✨ Missão divina

A mulher: dos próprios projetos ao propósito de Deus

Qual o lugar de Deus em nossa missão?

Ser mulher é um grande dom que precisamos conhecer e do qual precisamos nos apropriar. A nós foram dadas características peculiares que nos permitem dar ao mundo a nossa contribuição. A mulher ama se doando, zelando pela vida, nutrindo-a, educando e auxiliando quem precisa dela. Com nossa sensibilidade, tendemos a dar atenção a detalhes. E por estabelecermos grandes conexões cerebrais, é comum percebermos relações sutis. Tudo isso nos possibilita agir com excelência, desde que Deus, em nossa vida, esteja em seu devido lugar.

Créditos: Arquivo CN.

Quando usamos dos papéis que exercemos como algo para nós mesmas, é comum, com o passar do tempo, vivermos um vazio de sentido. A partir do momento em que realizamos nossas ações como serviço a Deus e às pessoas, a missão passa a ter uma grandeza maior. E isso acontece quando entendemos o que o Senhor espera de nós. Se compreendemos o significado do chamado a gerar vida, por exemplo, e exercermos qualquer profissão orientadas por este propósito maior, o que quer que façamos será rico de sentido.

Da mesma forma, o entendimento da nobreza de ser a “auxiliar adequada”(Cf. Gn 2), dirige nossos atos para a compreensão de qual a melhor forma de ajudar quem precisa em qualquer situação. O ponto central para chegar a isso é sair do centro de referência e recolocar Deus nesse lugar. Em outras palavras, é não nos guiarmos por interesses próprios.

Para isso, alguns passos são importantes:

O primeiro é o da oração. A intimidade com Deus, ou seja, a atitude de escuta do que Ele quer em cada situação em que atuamos é essencial para agir dentro da vontade d’Ele. Sem o entendimento do que Ele quer e de como quer que realizemos cada papel, é impossível fazer as coisas conforme os planos d’Ele. Aqui, um dom importante a ser pedido ao Senhor é o discernimento, a fim de distinguir se as motivações de um projeto vem de nós mesmas, do Deus e ou outra fonte.

A segunda atitude é usar os dons de forma ordenada. Para isso é importante o anteconhecimento. Compreender nossas fraquezas, virtudes, capacidades, pecados e tendências, colaboram para purificar o nosso interior, a fim de agir de maneira prudente e reta. Um exemplo bíblico disso é a Rainha Ester, que, ao usar da sua beleza para ir até o Rei Assuero, tomou posse de um dom que lhe foi dado em vista da missão de salvar o seu povo. A beleza não foi usada por ela como vaidade, mas como recurso assumido no momento certo. Ester amadurece quando usa desse dom a serviço de algo maior que ela mesma. (cf. Ester)

O terceiro passo é a capacidade de estabelecer relações. Com o dom da empatia e da sensibilidade, a mulher tem facilidade de se aproximar, compreender as pessoas e resgatar vínculos. A mulher, para viver seus papéis, sejam eles quais forem, precisa das pessoas, porque ninguém age isolado de outros. Ela necessita usar da sua capacidade de relacionamento e conhecimento do ser humano para dar vida a grandes projetos. Olhemos para os exemplos de mulheres como Irmã Dulce, Madre Teresa de Calcutá ou Madre Cabrini, que contaram com uma rede de relações de forma estratégica e deixaram um imenso legado no mundo.

O Quarto passo para a mulher não se guiar pelos interesses próprios é coragem de se pôr em missão apesar das fragilidades. O chamado que recebemos de Deus sempre será maior do que nós mesmas, porque agimos em nome d’Ele. O ato de coragem não se trata de não ter medo, mas de ir à diante, ainda que com os receios. Quando decidimos parar por causa de nossas fraquezas, declaramos que nossa confiança está em nós mesmos. Se prosseguirmos apesar do medo, afirmamos que a força com que agimos vem de Deus. Como também temos a missão de zelar pela vida, em muitos casos, nossa tendência é nos proteger excessivamente.

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Colocar a fé e a confiança em prática, caminho para seguir os propósitos de Deus

Com isso, não damos passos em direção à missão. Se soltarmos as guardas e recolocarmos nossa fé e confiança em prática, a vontade do Senhor permanece no centro de nossas atitudes. Ester, além de ser exemplo de coragem, é modelo de mulher que entende que sua vida não pode ficar fechada em si mesma e que vale a pena nos arriscar por algo que nos custe, se nisso estivermos colaborando com Deus.

Fazer da nossa vida um dom é o que dá a ela o verdadeiro sentido. E amadurecemos como mulheres quando passamos dos nossos projetos próprios para os propósitos de Deus.

 

Elane Gomes, autora do livro “O Propósito Divino para a Mulher – Uma jornada de descoberta a partir das mulheres da Bíblia”
Membro Definitivo do Segundo Elo da Comunidade Canção Nova
Mestra em Comunicação e Cultura Midiática