Carismas: dons de Deus para o serviço
Os carismas, dons extraordinários concedidos pelo Espírito Santo, são manifestações do amor de Deus em nosso meio. Eles nos capacitam a servir, edificar a Igreja e levar a Boa Nova a todos. No entanto, a linha entre a caridade genuína e a autopromoção pode ser tênue, exigindo de nós um constante discernimento e vigilância espiritual.
A verdadeira essência da caridade
Os dons espirituais são, em sua essência, instrumentos de misericórdia espiritual. Eles não são para nossa glória pessoal, mas para o resgate das ovelhas perdidas, para a edificação do Corpo de Cristo. Como servos de Deus, somos chamados a usar esses dons com um coração despojado, buscando unicamente a vontade divina e o bem do próximo. A caridade, como nos ensina São Paulo, é paciente, benigna, não invejosa, não se ufana, não se ensoberbece.
A autopromoção
A tentação do orgulho espiritual é uma realidade constante. Quando os dons são utilizados para buscar reconhecimento, aplausos ou para elevar a própria imagem, desvirtuam-se de seu propósito original. O demônio, astuto, busca desviar aqueles que são usados por Deus, transformando o serviço em vaidade e o dom em instrumento de perdição pessoal. É um alerta para que não nos percamos, mesmo salvando muitos, como o próprio São Paulo temia.
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Para trilhar o caminho da santidade e usar os carismas de forma autêntica, a humildade e a submissão à autoridade da Igreja são pilares inegociáveis. Elas nos protegem das armadilhas do ego e nos mantêm firmes na fé.
A importância da Igreja e da autoridade
O Catecismo da Igreja Católica afirma categoricamente que nenhum carisma dispensa da reverência e da submissão os pastores da Igreja. Andar com a Igreja, submeter-se à autoridade de um sacerdote, que foi instituído por Cristo, é fundamental. Ele é a nossa autoridade e nos ajuda a trilhar o caminho de santidade. A vivência em comunidade e o acompanhamento espiritual são essenciais para exercitar os dons infusos e as virtudes, caminhando na simplicidade e humildade.
Aprendendo com Corinto
A comunidade de Corinto, rica em dons espirituais, é um exemplo claro dos perigos do orgulho. Por se acharem demais, caíram no pecado, que abriu portas para outros pecados, causando escândalos na Igreja. Este episódio serve como um poderoso alerta: quando o orgulho, a vaidade e a soberba se instalam, a verdadeira caridade se esvai, e o propósito dos dons é corrompido.
A meta final: o céu
Nosso objetivo maior, como cristãos, é alcançar o céu. Os carismas são ferramentas preciosas nessa jornada, mas devem ser usados com a consciência de que a “escada para o céu” é construída com humildade, austeridade e amor.
É crucial pedir a Deus a graça de exercer os dons sem perder de vista o chamado e o objetivo final. Se o Senhor cura alguém através de nós, não somos nós que fazemos, mas Ele. Perder essa perspectiva pode levar à soberba, ao desprezo pelo próximo e à perda da nossa própria salvação. A meta é a salvação de todos, e o caminho é a humildade e o amor.
Transcrito e adaptado por Rophiman Souza





