Fugindo da superficialidade

Entenda a importância de fugir da superficialidade

Conta-se que Madre Tereza, em uma de suas inúmeras viagens, encontrou, na estação que acabara de desembarcar, uma religiosa conhecida que estava de férias. A Madre teve dificuldades de reconhecer a moça, pois esta se vestia como uma dama, com trajes finos e sofisticados.

Fugindo-da-superficialidadeFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Percebendo a admiração da madre, a religiosa apressou-se em explicar que vestia-se daquela forma, porque estava de férias e assim ninguém iria reclamar seus favores.

Madre Tereza, sem palavras, a acolheu com um abraço e seguiu apressada, pois não podia perder o próximo trem. A jovem também seguiu seu percurso, caminhando pelas ruas de sua cidade natal e respirando o puro ar daquele ensolarado fim de tarde. Até que, de repente, viu-se perseguida por um maníaco, que, correndo, tentava alcançá-la.

A jovem correu com todas as suas forças, até que encontrou um posto policial onde o guarda de plantão a acolheu, livrando-a do perseguidor. Quando recobrou o ânimo, a moça pois-se a agradecer, e contou sua história um tanto indignada.

“Como esse homem ousa perseguir assim uma religiosa, esposa de Cristo?”, dizia ela como que num desabafo.

O guarda, que ouvia todo o relato com atenção, rompeu seu silêncio para tirar algumas conclusões: “Por que a senhora acreditou que eu poderia ajudá-la, se nunca me viu antes e não saberia se sou bom ou mal?”, perguntou ele. A religiosa respondeu imediatamente: “Pela farda que o senhor está usando, logo reconheci que é policial, portanto, tem a missão de ajudar quem precisa”. Ao que ele respondeu: “Pois é, como a senhora não está vestida com seu hábito, o maníaco não pode perceber que é religiosa, portanto, esposa de Cristo”.

Se o fato é real ou ficção, eu não sei, mais que me ensinou muito, isso tenho certeza!

Assumir a sua identidade

Assumir quem realmente somos, onde quer que estejamos, talvez seja a forma mais segura de contarmos sempre com o socorro divino. Quem disse, no entanto, que a verdade brilha em nossos dias? Querendo ou não, vemo-nos cercados por superficialidades e disfarces, seja nos relacionamentos profissionais ou pessoais. É fácil perceber que lidamos com pessoas que não assumem, de fato, quem são, mentem para si mesmas e enganam-se enquanto são enganadas.

O desafio é, portanto, irmos além das aparências e procurarmos entender o que se passa por trás da imagem apresentada, ponderando conclusões precipitadas.

É preciso confirmar a verdade. Aliás, a palavra confirmar é sempre muito usada na internet. Quando criamos um e-mail ou vamos obter uma senha, por exemplo, temos de confirmar nossa ação. Vamos também confirmar nossa verdade. Sejamos autênticos no que diz respeito ao que somos e a nossa missão de cada dia. O que não nos faltará serão oportunidades para tal.

História

Recordo-me de um fato vivido alguns anos atrás quando esperava meu voo no Aeroporto de Guarulhos (SP). Enquanto me entretinha com minhas leituras, num lugar reservado, percebi a aproximação de um homem, que parecia necessitar de ajuda. Fiz o sacrifício de fechar o livro e me dispus a ouvi-lo.

Para minha surpresa, logo perguntou-me se eu pertencia à Comunidade Canção Nova. Respondi-lhe que sim, e começamos a dialogar. Ele me disse que sua mãe gostava muito da Canção Nova e era, por sinal, minha ouvinte. Tentei ajudá-lo, e quando tudo já estava resolvido, segui viagem.

Durante o voo, voltei a pensar no rapaz e veio-me um questionamento: se sua mãe era minha ouvinte, significa que talvez só conhecia minha voz, e ele nem minha voz conhecia, pois fez questão de explicar que a ouvinte era a mãe, não ele. Como será que descobriu que eu sou da Canção Nova?

Até hoje não tenho essa resposta, mas Deus me fez compreender que Ele, em sua bondade infinita, costuma quebrar as regras até mesmo da natureza para favorecer os seus. Sabendo do meu tempo disponível, quis contar comigo para ajudar aquele rapaz que, talvez em prece, havia pedido Seu auxílio. Fui apenas um instrumento de Deus. Conformo-me com essa descoberta que torna mais fácil meu entendimento.

Quando li sobre o fato que se passou com a religiosa conhecida de Madre Tereza, fiquei pensando quantas vezes passamos por apuros ou deixamos de ajudar quem precisa, por não assumirmos, de fato, quem somos. Optamos, talvez de forma inconsciente, pelo superficial e, aos poucos, livramo-nos do dever de ajudar este mundo a ser melhor. Dessa maneira, sem perceber, vamos vivendo num clima de insegurança e tensões por falta da verdade.

Conta-se que Madre Tereza costumava ensinar as irmãs que saiam em missão: “Acendam a luz da verdade na vida de cada pessoa, para que, deste modo, Deus continue amando o mundo por meio delas e de vós”. 

Que o Senhor nos ajude a também agirmos assim no dia de hoje e sempre!


Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Djanira reside na missão de São Paulo, onde atua nos meios de comunicação. Diariamente, apresenta programas na Rádio América CN. Às terças-feiras, está à frente do programa “De mãos unidas”, que apresenta às 21h30 na TV Canção Nova. É colunista desde 2000. Recentemente, a missionária lançou o livro “Por onde andam seus sonhos? Descubra e volte a sonhar” pela Editora Canção Nova.

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