seu temperamento pelo Espírito Santo. É preciso rezar e pedir um coração manso e humilde como o de Jesus, para ser curado dessas feridas todas e buscar o diálogo, a conversa franca e amiga.

Terceira causa: a indiferença

Em muitas famílias não acontece a rejeição, nem qualquer tipo de agressão, mas as pessoas deixaram de ser carinhosas e atenciosas entre si. As situações de trabalho e a correria do dia a dia levaram-nas a ter atitudes de indiferença. Pais que não estão nem preocupados com seus filhos, que deixaram de colocá-los no colo e de lhes fazer um gesto de carinho e afeto.

Entre irmãos, vemos que cada um vive sua vida de forma independente, sem qualquer tipo de envolvimento afetivo. Entre cônjuges, então, a situação é caótica: às vezes, eles até têm relações conjugais, mas com frieza, cada um buscando seu próprio prazer.

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Isso tudo provoca a fuga (bebida, drogas, fumo) para compensar a necessidade humana de amar e ser amado. Dessa forma, acontecem os divórcios e separações. Filhos que saem de casa para viver sua vida, por não suportarem um relacionamento frio e sem amor.

Jesus pede que recebamos um novo Pentecostes, como um derramamento do Espírito Santo, para que transborde o amor de Deus de nós e passemos a distribuir amor e carinho principalmente entre os de casa. É essa a vontade de Deus, como disse o saudoso Papa João Paulo II: que se construa uma civilização do amor no seio familiar (Familiares Consortio).

Depois dessa reflexão, que o nosso coração rejeite tudo que destrói nossos relacionamentos e nos apropriemos da graça de começar de novo, de retomar uma vida vivida no amor. Que Deus nos ajude nisso.

Diácono Paulo Lourenço, membro do segundo elo da Comunidade Canção Nova

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