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Que relação há entre o “pecado dos anjos” e o “pecado original” do homem?

Natureza teológica do pecado dos anjos

Há uma certa correlação. Qual foi o pecado dos anjos? A soberba. Os santos doutores da Igreja – escrevi sobre isso no livro ‘Os Anjos’ – e os grandes doutores como São Tomás de Aquino e Santo Agostinho são unânimes em dizer que foi a soberba. Esse era o único pecado que eles poderiam cometer.

O pecado da soberba

Como o anjo não possui corpo, não pode cometer pecados como a gula ou a luxúria. Sendo um ser espiritual, só poderia cometer um pecado de natureza espiritual: inveja, orgulho ou soberba. E eles o cometeram. Ninguém os tentou, erraram por própria escolha. Eles não aceitaram ser simples criaturas e quiseram ser como Deus. Esse foi o problema.

Lúcifer viu-se tão belo e maravilhoso, encantou-se tanto consigo mesmo, que decidiu: “Eu quero ser Deus”. É o “Não servirei” presente no livro do profeta Jeremias. O que disseram a Deus foi justamente isso: “Não servirei”.

A rejeição do Verbo Encarnado

Alguns teólogos trabalham com a hipótese de que, ao saberem que o Verbo encarnaria como homem, os anjos rebeldes se recusaram a adorar um Deus feito homem, por se considerarem superiores aos seres humanos. No fundo, foi um pecado de soberba, quiseram ser Deus.

São Tomás de Aquino afirma em sua obra que o demônio deseja ser adorado como Deus. Por isso esconde-se atrás dos ídolos. Como o ídolo é apenas uma fantasia — uma imagem de barro, pedra ou ouro —, quando recebe adoração, quem a recebe, na verdade, é o demônio. Daí o perigo da idolatria.

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A tentação do Éden ao homem moderno

O demônio quer que o ser humano também se sinta Deus. É o que o homem moderno pensa ser. Filósofos ateus como Herbert Marcuse dizem que “O homem é a medida de todas as coisas”, ou seja, o homem é Deus. Nietzsche proclamou a morte de Deus e a valorização do “super-homem”. Não é à toa que Nietzsche terminou seus dias alienado, pois não encontrou respostas para a existência.

Sem Jesus Cristo, não se encontra resposta para nada. O demônio quer ser Deus e instigou Eva a comer o fruto proibido prometendo que ela seria como Deus. Essa foi a mesma tentação que o fez cair no céu e que ele trouxe para a humanidade. É fascinante a ideia de querer ser Deus, pois, nessa condição, não se obedece a lei alguma, mas cria-se a própria lei. Como dizia Dostoiévski: “Se Deus não existe, a lei não existe, eu sou Deus”.

Transcrito e adaptado por Jaqueline Scarpin