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A sociedade nos torna escravos do padrão de beleza

Será que eu sou escravo do padrão beleza?

A pergunta que tenho a fazer inicialmente é: você está satisfeito com sua imagem corporal? O que você vê refletido no espelho tem gerado bons sentimentos ou insatisfação? É interessante pensar que, nos últimos tempos, os valores sociais vêm passando por transformação. O que, anteriormente, era valorizado, como o intelecto e o trabalho, hoje tem perdido espaço para a beleza estética. O padrão de beleza corporal, que anteriormente era curvilíneo e robusto, agora é esquálido e longilíneo. Nunca se viu tantos anúncios que vendem aquela receita milagrosa de emagrecimento, o segredo da juventude ou como conquistar a pele perfeita.

A sociedade nos torna escravos do padrão de beleza

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Somos bombardeados, a todo instante, com imagens de homens e mulheres de beleza sem igual. Um corpo escultural, que parece até desenhado, pele, cabelo, dentes e roupas que nos tiram o fôlego e geram um desejo de ser e ter tudo aquilo. Afinal, o corpo se torna belo e atraente quando olhado e desejado.

É fato: somos assediados por esse corpo “perfeito”, que, de forma discreta, mas assertiva, constrói uma geração de consumidores descontrolados e insatisfeitos. Insatisfeitos? Sim, insatisfeitos! Pois jamais alcançaremos o padrão de perfeição. Mesmo que nos assemelhemos em algumas coisas, não seremos iguais. Sabe por quê? Simplesmente, porque somos únicos, e não encontraremos outro exemplar nosso caminhando por aí. Então, esse sonho não será alcançado. Honestamente, você pensa assim?

Equilíbrio entre corpo e mente

A marca Dove encomendou uma pesquisa mundial sobre a beleza, para realizar uma campanha publicitária da beleza feminina e sua individualidade. Nela, encontrou o seguinte resultado: apenas 1% das mulheres brasileiras se descreviam como bonitas; 13% afirmam que apenas as top models são bonitas. As brasileiras estão em segundo lugar no ranking de insatisfação física, perdendo apenas para as japonesas.

Assim, surgem homens e mulheres obcecados pela beleza e tudo aquilo que ela oferece como ganho secundário, esquecendo que o ser humano é mais que um corpo físico. Ele também é espiritual, social e psíquico, mas, nesse caso, entra em adoecimento por não conseguir corresponder a um padrão imaginário.

O índice de transtornos alimentares e de imagem têm aumentado muito, não apenas em nosso país, mas no mundo inteiro. Tudo isso, porque a busca pelo corpo ideal tomou uma proporção doentia. No entanto, provoco a cada um com a seguinte questão: O que eu quero do meu corpo? O que ele é capaz de me oferecer? Duas perguntas simples que, sendo respondidas, fazem surgir a verdadeira beleza e o equilíbrio entre corpo e mente, pois não adianta querer ser como aquela pessoa se não sou ela.

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Procedimentos estéticos

Uns tem lábios pequenos e desejam aumentá-lo; outros tem lábios grandes e desejam diminuí-lo. Uns, seios grandes; outros, pequenos. E por aí vão se perdendo! Pois, em busca de uma perfeição imaginária, perdem sua identidade, tornando-se aquilo que não são. Não digo que são errados os procedimentos estéticos; eles são maravilhosos e nos tornam mais belas e belos, mas a questão levantada é: o quanto tenho gastado com tudo isso? E após investir esse valor, tenho ficado satisfeito com o resultado? Feliz com a imagem refletida no espelho? Ou a cada dia que passa encontro um “defeito”?

Quanto do seu tempo e do seu dinheiro você tem investido em algo que, no fim, fica frustrado? Isso é escravidão! Encontrar-se com si mesma, dentro desse corpo que possui, reconciliar-se com ele e tirar o melhor de você, trará para fora a melhor beleza que você tem. Por isso, cuidado! Vivemo s em uma sociedade narcísica e doente, construída por nós mesmos, que se apaixona pela própria beleza e vive em função dela!


Aline Rodrigues

Aline Rodrigues é missionária da Comunidade Canção Nova, no modo segundo elo. É psicóloga desde 2005, com especializações na área clínica e empresarial e pós-graduada em Terapia Cognitiva Comportamental. Possui experiência profissional tanto em atendimento clínico, quanto empresarial e docência.

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