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Os Mandamentos da Lei de Deus

 Toda a ordem da lei natural está resumida nos Mandamentos

Comecemos a tratar dos Mandamentos da Lei de Deus com a mesma dinâmica em que estamos em nossa série de textos voltados para a meditação sobre o Sacramento da Confissão.

Nos Mandamentos está resumida toda a ordem da lei natural. Ao cumprir com solicitude e generosidade os mandamentos, o ser humano tende a cumprir com perfeição seu papel nesse mundo e, ainda, se aproxima de Deus de modo a se unir a Ele.

Mas, não iremos iniciar do primeiro Mandamento. As tábuas das Leis de Deus estão divididas em duas: na primeira, são os ensinos e mandamentos referentes a Deus. Na segunda, ao que se refere ao próximo. Iniciaremos. então, por essa.

Não sei se você sabe, mas os Mandamentos estão em ordem de importância, do maior para o menor. E a partir do quarto, estão os que são voltados para o trato com o próximo.

Os Mandamentos da Lei de Deus

Foto ilustrativa: roman023 by Getty Images

“Honrar pai e mãe” é o maior mandamento no trato com as pessoas.
Os nossos pais nos deram a vida. Note que está acima do mandamento de Não Matar, do Roubo ou do adultério.

O segundo mais importante está o de não matar alguém. Tirar a vida do outro significa tirar-lhe tudo, incluindo tirar a pessoa do seio daqueles que o amam.

Logo, em seguida, o da castidade. Trata da dignidade da sexualidade humana. Tirar a mulher do outro é tirar alguém que lhe faz parte. Ir contra a castidade é menos grave que a morte de alguém. No entanto, ela é mais importante do que tirar algum objeto do outro.

Depois temos o roubo. Nele está incluso, inclusive, a fama do outro. Sim, tirar a fama do outro é uma espécie de roubo ou até mesmo uma espécie de matá-lo. Tirar a mulher do outro ou algum objeto, de certa forma, o mantém capaz de se reerguer. Mas tirando-lhe a boa fama, tira-se a oportunidade da pessoa se colocar dentro da sociedade. Torna a sua vida muito mais difícil.

Já, os demais mandamentos, tratam-se de desejos: os maus desejos. São uma lesão em si mesmo.

Honrar Pai e Mãe

O pecado contra os pais é o pior daqueles que são contra o próximo.

As desobediências são apenas desordens, desde que não se tratem de matéria grave. Esses são os que atentam contra a dignidade ou a vida dos pais. Seria o caso do desrespeito, que é um atentado à dignidade. Contra uma pessoa qualquer, o desrespeito já é matéria de pecado grave; torna-se ainda pior se for contra os próprios pais.

O mesmo se diz dos pais para com os filhos. Os pais não têm direito de desrespeitar os filhos. Por força da educação, às vezes, é preciso ser firme. Mas é um caso para uso da caridade. Se a correção for feita por base na raiva, essa se torna pecado.

Um filho só tem o direito de desobedecer aos pais, se tiver consciência de que estão pedindo que ele faça algo pecaminoso, que vá contra Deus, contra a benevolência ao próximo ou contra a castidade.

Uma palmada no filho, se for com amor, sem estar com raiva, moderando a força, não é pecado. Já, xingá-lo é pecado, pois se trata de um insulto que fere a dignidade. Em outros casos, onde se faz necessária energia para manter a ordem, não há pecado. Por exemplo, um professor usar de voz autoritária para colocar um aluno para fora de sala sem ofensa nem vingança, não é pecado.

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Ao chegar a maior idade, os filhos já não são mais obrigados a obedecer os pais. Pode-se fazer o que quiser, desde que não os desrespeite. Porém, os filhos têm o dever de socorrer e dar suporte aos pais, até a morte deles.

Tratando-se de dignidade, vale uma palavrinha aos pais. Saiba que uma discussão não deve acontecer entre vocês. Nunca! O que se passa nesse momento? Raiva, arrogância, orgulho, falta de flexibilidade, xingamentos e ofensas. O certo é esperar os ânimos se acalmarem e depois conversarem. Afinal, o matrimônio é o símbolo do amor entre Cristo e a Igreja!

Nós temos a obrigação de dar orientação espiritual aos filhos, assim como a alimentação, educação etc. Temos de lhes dar a educação suficiente para que eles saibam se manter em estado de graça de uma maneira habitual. Os seja, essa educação que estamos tentando passar por esses textos. Trata-se de educação moral e religiosa que não se pode delegar somente aos catequistas e à escola.

O exemplo não basta

Uma pequena quebra de paradigma: São João Crisóstomo ensina que o exemplo já não é suficiente para educar um filho. Ele não basta. É preciso ensinar-lhes e explicar-lhes a Doutrina! Se não sabe nem pra si, é obrigação moral e espiritual aprender para ensinar aos filhos. O bom pai, acostumado a dar somente o exemplo aos filhos, o conquista no início.

Mas, o mundo inteiro ensina exemplos diferentes do pai e, às vezes, até mais sublimes. Ele, apesar de admirável, passa por bobo se não ensinar ao filho o que o levou a ter aquele proceder. Isso só se faz ensinando a Doutrina. O exemplo serve muito pouco, especialmente, quando os filhos chegam a idade da razão. É preciso educação para que eles sejam católicos praticantes. O ideal é incutir nos filhos um desejo imenso pela santidade.

Para ser bom educador da Doutrina para os filhos, precisamos começar a estudar. É preciso estudar o suficiente para desmentir tudo o que o mundo oferece. Catecismo, a Bíblia, os documentos da Igreja, a vida dos santos, os tratados de espiritualidade… A partir do momento em que na vida do casal chegam os filhos, a obrigação maior dos pais é com os filhos. Antes mesmo do cuidado um do outro. E para bem educá-los é preciso estudar.

No passado, essa exigência do estudo não era tão grande. A sociedade, como um todo, estava relativamente nos eixos. Mas, hoje, é indispensável! Caso contrário, os pais incorrem em pecado diante da educação moral dos filhos. Para o filho perceber que a maioria das pessoas do mundo estão erradas; e só o pai e mãe estão certos, é preciso entender bem da ética, da moral, um pouco de filosofia (especialmente da antiga e medieval), e da Doutrina da Igreja.

Semana que vem trataremos do próximo mandamento, referente ao próximo, em grau de importância: não matar.


Roger de Carvalho

Roger de Carvalho, natural de Brasília – DF, é membro da Comunidade Canção Nova desde o ano 2000. Casado com Elisangela Brene e pai de dois filhos. É estudante de Teologia e Filosofia.
Autor do blog “Ad Veritaten“.

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