Educação para o Pudor e a Amizade

O pudor, componente fundamental da personalidade, pode ser considerado – no plano educativo – como consciência vigilante que defende a dignidade do homem e o amor autêntico. Isto tende a reagir contra determinadas atitudes e a refrear comportamentos que ofuscam a dignidade da pessoa. É um meio necessário e eficaz para dominar os instintos, para fazer brotar o amor autêntico, para integrar a vida afetivo-sexual dentro de uma certa harmonia da pessoa. O pudor tem um grande alcance pedagógico e deve, por isso, ser valorizado. Crianças e jovens aprenderão, assim, a respeitar o seu corpo como dom de Deus, membro de Cristo e templo do Espírito Santo; aprenderão a resistir ao mal que os envolve, a ter um olhar e uma imaginação límpida, a procurar expressar no encontro afetivo com as pessoas um amor verdadeiramente humano com todas os seus componentes espirituais.

Para esta finalidade sejam-lhes apresentados modelos concretos e atraentes desenvolvendo o sentido da virtude estético, inspirando neles o gosto do belo presente na natureza, na arte e na vida moral; sejam educados os jovens a assimilar um sistema de valores sensíveis e espirituais num impulso desinteressado de fé e de amor.

A amizade é o ápice da maturidade afetiva e se diferencia da simples camaradagem pela sua dimensão interior, por uma comunicação que permite e favorece a verdadeira comunhão, pela recíproca generosidade e a estabilidade. A educação para a amizade pode tornar-se um fator de extraordinária importância para a construção da personalidade na sua dimensão individual e social.

Os vínculos de amizade que unem os jovens dos diferentes sexos, contribuem para a compreensão e a estima recíproca, quando eles se conservam nos limites de normais expressões afetivas. Se, pelo contrário, se tornam ou tendem a tornar-se manifestações de tipo genital, eles perdem o autêntico sentido de amizade amadurecida, prejudicando os aspectos relacionais em ato e as perspectivas futuras em referência a um eventual matrimônio, tornam-se menos atentos a um possível chamamento para a vida consagrada.

Fonte: Vatican

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