Não tenho tempo

“Não tenho tempo, não deu tempo, faltou tempo, hoje não tenho tempo…”
Estas frases tão comuns nos nossos dias sempre me incomodaram.
Outro dia, ouvi alguém dizer: “Vinte e quatro horas não são mais suficientes para fazer tudo que preciso, meu dia precisava ter mais algumas horas.”

Fico pensando… Se Deus fez tudo tão perfeito, deu-nos as horas necessárias para cada dia, por que não conseguimos viver bem o tempo que temos?
Vejo pessoas ansiosas, correndo de lá para cá, sempre apressadas, falando rápido ou nem mesmo parando para falar, porque não podem perder tempo. Outros se gabam em dizer que fazem muitas coisas. Já ouvi até dizerem que são capazes de fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo.

Que seres são estes? Será que são humanos?
Não duvido da capacidade que temos de usar nossos dons com tanta eficiência, ou seria auto-suficiência?
Que necessidade é esta de mostrarmos que somos bons e capazes?
Seria necessidade de auto-afirmação ou medo de perdermos nosso lugar e prestígio?

Vivemos num mundo cheio de medos, inseguranças, isso nos angustia, nos coloca diante de uma necessidade grande de buscarmos fazer muitas coisas afim de nos realizarmos… provarmos de repente para nós mesmos que somos capazes.

Esse negócio de que tudo tem que ser para ontem, de que não podemos perder tempo, que tempo é dinheiro, e tantas outras expressões, têm nos afastado das pessoas, tem nos feito perder este contato tão precioso com quem amamos. Vamos nos tornando frios, indiferentes, quase nos tornamos seres virtuais.
Falamos, sorrimos por códigos, como fazemos ao usaras teclas do nosso computador. Já não sentimos mais o calor do abraço, aquele beijo molhado na face… Tem tanta gente que já não sabe mais como é gostosa aquela apertadinha na bochecha como um gesto de carinho. Quanta frieza em nossas atitudes!

A modernidade chegou em nossas vidas!
Estamos tão modernizados, que beijos, abraços, sorrisos… Somente virtuais. O “bom dia” já caiu de moda. Hoje acenamos com a cabeça ou com a mão sem nos aproximarmos muito das pessoas com medo de que elas roubem o nosso tempo.

Ah! Como eu queria que o tempo parasse meu Deus! Queria que parasse só um pouquinho, para que a nossa consciência nos fizesse ver que à nossa volta existem pessoas que sobrevivem de amor, manifestado em gestos.

Queria que meus olhos pudessem também ver muito mais do que os meus próprios interesses, que vissem em cada pessoa a tua presença, para que eu pudesse te amar no outro, e também, que Tu pudesses amar através de mim, do jeitinho que fazias com as pessoas… Nunca perdias tempo. Ao contrário, encontravas tempo para todos, ninguém passava desapercebido aos teus olhos. Aliás, olhavas cada um nos olhos, penetravas a alma das pessoas, tocava-as com tua mão. Quanta afetividade em teus gestos!

Dá, Senhor, a nós, “humanos”, uma humanidade que nos faça de fato dignos de sermos chamados “seres humanos”, filhos de Deus!

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