Um sentimento chamado paixão

Quando se fala de paixão, freqüentemente fazemos ligação com algo relacionado ao amor ou ao sexo. De alguma maneira, esta se caracteriza por nos impulsionar a realizar nossos mais profundos desejos.

De outra maneira muito particular, sabemos que a paixão também está relacionada à dor e ao sofrimento. Na história da humanidade, é conhecida a atitude d’Aquele que, por viver um profundo amor por cada um de nós, e ultrapassando todos os limites, viveu o extremo da sua paixão, entregando-se à morte.

Impulsionados pelo desejo intenso de alcançar um objetivo e presos à mágica do sentimento da paixão, também estaremos dispostos a viver o extremo de nossas escolhas. Quando estamos apaixonados, este sentimento faz disparar o coração, nos tira a fome e nos faz suspirar ao ouvir ou pronunciar o nome da pessoa amada, que nos atrai a atenção. Sem olhar o que teríamos de deixar para trás, troca-se horas por ricos segundos na companhia de quem nos encanta.

O sentimento de se estar apaixonado, deverá ser forte o bastante para propiciar o nascimento de um relacionamento duradouro. Tal qual a chama momentânea de um simples fósforo, a paixão deverá ser capaz de acender o “pavio” do verdadeiro amor. A paixão constrói e abre o caminho para firmar o germe do amor dentro do relacionamento a dois. Contudo, embora envolvidos completamente por este sentimento, não podemos perder de foco o interesse pelas descobertas dos valores e qualidades daquele (a) que nos faz sonhar, a fim de avaliar o futuro desse relacionamento.

Como que escondidos nas facetas da paixão, parecem estar os efeitos anestésicos de um desejo, que, muitas vezes, inibe nossa razão e minimiza nossa racionalidade. Seduzidos por uma inebriante atração e impulsionados pelo sentimento fugaz da paixão, podemos desejar nos arriscar a fazer coisas que poderiam trazer a destruição de outros fortes relacionamentos ou investir nossos esforços em uma relação sem futuro e sem esperança.

Às vezes, dispostos a romper os limites, quebrar nossos próprios conceitos ou sedados pelo desejo da paixão, poderíamos enveredar por caminhos sombrios, os quais teriam como conseqüência uma relação traumática para todas as pessoas envolvidas. Não estamos isentos de – por motivos adversos e dentro de algumas dificuldades momentâneas em nossos relacionamentos –, viver ou nos deixar conduzir por um permissivo desejo, criados a partir de fantasias e ilusões, acreditando que com uma outra pessoa nossa vida poderia ser diferente. E antes mesmo que sejamos totalmente tomados por tais desejos é necessária a retomada da lucidez, a qual poderá vir com a ajuda de alguém muito próximo.

Numa situação assim, acredito ser necessário uma retomada urgente de atitudes, no sentido de resgatar os valores que foram os alicerces de nossos relacionamentos e de nossas responsabilidades. O amadurecimento e a integridade de quem nos aconselha poderão nos ajudar a ver e a reafirmar a importância de estabelecer nossos relacionamentos no amor verdadeiro, e não apenas no sentimento transitório da paixão.

Deus nos abençoe.


Dado Moura

Dado Moura trabalha atualmente na  Editora Canção Nova, autor de 4 livros, todos direcionados a boa vivência em nossos relacionamentos. Outros temas do autor estão disponíveis em www.meurelacionamento.net twitter: @dadomoura facebook: www.facebook.com/reflexoes

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