Cantar a liturgia ou fazer show?
Muitas vezes, ao prepararmos as músicas para a Santa Missa, caímos na tentação de escolher nossos “hits” favoritos ou aquelas canções que mais nos emocionam individualmente. No entanto, o programa Luz da Fé trouxe uma reflexão essencial para todo músico e fiel: a música não é um acessório da Missa, ela é parte integrante do mistério celebrado.
O tesouro inestimável: o que diz o Catecismo?
Para compreendermos a importância do canto, precisamos olhar para o que a Igreja ensina. O Parágrafo 1156 do Catecismo da Igreja Católica (CIC) é claro ao afirmar:
“A tradição musical da Igreja universal constitui um tesouro de valor inestimável que se destaca entre as demais expressões de arte, principalmente porque o canto sacro, ligado às palavras, é parte necessária ou integrante da liturgia solene.”
Cantar “a” liturgia x cantar “na” liturgia
Ana Lúcia, em partilha no Luz da Fé, destacou uma distinção fundamental: precisamos cantar a Liturgia.
- Cantar “na” Liturgia: É quando o músico encara a Missa como um palco. Ele escolhe músicas de seu novo álbum, foca na performance vocal e ignora o tempo litúrgico ou o rito.
- Cantar “a” Liturgia: É colocar o dom a serviço. É entender que o canto deve brotar do que a Palavra de Deus diz naquele dia. O músico litúrgico é um servo, não o protagonista.
O show particular
O momento da Ação de Graças, por exemplo, é um convite ao recolhimento e à gratidão profunda. Se transformamos esse momento em um show particular para exibir técnica ou promover canções pessoais que não condizem com o rito, desviamos o olhar do povo de Deus de Jesus Eucarístico para o cantor.
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Três dicas práticas para músicos católicos
1. Diálogo com o celebrante
A unidade é a nota mais importante da Igreja. Antes de impor um repertório, converse com o padre ou o bispo da diocese. Cada celebrante e cada realidade paroquial pode ter orientações específicas. A obediência e o diálogo evitam polêmicas que, como bem lembrado, não evangelizam ninguém.
2. Olhar para a assembleia
O músico deve promover a comunhão. Se você escolhe tons excessivamente altos ou arranjos complexos demais que impedem o povo de cantar, você está isolando a assembleia.
3. Respeito à realidade local
Se você é um músico convidado, adeque-se à regra do lugar. Muitas vezes, a maior humildade de um cantor de renome é saber silenciar ou convocar o grupo da paróquia local para que o povo se sinta em casa e participe ativamente da celebração.
Transcrito e adaptado por Rophiman Souza




