Conheça um pouco da história de Fulton Sheen e sua relação com a televisão
O arcebispo Fulton Sheen nasceu em 8 de maio de 1895, em El Paso, Illinois, EUA. Foi ordenado sacerdote, em 20 de setembro de 1919, para a Diocese de Peoria. Foi ordenado bispo e exerceu o episcopado, entre outras funções, como bispo de Rochester. Morreu em 9 de dezembro de 1979, em Nova York.
O grande arcebispo americano será beatificado o dia 24 de setembro. Foi grande escritor e pregador, conseguiu levar a doutrina católica para milhões de pessoas por meio da pregação, dos livros, do rádio e da televisão, que soube aproveitar muito bem.

Crêdito: Domínio Público / Wikimedia Commons.
Fulton Sheen era dotado de grande inteligência e extraordinária capacidade de comunicação. Tornou-se conhecido por sua capacidade de explicar verdades profundas com linguagem simples, atraente e muitas vezes surpreendente. Ele disse, por exemplo, que: “Talvez não haja nos Estados Unidos uma centena de pessoas que odeiam a Igreja Católica, mas há milhões de pessoas que odeiam o que erroneamente supõe o que seja a Igreja Católica”.
Em outra ocasião disse: “Se eu não fosse Católico e estivesse procurando a verdadeira Igreja no mundo de hoje, eu iria em busca da única Igreja que não se dá muito bem com o mundo. Em outras palavras, eu procuraria uma Igreja que o mundo odiasse”.
Fulton J. Sheen foi um dos grandes comunicadores católicos do século XX. O centro de sua vida era Jesus Cristo. Para ele, evangelizar não significava simplesmente transmitir informações religiosas. Era levar a pessoa a uma conversão pessoal e profunda a Cristo.
Um dos seus grandes temas era a necessidade de colocar Deus novamente no centro da existência humana. Ele denunciava aquilo que considerava as grandes tentações do homem moderno: materialismo, relativismo, individualismo, busca excessiva do prazer e perda do sentido sobrenatural da vida.
Sua obra evangelizadora ganhou uma dimensão extraordinária através dos meios de comunicação. Seu programa televisivo “Life Is Worth Living” (Vale pena viver) alcançou uma enorme audiência nos Estados Unidos.
Sheen aparecia diante das câmeras praticamente sozinho, utilizando apenas uma pequena lousa ou quadro, e conseguia prender a atenção do público falando sobre Deus, pecado, conversão, família, sofrimento, moral cristã, Eucaristia, Nossa Senhora, sacerdócio, vida eterna, problemas da sociedade moderna.
Ele percebeu muito cedo que os meios de comunicação poderiam tornar-se instrumentos de evangelização, como enfatizou o Papa São Paulo VI, em 1974, na Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi.
Obras de Fulton Sheen
Sua produção literária também foi muito extensa. Entre suas obras mais conhecidas estão: “Filosofia da Religião – O Impacto da Cultura Moderna sobre a Religião” (AGIR editora, Rio de Janeiro, 1960). “Life of Christ” – A Vida de Cristo, é uma das suas obras mais importantes. Apresenta a vida de Jesus procurando mostrar não apenas os acontecimentos do Evangelho, mas o mistério de Cristo e sua obra redentora.
“The World’s First Love” – O Primeiro Amor do Mundo, uma reflexão sobre Nossa Senhora e sua participação no mistério de Cristo.
“The Priest Is Not His Own” – O Sacerdotal não pertence a si mesmo, uma profunda reflexão sobre a identidade sacerdotal.
“Treasure in Clay” – Tesouro em Vaso de Barro, que é sua autobiografia.
Fulton Sheen tornou a fé compreensível sem retirar sua profundidade
Podemos resumir sua espiritualidade em alguns grandes eixos. Ele insistia que não existe verdadeiro cristianismo sem a Cruz. O sacerdote deveria configurar-se a Cristo e entregar sua vida pelo rebanho. Os meios modernos de comunicação deveriam ser utilizados para anunciar o Evangelho. A verdadeira evangelização precisa levar à mudança de vida.
Uma característica dele era falar para o homem moderno, sem diluir a fé para torná-la popular. Tornou a fé compreensível sem retirar dela sua profundidade. Ele conseguia falar sobre pecado, inferno, graça, sofrimento e conversão sem transformar o cristianismo em uma mensagem meramente psicológica. Sua obra continua atual.
Para Sheen, a vida humana não perde seu sentido quando diminuem as forças físicas. Ao contrário: o sofrimento, a experiência, a oração e a sabedoria podem transformar os últimos anos da vida em uma grande oferta a Deus.
Assim, a velhice cristã não deve ser vista como simples tempo de aposentadoria, mas como oportunidade para amar e servir. A vida não termina quando termina o trabalho profissional. Para ele o valor da pessoa não está naquilo que ela produz economicamente, mas naquilo que ela é diante de Deus. E afirmava que “a única maneira de salvar nossa civilização é salvar o homem”.
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A adoração era para Sheen o “combustível” de seu sacerdócio e apostolado
Um dos fatos mais belos de sua vida é que ele decidiu fazer uma hora de adoração ao Santíssimo todos dos dias, por um fato que aconteceu: O testemunho de uma menina mártir na China.
Ainda seminarista, Sheen conheceu a história de uma menina chinesa que, durante a perseguição comunista, entrou repetidamente numa igreja onde o Santíssimo havia sido profanado. Ela fazia um ato de reparação diante de Jesus Eucarístico e, durante vários dias, aproximava-se para receber reverentemente as Hóstias que haviam sido deixadas no chão.
Na última noite, quando estava recebendo a última Hóstia, foi morta por um soldado. Esse testemunho impressionou profundamente Sheen. Segundo o relato transmitido por ele, se aquela menina estava disposta a dar a própria vida por Cristo na Eucaristia, ele poderia ao menos oferecer uma hora por dia de sua vida a Jesus. Ele queria que seu sacerdócio nascesse da intimidade com Jesus
No dia de sua ordenação, Sheen tomou duas resoluções: celebrar a Missa aos sábados em honra de Nossa Senhora e passar diariamente uma hora diante do Santíssimo Sacramento. Ele manteve ambas durante toda a sua vida sacerdotal. Ele dizia: “A Hora Santa deve ser diária porque nossas cruzes são diárias, não semanais”. Para ele, a adoração não era simplesmente uma devoção a mais. Era o “combustível” de seu sacerdócio e de seu apostolado.
Diante do Sacrário, ele encontrava Jesus, examinava sua vida, rezava pelas pessoas e preparava suas pregações.
Ele disse que a Hora Santa era “a hora que faz o meu dia” — título de um capítulo de sua autobiografia Treasure in Clay.
Ele disse que não poderia falar de Jesus durante horas se não passasse, primeiro, uma hora com Jesus. A adoração dava autenticidade à sua pregação.






