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Bem-Aventuradas: como não ser consumido pela ansiedade?

Você se considera uma pessoa ansiosa?

Com Daniel Machado, saiba quais são os sintomas, como não ser consumido pela ansiedade e o que fazer nessa situação. Assista e compartilhe!

Entenda a diferença entre reação natural e transtorno

Será que você se considera uma pessoa ansiosa? O termo “ansiedade” tornou-se muito genérico ultimamente. É comum ver as pessoas tratando a ansiedade apenas como algo ruim, um mal que precisa ser eliminado a qualquer custo. No consultório, recebo com frequência pacientes dizendo: “Vim procurar ajuda porque sou uma pessoa ansiosa”.

Mas o que significa, de fato, ser ansioso? Antes de tudo, precisamos lembrar que a ansiedade é um mecanismo natural e vital para a nossa sobrevivência. Ela não deve ser demonizada. É a ansiedade que nos protege diante de perigos iminentes e nos ajuda a vencer medos.

Ansiedade natural vs. Transtorno de Ansiedade

Para entender como a ansiedade funciona no seu corpo, imagine uma situação extrema: você está nadando na praia e topa de frente com um tubarão. Nesse exato momento, seu organismo reage de forma automática:
As glândulas suprarrenais liberam uma descarga de adrenalina no sangue.
Seu coração acelera (taquicardia) para mandar sangue aos músculos.
Suas mãos começam a suar e o corpo se prepara para o mecanismo de luta ou fuga (lutar contra o perigo ou fugir dele).

Esse é o uso saudável e adaptativo da ansiedade. O problema surge quando esse alarme disparado pela mente é desproporcional ou surge em situações perfeitamente normais do dia a dia. Quando o corpo reage como se estivesse diante de um tubarão durante uma tarefa cotidiana, deixamos de falar de uma reação saudável e entramos no campo dos transtornos de ansiedade.

A ansiedade patológica se manifesta de diferentes formas. Destaco os quadros mais frequentes: Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), Fobias sociais e específicas, Síndrome do Pânico (Ataques de Pânico repentinos) e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

No TAG, a pessoa vive em um estado de preocupação excessiva e constante com o futuro, trabalho, saúde ou família. Qualquer situação simples vira motivo para pensamentos invasivos. O corpo responde com sintomas físicos contínuos:

  • Sudorese e tremores nas mãos;
  • Taquicardia e aperto no peito;
  • Falta de ar e sensação de fraqueza nas pernas.

Muitas vezes, as palpitações são tão intensas que a pessoa confunde a crise de ansiedade com um ataque cardíaco. A mente não descansa e esse estado de alerta constante drena todas as energias.

Fobias sociais e específicas

São reações de ansiedade intensa desencadeadas por gatilhos sociais ou de ambiente. Pessoas com claustrofobia, por exemplo, sentem pânico ao entrar em locais fechados. Já quem tem medo excessivo de falar em público apresenta suor frio, aceleração cardíaca e bloqueio do raciocínio diante de uma plateia.Síndrome do Pânico (Ataques de Pânico repentinos)

O ataque de pânico surge como uma erupção vulcânica: de forma súbita, intensa e com duração de alguns minutos. A pessoa sente um medo avassalador de morrer, enlouquecer ou perder totalmente o controle. Embora curto, o episódio é extremamente aterrorizante e debilitante.

Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)

O TOC é caracterizado pelo ciclo de pensamentos obsessivos (invasivos) e comportamentos compulsivos.
Exemplo: Surge a ideia obsessiva de que a mão está contaminada (“Estou impuro”). Para aliviar a dor do pensamento, surge a compulsão de lavar as mãos repetidamente.
Por ser um quadro de forte repetição e que gera intensa culpa e sofrimento, o TOC exige acompanhamento psiquiátrico imediato e, frequentemente, uso de medicação para restaurar a qualidade de vida.

Quando buscar ajuda profissional?

Nem todo estado de ansiedade exige medicação ou indica um transtorno. Você pode estar passando por um momento de vida estressante como uma crise financeira ou conflito conjugal que faz seu corpo reagir com ansiedade temporária. O sinal de alerta é o prejuízo, se a ansiedade impede você de trabalhar, afeta suas relações familiares, atrapalha sua rotina diária ou tira o seu sono, é o momento de buscar ajuda profissional.

  • Psicoterapia: É essencial para identificar as causas profundas da preocupação excessiva, aprender a modular pensamentos e criar estratégias para lidar com os estressores.
  • Consulta Psiquiátrica: Necessária quando os sintomas físicos e emocionais impedem a pessoa de funcionar normalmente, precisando de suporte medicamentoso para aliviar o sofrimento.

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Como tratar e prevenir as crises de ansiedade

Além da terapia e do acompanhamento médico, a mudança no estilo de vida é um pilar indispensável no combate à ansiedade.

  1. Priorize a Higiene do Sono: A insônia é tanto causa quanto consequência da ansiedade. Se você não dorme, seu cérebro não recupera a capacidade de regular emoções. Crie um ritual relaxante antes de deitar e procure ajuda médica se não conseguir dormir.
  2. Pratique Exercícios Físicos: Atividades aeróbicas, como caminhadas ou corridas, aumentam a oxigenação cerebral e ajudam a metabolizar o excesso de adrenalina e noradrenalina acumulados no organismo.
  3. Alimentação Balanceada: Cuidar da nutrição reduz os processos inflamatórios do corpo e auxilia na produção de neurotransmissores do bem-estar.

A ansiedade não precisa governar a sua vida. Se você sente que não está conseguindo lidar com as preocupações sozinha, dê o primeiro passo e busque suporte especializado.

Transcrito e adaptado por Jaqueline Scarpin


Daniel Machado de Assis

Daniel Machado de Assis é Brasileiro, nasceu no dia 08/11/1979, em São Bernardo do Campo, SP. É Membro da Associação Internacional Privada de Fieis – Comunidade Canção Nova, desde 2002 no modo de compromisso do Núcleo. Psicólogo, formado em psicologia pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo.