A música na liturgia não deve ser um espaço para exibições técnicas ou “firulas”, mas sim para realizar o “arroz com feijão bem feito”, focando no que realmente precisa ser cantado. Conforme o parágrafo 1158 do Catecismo da Igreja Católica, a harmonia dos sinais — canto, música, palavras e ações — é mais expressiva quando se expressa na riqueza cultural do povo que celebra.
No entanto, fazer o simples de forma bem feita é um desafio que exige que a liturgia se baste, sem extrapolar seus limites.
A sobriedade como guia para o músico católico
Um conceito fundamental para a música litúrgica é a sobriedade, um termo muito utilizado pelo Monsenhor Jonas Abib.
Diferente da arte que pode “embriagar” e tirar o controle do indivíduo, a liturgia exige que estejamos conscientes para participar bem do mistério.
Por isso, a música não é meramente decorativa, ela possui uma função dentro do rito. O uso de instrumentos, como a bateria ou percussão, deve ser marcado por esse equilíbrio, especialmente em tempos fortes como a Quaresma, sempre em comunhão com as orientações da diocese e do celebrante.
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Cultura local e a força das Sagradas Escrituras
A cultura local não deve ser desprezada, mas usada para promover a identificação e participação dos fiéis, como se observa na rica polifonia e expressão corporal das liturgias na África.
Além disso, os textos das canções devem estar em conformidade com a doutrina católica, sendo preferencialmente extraídos das Sagradas Escrituras e fontes litúrgicas.
Como a música entra diretamente no coração sem passar pela razão, o fiel deve ser um ouvinte ativo, pois a harmonia e o ritmo carregam um conteúdo que alimenta a alma.
Deve-se ter cautela com paródias de músicas seculares, pois a bagagem musical original pode não condizer com o momento sagrado da Missa.
Transcrito e adaptado por Willian Coutinho.



