Redes sociais

Até onde vai o limite do engajamento?

“Posso fazer tudo por engajamento?” Recebi essa pergunta recentemente no WhatsApp e resolvi transformar minha resposta nesta reflexão

Antes de aprofundar a questão, quero deixar muito claro: não sou, de forma nenhuma, contra o uso das mídias sociais, das ferramentas digitais ou das tecnologias emergentes no processo de evangelização. Pela graça de Deus, dedico-me ao estudo dessas áreas e creio firmemente que, como cristãos, devemos empregar com ética, responsabilidade e respeito todos os meios que a ciência e a técnica colocam à disposição da humanidade para a comunicação e o bem comum.

Crédito: Aramyan / GettyImages

Nas redes sociais, o engajamento é mensurado pelo comportamento dos usuários: curtidas, compartilhamentos, salvamentos e interações que podem tornar uma mensagem viral.

As coisas boas, a verdade e o belo precisam e devem ser propagadas. Na modernidade, dispomos de um acesso sem precedentes ao conhecimento; contudo, corremos o sério risco de consumir uma quantidade enorme de informações sem a devida reflexão – um alerta sobre o qual venho refletindo desde 2012.

Mas qual é, afinal, o limite desse engajamento?

Na busca incessante por métricas, muitos perfis (inclusive de pessoas que se declaram cristãs) recorrem à publicação frequente de polêmicas ou falas descontextualizadas, atuando como verdadeiros “carniceiros da web”.

Para alcançar likes e viralização, recortam trechos isolados de homilias e discursos de padres e bispos fora do seu contexto original.
Sabemos que, pelo dever do seu sagrado chamado, os sacerdotes e bispos têm a missão de alertar, exortar e corrigir os fiéis em comunhão com o Magistério, a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura.

Embora existam eventuais deslizes ou falas que se desviam desse tripé, a nossa atitude como cristãos jamais deve ser o escândalo público para obter engajamento, mas sim o exercício da caridade cristã e da correção fraterna, conforme ensina o Santo Evangelho.

O uso das novas tecnologias e da IA para o anúncio do Evangelho e para o debate público deve, portanto, pautar-se pelo respeito à dignidade humana e pelo compromisso inegociável com a verdade (cf. Jo 8,32).

O empenho comunicativo do cristão não deve visar ao sensacionalismo ou à divisão, mas sim ao bem comum e à promoção de uma cultura de esperança.

Por Adailton Batista , missionário da Comunidade Canção Nova