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Violência doméstica no casamento: o que fazer?

Saiba o que fazer quando a violência doméstica acontece no casamento

Dispor-se ao casamento pode ser o início de uma história de felicidade e paz. O sacramento do matrimônio consiste em aceitar a missão de entregar seu cônjuge a Deus, de uma maneira melhor do que quando o conheceu. Entretanto, a vivência de muitos casais está longe do projeto idealizado por Deus.

Para se ter uma ideia das dimensões dessa realidade, segundo dados oficiais da Central de Atendimento à Mulher (180), só nos dez primeiros meses de 2015, do total de 63.090 denúncias de violência contra a mulher, 31.432 dizem respeito às denúncias de violência física.

Dentro desse contexto de violência, as consequências sobre a vida familiar são desastrosas, em especial na vida do casal. Prova disso, pode-se constatar em resultados de uma pesquisa realizada pelo Data Popular, intitulada “Violência contra a mulher”, que mostra que homens que presenciam atos de violência contra suas mães têm maior probabilidade de se tornarem violentos com suas mulheres.

Crédito: Paula Dizaró/cancaonova.com

Em entrevista ao cancaonova.com, padre Anderson Marçal, Mestre e Doutor em Teologia Pastoral Bíblica e Litúrgica, conselheiro de casais, responde algumas dúvidas que surgiram pelos internautas.

cancaonova.com: Uma esposa ou marido que apanha do cônjuge precisa continuar casada ou pode recorrer ao divórcio?

Padre Anderson: É um assunto bem delicado, porque precisa ser muito bem compreendido aquilo que é a união matrimonial. Por exemplo: quando, no dia do casamento, a pessoa recebeu de Deus o noivo, ela tem a missão de entregá-lo, um dia, para Deus, de uma maneira melhor do que o conheceu. É claro que, quando existe a violência familiar, quando a mulher é agredida pelo marido ou vice-versa, porque também há esses casos, é claro que ela não é obrigada a se manter com essa pessoa.

No entanto, há uma missão que continua, mesmo que ela se separe do marido. Se chegar a esse extremo [da separação], ela tem de continuar ralando para que aquele marido ou aquela esposa, no decorrer da vida, e no fim da vida, chegue melhor para Deus. Ela tem uma missão, muito mais do que uma vida a dois; ela tem a missão de devolver para Deus aquela pessoa que um dia recebeu em matrimônio.

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cancaonova.com: O que fazer se o marido ou a esposa agridem um ao outro?

Padre Anderson: Nesse caso, não existe uma lei que obrigue a mulher a ficar com o esposo ou ele com a esposa, mas, isso precisa ser bem acompanhado, direcionado. Por isso que, decisões como essa não são tomadas sozinhas, porque a pessoa aguentaria. Se você está vivendo uma situação como essa, procure alguém que o ajude. Alguém que vá lhe dar não somente uma posição parcial, olhando somente o seu lado, porque é preciso ver todos os lados., e desse modo, seria muito interessante procurar um padre, ou se fosse o caso, até um bispo. A ajuda poderia, também, vir de um psicólogo ou algum profissional que pudesse ajudar a pessoa a tomar a decisão de uma forma mais consciente.

cancaonova.com: No namoro, a companheira não demonstrava surtos de agressão física, mas no casamento acontece a violência. Nesse caso, o casamento é nulo?

Padre Anderson: Se ela não demonstrava esse surto, mas sabia que isso acontecia, agiu de má fé. A pessoa não se revelou, e isso pode ser um motivo de nulidade, porque escondeu alguma coisa. Se ela não sabia que tinha esses surtos, mas, no casamento, foi descobrindo que tinha esse comportamento, isso não é motivo de nulidade matrimonial; é preciso haver outros motivos. Se a pessoa sente-se sufocada ou até mesmo corre risco de morte, é claro que, ela não vai ficar com o outro que tem tal comportamento. Agora, com relação à nulidade matrimonial, é um pouco mais complicado. Se ela escondeu propositadamente, pode ser o caso de nulidade; se não sabia, precisam ser averiguados outros fatores, para que se chegue à nulidade.

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cancaonova.com: A submissão da esposa pelo marido está em aceitar a violência física, emocional ou sexual?

Padre Anderson: A submissão nunca é aceitar violência. Como a própria palavra diz, submeter-se é ser suporte na missão do outro. E a missão do outro nunca é a violência, nunca é um abuso. A submissão tem de ser uma dupla submissão, pois se não for assim, vai haver um tirano e um submisso.

cancaonova.com: Padre, deixe uma mensagem de superação para quem foi vítima de violência.

Padre Anderson: O mundo não acabou; seus dias não se acabaram! A experiência que você viveu não disse a última palavra. Você, com a ajuda de pessoas que queiram ajudá-la, pode superar essa realidade. Pode, até mesmo, tornar-se um verdadeiro testemunho para outras pessoas, de que é possível sair do fundo do poço onde você se encontra.

 

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